Leia o conto de Clarice Lispector para responder a questão.
O recrutamento
Os passos estão se tornando mais nítidos. Um pouco mais próximos. Agora soam quase perto. Ainda mais. Agora mais perto do que poderiam estar de mim. No entanto continuam a se aproximar. Agora não estão mais perto, estão em mim. Vão me ultrapassar e prosseguir? É a minha esperança. Não sei mais com que sentido percebo distâncias. É que os passos agora não estão apenas próximos e pesados. Já não estão apenas em mim. Eu marcho com eles.
(Para não esquecer, 1999.)“Vão me ultrapassar e prosseguir?”
O verbo destacado é
Leia a charge de Angeli para responder à questão.
O efeito de humor da charge resulta
O efeito de humor da charge implica reconhecer que o tamanduá entende a fala do homem da seguinte forma:
Para inglês ver
Fotografias de estrangeiros que retratam o “novo” Brasil reforçam
clichês surrados do país
No novo Brasil, cabem todos os clichês do velho, aquele “país tropical, bonito por natureza”, “terra boa e gostosa”, com coqueiros que dão coco e o Cristo de “braços abertos sobre a Guanabara”, a praia indefectível onde uma arquetípica “morena vai sambar, seu corpo balançar”.
É esse tipo de imagem – de belos corpos ardendo na praia, favelas pacificadas ao som do batidão do funk e flagras de miséria estetizada – que predomina nos ensaios recentes de fotógrafos estrangeiros, na tentativa de documentar o país em tempos de euforia. David Alan Harvey, norte-americano que acaba de lançar um ensaio sobre o Rio, diz que busca exagerar mesmo todos os clichês que vê desfilar diante de sua objetiva.
“Não me preocupo com clichês, já que eles são todos verdadeiros”, diz Harvey. “Vejo o Rio como um grande palco. Parece um anfiteatro em que as montanhas descem suaves até o mar e todo o drama humano de ricos e pobres se encontra na praia.”
Na opinião de Boris Kossoy, fotógrafo e professor da USP, exemplos desse fotojornalismo um tanto edulcorado* atestam o surgimento do que ele chama de “documentação produzida”. “São imagens encenadas e preparadas de coisas já cansadas”, diz Kossoy. “O interesse documental que havia em décadas passadas foi se desviando nos últimos tempos para uma produção de forte cunho estético, que pode virar propaganda falsa.”
(Folha de S.Paulo, 25.08.2013. Adaptado.)
No trecho – Fotografias de estrangeiros que retratam o “novo” Brasil reforçam clichês surrados do país –, as aspas em “novo” explicitam
Para inglês ver
Fotografias de estrangeiros que retratam o “novo” Brasil reforçam
clichês surrados do país
No novo Brasil, cabem todos os clichês do velho, aquele “país tropical, bonito por natureza”, “terra boa e gostosa”, com coqueiros que dão coco e o Cristo de “braços abertos sobre a Guanabara”, a praia indefectível onde uma arquetípica “morena vai sambar, seu corpo balançar”.
É esse tipo de imagem – de belos corpos ardendo na praia, favelas pacificadas ao som do batidão do funk e flagras de miséria estetizada – que predomina nos ensaios recentes de fotógrafos estrangeiros, na tentativa de documentar o país em tempos de euforia. David Alan Harvey, norte-americano que acaba de lançar um ensaio sobre o Rio, diz que busca exagerar mesmo todos os clichês que vê desfilar diante de sua objetiva.
“Não me preocupo com clichês, já que eles são todos verdadeiros”, diz Harvey. “Vejo o Rio como um grande palco. Parece um anfiteatro em que as montanhas descem suaves até o mar e todo o drama humano de ricos e pobres se encontra na praia.”
Na opinião de Boris Kossoy, fotógrafo e professor da USP, exemplos desse fotojornalismo um tanto edulcorado* atestam o surgimento do que ele chama de “documentação produzida”. “São imagens encenadas e preparadas de coisas já cansadas”, diz Kossoy. “O interesse documental que havia em décadas passadas foi se desviando nos últimos tempos para uma produção de forte cunho estético, que pode virar propaganda falsa.”
(Folha de S.Paulo, 25.08.2013. Adaptado.)
No trecho – “Não me preocupo com clichês, já que eles são todos verdadeiros”, diz Harvey. –, a expressão destacada estabelece entre as orações uma relação de
Leia o trecho do conto “O fígado indiscreto”, de Monteiro Lobato, para responder a questão.
Que há um Deus para o namoro e outro para os bêbados está provado. Sem eles, como explicar tanto passo falso sem tombo, tanto tombo sem nariz partido, tanta beijoca lambiscada a medo sem maiores consequências afora uns sobressaltos desagradáveis, quando passos inoportunos põem termo a duos de sofá em sala momentaneamente deserta?
a duos de sofá em sala momentaneamente deserta? Acontece, todavia, que esses deuses, ao jeito dos de Homero, também cochilam: e o borracho parte o nariz de encontro ao lampião, ou a futura sogra lá apanha Romeu e Julieta em flagrante contato de mucosas petrificando-os com o clássico: “Que pouca-vergonha!…”.
Outras vezes acontece aos protegidos decaírem da graça divina.
Foi o que sucedeu a Inácio, o calouro, e isso lhe estragou o casamento com a Sinharinha Lemos, boa menina a quem cinquenta contos de dote faziam ótima.
Inácio era o rei dos acanhados. Pelas coisas mínimas avermelhava, saía fora de si e permanecia largo tempo idiotizado.
O progresso do seu namoro foi, como era natural, menos obra sua que da menina, e da família de ambos, tacitamente concertadas numa conspiração contra o celibato do futuro bacharel. Uma das manobras constou do convite que ele recebeu para jantar nos Lemos, em certo dia de aniversário familiar comemorado a peru.
(Cidades mortas, 2007. Adaptado.)“Inácio era o rei dos acanhados. Pelas coisas mínimas avermelhava, saía fora de si e permanecia largo tempo idiotizado.” (5º parágrafo)
No contexto em que está inserido, o termo em destaque é um verbo
Preparei a refeição matinal. Cada filho prefere uma coisa. A Vera, mingau de farinha de trigo torrada. O João José, café puro. O José Carlos, leite branco. E eu, mingau de aveia.
Já que não posso dar aos meus filhos uma casa decente para residir, procuro lhe dar uma refeição condigna.
Terminaram a refeição. Lavei os utensilios. Depois fui lavar roupas. Eu não tenho homem em casa. É só eu e meus filhos. Mas eu não pretendo relaxar. O meu sonho era andar bem limpinha, usar roupas de alto preço, residir numa casa confortavel, mas não é possível. Eu não estou descontente com a profissão que exerço. Já habituei-me andar suja. Já faz oito anos que cato papel. O desgosto que tenho é residir em favela.
Fui no rio lavar as roupas e encontrei D. Mariana. Uma mulher agradavel e decente. Tem 9 filhos e um lar modelo.Ela e o esposo tratam-se com iducação. Visam apenas viverem paz. E criar filhos. Ela tambem ia lavar roupas. Ela disse--me que o Binidito da D. Geralda todos os dias ia preso. Que a Radio Patrulha cançou de vir buscá-lo. Arranjou serviço para ele na cadeia. Achei graça. Dei risada!... Estendi as roupas rapidamente e fui catar papel. Que suplicio catar papel atualmente! Tenho que levar a minha filha Vera Eunice. Ela está com dois anos, e não gosta de ficar em casa. Eu ponho o saco na cabeça e levo-a nos braços. Suporto o peso do saco
na cabeça e suporto o peso da Vera Eunice nos braços. Tem hora que revolto-me. Depois domino-me. Ela não tem culpa de estar no mundo.
Refleti: preciso ser tolerante com os meus filhos. Eles não tem ninguem no mundo a não ser eu. Como é pungente a condição de mulher sozinha sem um homem no lar.
(Carolina Maria de Jesus. Quarto de despejo: diário de uma favelada, 1993. Adaptado.)
Nas passagens “procuro lhe dar uma refeição condigna” (2o parágrafo) e “Como é pungente a condição de mulher sozinha” (último parágrafo), os termos em destaque significam, respectivamente,
Fotografias de estrangeiros que retratam o “novo” Brasil reforçam
clichês surrados do país
No novo Brasil, cabem todos os clichês do velho, aquele “país tropical, bonito por natureza”, “terra boa e gostosa”, com coqueiros que dão coco e o Cristo de “braços abertos sobre a Guanabara”, a praia indefectível onde uma arquetípica “morena vai sambar, seu corpo balançar”.
É esse tipo de imagem – de belos corpos ardendo na praia, favelas pacificadas ao som do batidão do funk e flagras de miséria estetizada – que predomina nos ensaios recentes de fotógrafos estrangeiros, na tentativa de documentar o país em tempos de euforia. David Alan Harvey, norte-americano que acaba de lançar um ensaio sobre o Rio, diz que busca exagerar mesmo todos os clichês que vê desfilar diante de sua objetiva.
“Não me preocupo com clichês, já que eles são todos verdadeiros”, diz Harvey. “Vejo o Rio como um grande palco. Parece um anfiteatro em que as montanhas descem suaves até o mar e todo o drama humano de ricos e pobres se encontra na praia.”
Na opinião de Boris Kossoy, fotógrafo e professor da USP, exemplos desse fotojornalismo um tanto edulcorado* atestam o surgimento do que ele chama de “documentação produzida”. “São imagens encenadas e preparadas de coisas já cansadas”, diz Kossoy. “O interesse documental que havia em décadas passadas foi se desviando nos últimos tempos para uma produção de forte cunho estético, que pode virar propaganda falsa.”
(Folha de S.Paulo, 25.08.2013. Adaptado.)
Na opinião de Boris Kossoy, o fotojornalismo de forte cunho estético que se tem realizado ultimamente
Um companheiro de casa que eu tive em estudante, joia entre as joias, meu inseparável amigo de recreios e trabalhos, cinco anos, comete um dia a refinada tolice de morrer. Horas e horas o meu desespero não conheceu calmante ou refrigério. Doze dias, febril, velara eu ao derredor da sua cabeceira, e depois dele morto e glácido1 no leito, fui eu ainda quem lhe compôs a última toilette2. Alguém que vinha às vezes, acordando na minha fraqueza orgânica, caquetizada por três dias da mais completa abstinência, lembrou-se, na derradeira noite em que velamos, de me trazer do Baltresqui, um pacotezinho de sanduíches. Oh torpeza da carne! Tanto bastou para que eu, mesmo sem deixar de chorar, pensasse menos no morto, e cada vez mais nos sanduíches. A proximidade do repasto3 açulava-me a fome, que a presença do amigo me obrigava a deixar sem vitualhas4. Venceu por fim a besta, era fatal: e por causa duma pouca de vitela com mostarda, surpreendi-me eu a ter ódio aos despojos5 do mais fiel companheiro da minha mocidade! E mais este era um amigo: que será então com os que a gente nem conhece!...
(Fialho de Almeida, “O enterro do Rei D. Luís”. In: Massaud Moisés. Presença da literatura portuguesa, 1974.)Na narrativa, uma forma encontrada pelo narrador para tentar captar a realidade materializa-se
Sabina
Havia três anos que o bacharel Figueiredo era o amante da viúva Fontes. E marido seria se ela quisesse; mas Sabina
– Sabina era o seu nome – dera-se mal com o casamento, e não queria experimentá-lo de novo.
Um mês depois do seu primeiro encontro com o bacharel Figueiredo, este dizia-lhe:
– Eu amo-te, tu amas-me, eu sou livre, tu és livre: casemo-nos!
– Não! – respondia ela – não! Não! Não!...
– Por que, meu amor?
– Porque esse fogo, esse ímpeto, esse entusiasmo que te lançou nos meus braços, tudo isso desapareceria desde que eu fosse tua mulher!
– Mas a sociedade...
– Ora, a sociedade! Sou bastante independente para me não importar com ela.
– Tua filhinha...
– Tem apenas quatro anos! Está na idade em que se olha sem ver. Demais, não quero dar-lhe um padrasto. Amemonos, e deixemos em paz o padre e o pretor.
(Arthur Azevedo. Seleção de contos, 2014.)
Na fala do bacharel Figueiredo “– Eu amo-te, tu amas-me, eu sou livre, tu és livre: casemo-nos!”, a oração “casemo-nos” sinaliza, na construção de seu raciocínio, uma