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A palavra "trabalho" não tem uma origem muito convidativa: em latim, tripalium era o nome dado a um instrumento utilizado pelos romanos para torturar escravos. Durante séculos, trabalhar era o mesmo que perder a liberdade — as sociedades eram divididas entre os "pensadores" e aqueles que realizavam atividades braçais.

Quando o despertador o acorda em uma segunda-feira de manhã, é bem possível que você concorde com os gregos e os romanos sobre o significado original do trabalho. Não deveria ser assim: afinal, é justamente pela capacidade de materializar suas ideias que você é diferente de 99,99% das espécies do planeta. Em outras palavras, foi a capacidade humana de trabalhar e de produzir riquezas que permitiu tantos progressos: saímos das cavernas para conquistar o espaço.

Galileu, Ed. 322, maio de 2018. p. 21. (Fragmento)

Para manter a mesma relação de sentido com o período anterior, o termo em destaque pode ser substituído por

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Leia o texto a seguir, que compõe um box da matéria “Cidadania e Protagonismo”, publicada na revista Conhecimento prático: Língua Portuguesa e Literatura (Ano 8, Edição 80)

Línguas Brasileiras

Embora se tenham por um longo período silenciado as vozes dissonantes, existem hoje no Brasil mais de 200 línguas faladas por povos de origem e etnias diversas.

São línguas indígenas, de imigração, de sinais, crioulas e afro-brasileiras, que somadas às múltiplas variedades do português brasileiro, constituem um amplo patrimônio cultural e sociolinguístico que não pode nem deve ser desprezado.

O decreto Lei nº 7.387, de 9 de dezembro de 2010, instituiu o Inventário Nacional de Diversidade Linguística (INDL) como “instrumento de identificação, de documentação, de reconhecimento e de valorização das línguas portadoras de referência à identidade, à ação e à memória dos diferentes grupos formadores da sociedade brasileira”.

A partir da instituição desse instrumento, foi possível não apenas estabelecer políticas públicas de fortalecimento e de promoção da diversidade linguística do país, mas também criar mecanismos para reconhecimento das línguas minoritárias brasileiras, reforçando a orientação da Declaração Universal do Direitos Linguísticos.

Sob essa perspectiva, a Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS), como uma língua minoritária, ganha legitimidade e garante o direito de educação bilíngue e igualitária para seus usuários.

FREITAS, Abrahão Costa de. Cidadania e protagonismo. Conhecimento prático: Língua Portuguesa e Literatura. Ano 8, Edição 80. São Paulo: Editora Escala, 2020, p. 29.

A locução verbal na voz passiva (“se tenham... silenciado”), negritada no primeiro parágrafo, tem como efeito indeterminar o agente da ação, de modo que não se pode saber indubitavelmente por quem “as vozes dissonantes” foram silenciadas.

O uso desse recurso linguístico da indeterminação, no texto considerado, é uma estratégia de modalização, por meio da qual o autor

PortuguêsUFU2016

Para os gregos, o passado e o futuro são os dois grandes males da vida, por serem dimensões do tempo que não existem mais, ou não existem ainda, que nos impedem de viver na única dimensão real: o presente. O passado nos puxa para trás: se tivemos um passado feliz, ficamos nostálgicos. Se for um passado triste, ele nos mergulha no que Spinoza batizou de “paixões tristes”: arrependimentos, remorsos, vergonhas e culpas que amarguram a existência e não deixam saborear o presente. Isso nos leva a procurar no futuro a esperança. Porém, segundo os gregos, a esperança também esvazia o presente do seu valor, em nome de um futuro incerto. Pensar que as coisas vão melhorar quando trocarmos de carro, de corte de cabelo, de sapatos ou de amigos, é ilusão. A esperança e a nostalgia, o futuro e o passado são “nadas”, pois o passado não existe mais e o futuro ainda não existe. Por causa deles, acabamos quase nunca vivendo na única dimensão real do tempo: o presente. Sêneca, o grande estoico romano, dizia que de tanto vivermos no passado e no futuro, “não vivemos”. Chegamos, então, ao famoso carpe diem (“Aproveite o dia”) de Horácio. Temos que colher o dia de hoje, sem nos deixar distrair pela preocupação do dia seguinte ou pelas nostalgias passadas.

Planeta, edição 488, junho 2013 (fragmento).

O texto tece reflexões acerca do passado, do futuro e do presente, argumentando a favor da ideia de que se deve

PortuguêsUFU2014

Um canguru cinzento surpreendeu os usuários e os seguranças do estacionamento do aeroporto de Melbourne, na Austrália. O animal, de 3 anos de idade, circulou pelo local e escapou do cerco feito pelos guardas. Acabou sendo capturado depois de receber sedativos do serviço de proteção aos animais.

Um dos responsáveis pelo resgate disse que as unhas do canguru estavam desgastadas de tanto que ele saltou sobre o asfalto e que o animal provavelmente estava sentindo fortes dores. Segundo a imprensa australiana, o animal vai ser mantido em cativeiro e observado por um veterinário, até ser devolvido à natureza selvagem. Disponível em: <http://www.estadao.com.br>. Acesso: 10 fev. 2014. (fragmento)

O produtor do texto nos apresenta um quadro bem definido a respeito de um acontecimento. A configuração do texto evidencia a predominância do tipo textual

PortuguêsUFU2015

Um dos efeitos das políticas de cotas para as pessoas negras nas universidades foi a produção de discursos sobre a raça e exclusão social como poucas vezes se observou em nossa história. Em uma conversa com uma amiga antropóloga que se negava a concordar com políticas públicas baseadas na noção de raça, eu lhe perguntei: “então, você também é contra as políticas para as mulheres?”. E ela, como feminista combativa que é, me respondeu, “claro que não”. Quais as relações entre gênero e raça? Não seria uma contradição negar políticas públicas para os/as negros/negras e concordar com as políticas para as mulheres?

Cult,198, ano 18, fevereiro 2015, p.12.

O procedimento de introduzir na linearidade do parágrafo parte da conversa que o autor teve com a amiga constitui-se como recurso importante, EXCETO, para:

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Para os gregos, o passado e o futuro são os dois grandes males da vida, por serem dimensões do tempo que não existem mais, ou não existem ainda, que nos impedem de viver na única dimensão real: o presente. O passado nos puxa para trás: se tivemos um passado feliz, ficamos nostálgicos. Se for um passado triste, ele nos mergulha no que Spinoza batizou de “paixões tristes”: arrependimentos, remorsos, vergonhas e culpas que amarguram a existência e não deixam saborear o presente. Isso nos leva a procurar no futuro a esperança. Porém, segundo os gregos, a esperança também esvazia o presente do seu valor, em nome de um futuro incerto. Pensar que as coisas vão melhorar quando trocarmos de carro, de corte de cabelo, de sapatos ou de amigos, é ilusão. A esperança e a nostalgia, o futuro e o passado são “nadas”, pois o passado não existe mais e o futuro ainda não existe. Por causa deles, acabamos quase nunca vivendo na única dimensão real do tempo: o presente. Sêneca, o grande estoico romano, dizia que de tanto vivermos no passado e no futuro, “não vivemos”. Chegamos, então, ao famoso carpe diem (“Aproveite o dia”) de Horácio. Temos que colher o dia de hoje, sem nos deixar distrair pela preocupação do dia seguinte ou pelas nostalgias passadas.

Planeta, edição 488, junho 2013 (fragmento).

O emprego das aspas em “nadas” (linha 11) deve-se ao fato de que o autor deseja

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Na Olimpíada da crise, os convidados especiais não vão contar assim com tanta mordomia. Graças à baixa procura e ao desinteresse dos patrocinadores, o comitê organizador dos Jogos está com dificuldade de erguer camarotes para algumas modalidades. O de vôlei de praia, esporte no qual o Brasil é destaque, não vai dispor da estrutura. O camarote para o tênis, no Parque Olímpico, também foi cancelado. A construção ocorre apenas se os pedidos são suficientes para compensar os custos.

Veja, ed. 2460, ano 49, nº. 2, 13 de janeiro de 2016, p. 29.

No último período do texto, as formas verbais em destaque foram empregadas para

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Vivemos a época das redes. Formações rizômicas espontâneas de seres humanos e máquinas que provocam erupções e disrupções societais ao sabor de suas próprias volições e mutações. Sim, o sistema possui vontade - sustentamos -, e, sim, nós e nossos corpos e mentes fazemos parte desse gigantesco sistema. E sim, mais uma vez: o sistema é literalmente vivo, já que o animamos constantemente com nossas próprias consciências. Somos - metaforicamente - como neurônios num cérebro “glocal”, o que vale dizer, um cérebro global e local ao mesmo tempo. E as sinapses que esse cérebro produz são as informações compartilhadas. Daí se segue que o referido sistema tem também consciência e sensibilidade. Esse é o contexto que se apresenta diante de nós agora, repleto de transformações e metamorfoses continuadas. Nesse sentido, a cibercultura e as realidades virtuais estão transformando radicalmente a nossa experiência psicossocial coletiva, ou seja, a forma como vivemos, nos comportamos, nos compreendemos e a própria realidade.

QUARESMA, Alexandre. Ciber-relações societais. Sociologia. Ed. 70. São Paulo: Editora Escala. p. 28. (Fragmento adaptado)

No trecho, o uso repetitivo do “sim” cumpre, principalmente, a função de

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Leia o trecho a seguir, recortado de uma matéria da revista Vivasaúde (Ano 14, Edição 174).

Ter um milhão de amigos

Quem possui vida social ativa preserva a mente e o corpo, contribui para a qualidade de vida e mantém a presença de bem-estar a longo prazo.

Isolamento faz mal à saúde. Esse pode ser o slogan da próxima campanha de alerta à população. Afinal, uma vida social ativa abre portas para que você tenha uma alimentação mais regrada, exercite mais o corpo e coloque o cérebro para funcionar.

Abrir-se para esta possibilidade pode ser a primeira medida de prevenção de doenças e de promoção de saúde a ser adotada em nossas vidas. Quanto mais vivemos em sociedade, mais integrados ao meio e a outras pessoas ficamos.

“Quem se isola não se atualiza, não desabafa, não troca ideia do que está passando no mundo. Quando a gente está sozinha, geralmente não tem vontade de comer direito, ainda mais quando tem que cozinhar para si”, afirma a geriatra Claudia Fló, presidente do Departamento de Gerontologia da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG). A solidão e o isolamento social estão associados ao aumento do risco de mortalidade precoce.

OLAVO, Jorge. Ter um milhão de amigos. Vivasaúde. Ano 14, Edição 174. São Paulo: Editora Escala, 2017, p. 74-75. (Adaptado)

No trecho acima, o jornalista opta por apresentar o depoimento de uma médica geriatra, escolha do autor cujo efeito no texto é de

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A indústria do fitness nasceu com a missão de cuidar da saúde, mas, devido a interesses comerciais e mercadológicos, perdeu o rumo. Imagine uma cesta de maçãs em que uma fruta podre começa a contaminar todas as outras. Atualmente, grande parte dessa cesta já está contaminada e, quanto mais tempo demorarmos para encarar essa realidade, mais letal se tornará esse processo. Afinal, como viemos parar aqui? Como a indústria do corpo se tornou uma grave questão de saúde pública? Vou tentar espremer doze anos de estudo em algumas linhas. De início, esclareça-se. Não podemos generalizar, pois existem milhões de pessoas que se beneficiam da indústria do fitness, mas mesmo elas devem entender o que fazem, e o que há por trás de um movimento tão hegemônico.

Veja, Ed. 2598, ano 51, nº 36, 5 de setembro. 2018. p. 75. (Fragmento)

No texto, a oração em destaque