“... Eu escrevia peças e apresentava aos diretores de circo. Eles respondia-me:
_ É pena você ser preta.
Esquecendo eles que eu adoro a minha pele negra, e o meu cabelo rústico. Eu até acho o cabelo negro mais iducado do que o cabelo branco. Porque o cabelo de preto onde põe, fica. É obediente. E o cabelo de branco, é só dar um movimento na cabeça ele já sai do lugar. É indisciplinado. Se é que existe reencarnações, eu quero voltar sempre preta”. (Quarto de despejo: diário de uma favelada)
A expressão “Quarto de despejo”, no livro-diário de Carolina Maria de Jesus, refere-se:
Leia os trechos da letra da música de Lô Borges
Da janela lateral, do quarto de dormir
Vejo uma igreja, um sinal de glória
Vejo um muro branco e um voo
pássaro
Vejo uma grade e um velho sinal (...)
Eu olhava da janela lateral,
Do quarto de dormir
Você não quis acreditar,
mas isto é tão normal (...)
Disponível em: http://www.vagalume.com.br. Acesso em: 12/09/2013.A canção acima remete ao conceito geográfico de:
Todas as palavras abaixo estão grafadas segundo a norma padrão da língua portuguesa, EXCETO na seguinte alternativa:
Leia o TEXTO para responder à questão proposta.
Sobre o Texto, pode-se afirmar que tem como objetivo central:
Leia o poema de Ferreira Gullar, publicado em 1963, para responder à questão
Homem comum
Sou um homem comum
de carne e de memória
de osso e esquecimento.
Ando a pé, de ônibus, de táxi, de avião
e a vida sopra dentro de mim
pânica
feito a chama de um maçarico
e pode
subitamente
cessar.
Sou como você
feito de coisas lembradas
e esquecidas
rostos e
mãos, o guarda-sol vermelho ao meio-dia
em Pastos-Bons,
defuntas alegrias flores passarinhos
facho de tarde luminosa
nomes que já nem sei
bocas bandeiras bananeiras
tudo
misturado
essa lenha perfumada
que se acende
e me faz caminhar
Sou um homem comum
brasileiro, maior, casado, reservista,
e não vejo na vida, amigo,
nenhum sentido, senão
lutarmos juntos por um mundo melhor.
Poeta fui de rápido destino.
Mas a poesia é rara e não comove
nem move o pau-de-arara.
Quero, por isso, falar com você,
de homem para homem,
apoiar-me em você
oferecer-lhe o meu braço
que o tempo é pouco
e o latifúndio está aí, matando.
Que o tempo é pouco
e aí estão o Chase Bank,
a IT & T, a Bond and Share,
a Wilson, a Hanna, a Anderson Clayton,
e sabe-se lá quantos outros
braços do polvo a nos sugar a vida
e a bolsa
Homem comum, igual
a você,
cruzo a Avenida sob a pressão do imperialismo.
A sombra do latifúndio
mancha a paisagem,
turva as águas do mar
e a infância nos volta
à boca, amarga,
suja de lama e de fome.
Mas somos muitos milhões de homens
comuns
e podemos formar uma muralha
com nossos corpos de sonho e margaridas.
Segundo o poema, existe uma força que move o homem comum. Marque a alternativa CORRETA
A seguir, leia o texto, do escritor juiz-forano Edimilson de Almeida Pereira, para responder à questão.
TEXTO
Relato
A notícia
irrompe de afluentes oclusos.
Nem há gentileza, o morno espanto das notícias.
Teus braços
dilatam outros tempos,
a dolorosa crise que desperta
dominadores e dominados.
Falaria, amor, de amor,
despido da sentimental mercadoria
que nos atormenta.
A notícia
demove as paisagens claras.
Nem há receio,
o forte impacto das notícias.
Com que humor
o relato de nossa extinção
Desponta nos olhos.
Releia os últimos versos do poema “Relato”. Ao mencionar que “Com que humor/ o relato de nossa extinção/ Desponta nos olhos”, Edmilson de Almeida Pereira revela:
A seguir, faça a leitura do conto “Dois velhinhos” e responda àQuestão.
DOIS VELHINHOS
Dois inválidos, bem velhinhos, esquecidos numa cela do asilo. Ao lado da janela, retorcendo os aleijões e esticando a cabeça, apenas um consegue espiar lá fora. Junto à porta, no fundo da cama, para o outro é a parede úmida, o crucifixo negro, as moscas no fio de luz. Com inveja, pergunta o que acontece. Deslumbrado anuncia o primeiro:
— Um cachorro ergue a perninha no poste.
Mais tarde:
— Uma menina de vestido branco pulando corda.
Ou ainda:
— Agora é um enterro de luxo.
Sem nada ver, o amigo remorde-se no seu canto. O mais velho acaba morrendo, para alegria do segundo, instalado afinal debaixo da janela.
Não dorme, antegozando a manhã. O outro, maldito, lhe roubara todo esse tempo o circo mágico do cachorro, da menina, do enterro de rico.
Cochila um instante — é dia. Senta-se na cama, com dores espicha o pescoço: no beco, muros em ruína, um monte de lixo.
TREVISAN, Dalton. Quem tem medo de vampiro? São Paulo: Ática, 1998. p.69.
Analise as seguintes proposições:
I - O conto do escritor Dalton Trevisan aborda a temática da solidão na velhice. Logo, para vencer o sentimento de isolamento e indolência, os personagens lançam mão do recurso da imaginação.
II - O narrador expõe para o leitor os pensamentos e os sentimentos dos personagens, como podemos perceber no fragmento “O outro, maldito, lhe roubara todo esse tempo”.
III - O segundo velhinho espera ansioso poder ocupar o seu espaço debaixo da janela para admirar o mundo ao qual um dia pertencera.
IV - Finalmente, quando o homem mais novo consegue aproximar-se da janela, percebe, para a sua surpresa, que o cenário exterior não era como o outro velhinho lhe havia relatado.
V - O desfecho do conto nos revela que o velhinho sobrevivente não foi capaz de criar, através de sua imaginação, as paisagens bonitas, provando que a sua cegueira é metafórica.
Podemos AFIRMAR
Observe a campanha lançada pelo Governo de Taquaritinga- SP e marque a alternativaCORRETA.
Leia o texto abaixo, extraído do livro “Breve história de quase tudo”, de Bill Bryson, e responda à questão que o segue.
TEXTO
Bem‐vindo. E parabéns. Estou encantado com seu sucesso. Chegar aqui não foi fácil, eu sei. Na verdade, suspeito que foi um pouco mais difícil do que você imagina.
Para início de conversa, para você estar aqui agora, trilhões de átomos agitados tiveram de se reunir de uma maneira intricada e intrigantemente providencial a fim de criá‐lo. É uma organização tão especializada e particular que nunca antes foi tentada e só existirá desta vez. Nos próximos anos (esperamos), essas partículas minúsculas se dedicarão totalmente aos bilhões de esforços jeitosos e cooperativos necessários para mantê‐lo intacto e deixá-‐lo experimentar o estado agradabilíssimo, mas ao qual não damos o devido valor, conhecido como existência.
Por que os átomos se dão esse trabalho é um enigma. Ser você não é uma experiência gratificante no nível atômico. Apesar de toda a atenção dedicada, seus átomos na verdade nem ligam para você — eles nem sequer sabem que você existe. Não sabem nem que eles existem. São partículas insensíveis, afinal, e nem estão vivas. (A ideia de que se você se desintegrasse, arrancando com uma pinça um átomo de cada vez, produziria um montículo de poeira atômica fina, sem nenhum sinal de vida, mas que constituiria você, é meio sinistra.) No entanto, durante sua existência, eles responderão a um só impulso dominante: fazer com que você seja você.
[...]
BRYSON, Bill. Breve história de quase tudo. Tradução de Ivo Korytowski. São Paulo: Companhia das Letras, 2005. p. 11. (fragmento)
Observando a linguagem do texto, podemos dizer:
Leia o poema de Murilo Mendes e responda à questão.
O pastor pianista
Soltaram os pianos na planície deserta
Onde as sombras dos pássaros vêm beber.
Eu sou o pastor pianista,
Vejo ao longe com alegria meus pianos
Recortarem os vultos monumentais
Contra a lua.
Acompanhado pelas rosas migradoras
Apascento os pianos: gritam
E transmitem o antigo clamor do homem
Que reclamando a contemplação,
Sonha e provoca a harmonia,
Trabalha mesmo à força,
E pelo vento nas folhagens,
Pelos planetas, pelo andar das mulheres,
Pelo amor e seus contrastes,
Comunica-se com os deuses.
MENDES, Murilo. Poesia Liberdade. In: PICCHIO, Luciana Stegagno (Org.). Poesia completa e prosa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1994.O título do poema apresenta mais de um significado possível. Assinale a alternativa CORRETA que explicita os elementos do texto que confirmam tal assertiva.