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Certos textos só podem ser adequadamente compreendidos quando se recorre a regras pragmáticas do discurso, aquelas estabelecidas pelo contexto. Veja-se o caso do seguinte enunciado inscrito num cartaz fixado em um centro comercial:
“Esta área é um espaço reservado a não fumantes. Mas há um bar no final do corredor”.
Para compreender essa sequência de duas orações interligadas pelo conectivo “mas”, é necessário que o interlocutor interprete a relação aí estabelecida. Para isso, deve procurar uma interpretação verossímil, apoiando-se ao mesmo tempo no contexto e no valor de “mas” na língua.
MAINGUENEAU, Dominique. Análise de textos de comunicação. 5. ed. São Paulo: Cortez, 2008. p. 28. (Adaptado).Considerando-se o contexto em que ocorre, a oração “Mas há um bar no final do corredor” assume o seguinte valor semântico:
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São Paulo perde participação na pauta exportadora brasileira desde 2009
São Paulo perdeu participação nas exportações brasileiras desde a crise financeira que se acentuou em 2009. Segundo o Boletim Regional do Banco Central, o Estado respondia em 2013 por 23,2% dos embarques. Em 2009, eram 29,2%.
O comportamento é explicado pela queda na venda de manufaturados, que têm grande participação na pauta exportadora do Estado e foram os mais afetados pela queda no consumo dos países importadores.
Nesse período, as vendas de produtos fabricados no Estado caíram 0,5% ao ano. As exportações nacionais avançaram, na média, 4,1% ao ano.
Folha de S. Paulo, 19 nov. 2014, p. B2Um gênero discursivo é mais que uma mera forma textual; constitui, na verdade, uma ação de linguagem que reúne, de forma relativamente estável, uma série de aspectos composicionais e sociodiscursivos.
Considerando-se essa definição teórica, o texto “São Paulo perde participação na pauta exportadora brasileira desde 2009” pode ser classificado como um exemplar do gênero
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Existem duas ideias sobre a poesia brasileira que são consensuais, a ponto de terem virado lugares- comuns. A primeira diz que um de seus traços dominantes é o diálogo cerrado com a tradição, tendo emergido com a Semana de Arte Moderna de 1922. A segunda ideia, decorrente da primeira, é que essa linhagem modernista se bifurca em dois eixosprincipais: uma vertente articulada em torno de Mário de Andrade, Manuel Bandeira e Carlos Drummond de Andrade; e outra representada por Oswald de Andrade, João Cabral de Melo Neto e a poesia concreta.
COSTA PINTO, Manuel. Literatura brasileira hoje. São Paulo: Publifolha, 2004. p. 14. (Adaptado).As vertentes sobre as quais o crítico literário discorre nesse trecho definem, respectivamente, uma poesia mais
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Dito isto, expirei às duas horas da tarde de uma sexta-feira do mês de agosto de 1869, na minha chácara de Catumbi. Tinha uns sessenta e quatro anos, rijos e prósperos, era solteiro, possuía cerca de trezentos contos e fui acompanhado ao cemitério por onze amigos. Onze amigos! Verdade é que não houve cartas nem anúncios. Acresce que chovia — peneirava — uma chuvinha miúda, triste e constante, tão constante e tão triste, que levou um daqueles fiéis da última hora a intercalar esta engenhosa ideia no discurso que proferiu à beira de minha cova: — “Vós, que o conhecestes, meus senhores, vós podeis dizer comigo que a natureza parece estar chorando a perda irreparável de umdos mais belos caracteres que tem honrado a humanidade. Este ar sombrio, estas gotas do céu, aquelas nuvens escuras que cobrem o azul como um crepe funéreo, tudo isso é a dor crua e má que lhe rói à natureza as mais íntimas entranhas; tudo isso é um sublime louvor ao nosso ilustre finado”
Bom e fiel amigo! Não, não me arrependo das vinte apólices que lhe deixei. [...]
MACHADO DE ASSIS, Joaquim Maria. Memórias póstumas de Brás Cubas. São Paulo: Klick Editora, 1999. p. 17.Ao final do fragmento, quando o narrador elogia o discurso de seu amigo e afirma ter feito a coisa certa ao ter favorecido tal amigo em seu testamento, ele se mostra
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O amor não termina - esquece de começar. Não explicar é decorar. O amor que não esqueço é justamente o que não sei os motivos do seu fim. O amor que permanece é aquele que não sei como começou.
CARPINEJAR, Fabrício. Chaleira do mar. In: O amor esquece de começar: crônicas. 2. ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2006. p. 93.A repetição do vocábulo “amor”, ao longo do fragmento, cumpre a finalidade de
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Economês - A Folha combate o economês, um vício de estilo comum em jornalismo econômico, como se vê no seguinte exemplo: A autoridade monetária está praticando uma política contracionista de elevação de juros reais com o objetivo de tentar conter o crescimento dos índices inflacionários. Todos os termos técnicos e jargões devem ser evitados ou explicados em linguagem compreensível para qualquer leitor.
MANUAL de Redação da Folha de S. Paulo. São Paulo: Publifolha, 2010. p. 66. (Adaptado).A palavra “economês”, conforme usada no Manual de Redação da Folha de S. Paulo, constitui um neologismo formado a partir de um processo morfológico, no qual o sufixo “ês”, que dá origem a um
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Economês - A Folha combate o economês, um vício de estilo comum em jornalismo econômico, como se vê em: À autoridade monetária está praticando uma política contracionista de redução de juros reais com o objetivo de tentar conter a recessão econômica. Essa longa frase pode ser substituída por: O governo está baixando os juros para tentar estimular o crescimento da economia. Todos os termos técnicos e jargões devem ser evitados ou explicados em linguagem compreensível para qualquer
leitor.
A palavra “economês” constitui um neologismo formado a partir de um processo de
A linguagem do excerto apresentado é clara e simples, embora apresente alguns recursos estilísticos, tal como:
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Economês - A Folha combate o economês, um vício de estilo comum em jornalismo econômico, como se vê em: À autoridade monetária está praticando uma política contracionista de redução de juros reais com o objetivo de tentar conter a recessão econômica. Essa longa frase pode ser substituída por: O governo está baixando os juros para tentar estimular o crescimento da economia. Todos os termos técnicos e jargões devem ser evitados ou explicados em linguagem compreensível para qualquer
leitor.
A frase “O governo está baixando os juros para tentar estimular o crescimento da economia” constitui, em relação ao enunciado que exemplifica o caso de economês, uma
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Tamanho não é documento
Talvez o universo seja a maior coisa que exista, mas sem nosso cérebro não teríamos a menor noção disso. Aliás, sem nosso cérebro não teríamos noção de qualquer coisa. É realmente espantoso que tudo o que somos seja orquestrado por uma massa de neurônios de não mais do que 1,4kg.
Se você acha que o segredo do nosso cérebro está no seu peso, veja que o de um golfinho pesa 1,6 kg. Mesmo que golfinhos sejam bem inteligentes, não escrevem poemas ou constroem rádios telescópios.
A comparação do peso do cérebro com o peso do corpo também não soluciona o mistério. Por exemplo, a razão do peso do cérebro para o do corpo nos humanos é de 1:40, a mesma que para ratos. Já para cachorros, a razão é de 1:125 e para formigas de 1:7. Formigas certamente são inteligentes, mas não mais do que cachorros ou humanos.
O cérebro humano cresceu bastante de 3 milhões de anos para cá. Mesmo assim, tamanho não parece ser a resposta. De acordo com os neurocientistas Randy Buckner e Fenna Krienen, da Universidade de Harvard, nos EUA, a resposta está nas conexões entre os neurônios, que é unicamente rica nos humanos.
Para chegar a essa conclusão, os cientistas mapearam o cérebro humano e o de outras espécies usando a ressonância magnética funcional. Nas outras espécies, os neurônios são conectados localmente. Nos humanos, as
córtices estão interligadas de forma diferente, parecendo - se mais com os nodos de conexão de uma cidade grande do que com uma estrada que liga um ponto a outro.
Essa riqueza na interconectividade neuronal parece ser a chave do nosso sucesso. Nos animais, a linearidade das conexões limita sua capacidade de improvisação e de reflexão. No cérebro humano, regiões diferentes podem trocar informação sem qualquer estímulo externo.
GLEISER, Marcelo. Tamanho não é documento. Folha de S. Paulo, 05 jan. 2014, p. B10. (Adaptado).A citação dos pesquisadores Randy Buckner e Fenna Krienen, da Universidade de Harvard, constitui uma operação discursiva por meio da qual o autor