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LiteraturaFCMMG2018

Para responder à questão, leia o poema abaixo.

RECEITA DE MULHER

As muito feias que me perdoem
Mas beleza é fundamental. É preciso
Que haja qualquer coisa de flor em tudo isso

(...)
Não há meio-termo possível. É preciso
Que tudo isso seja belo. É preciso que súbito
Tenha-se a impressão de ver uma garça apenas pousada e que um rosto
Adquira de vez em quando essa cor só encontrável no terceiro minuto da aurora.
É preciso que tudo isso seja sem ser, mas que se reflita e desabroche
No olhar dos homens. É preciso, é absolutamente preciso
Que seja tudo belo e inesperado. (...)

(...) Indispensável
Que haja uma hipótese de barriguinha, e em seguida
A mulher se alteia em cálice, e que seus seios
Sejam uma expressão greco-romana, mais que gótica ou barroca
E possam iluminar o escuro com uma capacidade mínima de cinco velas.
Sobremodo pertinaz é estarem a caveira e a coluna vertebral
Levemente à mostra; e que exista um grande latifúndio dorsal!
Os membros que terminem como hastes, mas bem haja um certo volume de coxas
E que elas sejam lisas, lisas como a pétala e cobertas de suavíssima penugem
No entanto sensível à carícia em sentido contrário.
É aconselhável na axila uma doce relva com aroma próprio
Apenas sensível (um mínimo de produtos farmacêuticos!)
Preferíveis sem dúvida os pescoços longos
De forma que a cabeça dê por vezes a impressão
De nada ter a ver com o corpo, e a mulher não lembre
Flores sem mistério. (...)

(...) Os olhos, que sejam de preferência grandes
E de rotação pelo menos tão lenta quanto a da terra; e
Que se coloquem sempre para lá de um invisível muro de paixão
Que é preciso ultrapassar. Que a mulher seja em princípio alta
Ou, caso baixa, que tenha a atitude mental dos altos píncaros.
Ah, que a mulher dê sempre a impressão de que se se fechar os olhos
Ao abri-los ela não mais estará presente
Com seu sorriso e suas tramas. (...)

(...) e que acariciada no fundo de si mesma
Transforme-se em fera sem perder sua graça de ave; e que exale sempre
O impossível perfume; e destile sempre
O embriagante mel; e cante sempre o inaudível canto

Da sua combustão; e não deixe de ser nunca a eterna dançarina
Do efêmero; e em sua incalculável imperfeição
Constitua a coisa mais bela e mais perfeita de toda a criação inumerável.

(Vinicius de Moraes. http://www.viniciusdemoraes.com.br/pt-br/poesia/poesias-avulsas/receita-de-mulher. Acessado em: 06/04/2017. Texto adaptado)

Para Vinicius de Moraes, a beleza feminina prescinde de

LiteraturaFGV-RJ2017

Texto para aquestão

Esta sinistra morada era habitada por uma personagem talhada pelo molde mais
detestável; era um caboclo velho, de cara hedionda e imunda, e coberto de farrapos.
Entretanto, para a admiração do leitor, fique-se sabendo que este homem tinha por
ofício dar fortuna!
Naquele tempo acreditava-se muito nestas coisas, e uma sorte de respeito
supersticioso era tributado aos que exerciam semelhante profissão. Já se vê que
inesgotável mina não achavam nisso os industriosos!
E não era só a gente do povo que dava crédito às feitiçarias; conta-se que muitas
pessoas da alta sociedade de então iam às vezes comprar venturas e felicidades pelo
cômodo preço da prática de algumas imoralidades e superstições.
Pois ao nosso amigo Leonardo tinha-lhe também dado na cabeça tomar fortuna,
e tinha isso por causa das contrariedades que sofria em uns novos amores que lhe
faziam agora andar a cabeça à roda.
Tratava-se de uma cigana; o Leonardo a vira pouco tempo depois da fuga da
Maria, e das cinzas ainda quentes de um amor mal pago nascera outro que também
não foi a este respeito melhor aquinhoado; mas o homem era romântico, como se diz
hoje, e babão, como se dizia naquele tempo; não podia passar sem uma paixãozinha.
Como o ofício rendia, e ele andava sempre apatacado, não lhe fora difícil conquistar a
posse do adorado objeto; porém a fidelidade, a unidade no gozo, que era o que sua
alma aspirava, isso não o pudera conseguir: a cigana tinha pouco mais ou menos sido
feita no mesmo molde da saloia.

Manuel Antônio de Almeida, Memórias de um sargento de milícias.

Para realizar seu propósito evidente de ironizar e até de desmerecer os ideais do amor romântico, o narrador valeu-se de vários recursos expressivos, alguns dos quais se encontram relacionados nas alternativas abaixo. A ÚNICA alternativa que registra um recurso de expressão que NÃO se prestou a essa finalidade é

LiteraturaUCPEL2010

Para o teste seguinte, analise as afirmativas e assinale a opção correta. I. Embora sua obra esteja presa quase sempre ao sertão brasileiro, Guimarães Rosa pôs em cena situações dramáticas que desnudam conflitos urbanos, sexuais e sociais das grandes metrópoles do extremo sul do Brasil. II. Uma característica importante a ser ressaltada na obra de Machado de Assis é o uso da personificação como forma de concretização do abstrato, isto é, atribuir sentimentos e ações humanas a seres inanimados ou a conceitos abstratos. III. A experimentação com a linguagem é o aspecto mais marcante da poética de Gonçalves Dias, que brinca com a língua portuguesa, reinventando palavras e criando termos.

LiteraturaUCPEL2009

Para o teste seguinte, analise as afirmativas e assinale a opção correta. I. Em sua obra, Carlos Drummond de Andrade conseguiu explicar a dualidade existente entre os seres, exaltando a percepção dos problemas vitais à luz das teorias científicas de sua época. II. Érico Veríssimo aborda uma temática voltada para o interesse pelas zonas habitadas por povos da antiguidade greco-latina. III . João Simões Lopes Neto apenas produziu textos poéticos, pois era de índole literária semelhante à de Mário Quintana.

LiteraturaUCPEL2011

Para o teste seguinte, analise as afirmativas e assinale a opção correta. I. Cruz e Sousa, em sua obra, sintetizou as diversas facetas do nosso Modernismo. II. Olavo Bilac, desprezando o rigor das regras gramaticais, aproximou a língua literária escrita da língua falada pelo povo brasileiro. III. Na obra realista de Francisco Lobo Costa, a vida surge como um campo de batalha, onde os homens lutam e procuram destruir-se para gozar uns poucos momentos de prazer e satisfazer seus desejos de riqueza e ostentação.

LiteraturaUFAL2012

Aquestão refere-se ao texto abaixo.

Nova poética

Vou lançar a teoria do poeta sórdido.
Poeta sórdido:
Aquele em cuja poesia há a marca suja da vida.
Vai um sujeito,
Sai um sujeito de casa com a roupa de brim branco muito bem
engomada,
e na primeira esquina passa um caminhão,
salpica-lhe o paletó de uma nódoa de lama:

É a vida [...]

(Manuel Bandeira)

Para o poeta, os fatos cotidianos devem ser

LiteraturaFCMMG2017

Para responder à questão, leia o poema “Gesso”, de Manuel Bandeira.

Esta minha estatuazinha de gesso, quando nova
- O gesso muito branco, as linhas muito puras –
Mal sugeria imagem da vida
(Embora a figura chorasse).
Há muitos anos tenho-a comigo.
O tempo envelheceu-a, carcomeu-a, manchou-a de
[pátina amarelo-suja.
Os meus olhos, de tanto a olharem,
Impregnaram-na de minha humanidade irônica de tísico.
Um dia mão estúpida
Inadvertidamente a derrubou e partiu.
Então ajoelhei com raiva, recolhi aqueles tristes fragmentos,
[recompus a figurinha que chorava.
E o tempo sobre as feridas escureceu ainda mais o sujo
[mordente da pátina...
Hoje este gessozinho comercial
É tocante e vive, e me fez agora refletir
Que só é verdadeiramente vivo o que já sofreu.

(BANDEIRA, Manuel. Poesia completa e prosa. R.J.: José Aguilar Editora, 1974, p.193.)

Para o poeta, a estátua de gesso tornou-se valiosa por:

LiteraturaUNIEVA2015

Leia o texto a seguir.

Há um velho equívoco sobre a palavra amor, e, se muitos filhos nascem desse equívoco, tantos outros perderam o único instante de nascer apenas por causa de uma suscetibilidade que exige que seja de mim, de mim! que se goste, e não de meu dinheiro.

LISPECTOR, Clarice. A menor mulher do mundo. In. Laços de família. Rio de Janeiro: Rocco, 2002. p. 72.

Para o narrador do fragmento apresentado, não haveria incompatibilidade entre

LiteraturaPUC-Campinas2017

Não há dúvida de que a Semana havia sido concebida pelos seus idealizadores para causar furor, marcar uma data, gerar atritos e instaurar-se como marco simbólico de uma transformação. Sem reações de desagrado, sem polêmica e sem vaias, o plano corria o risco de naufragar. A imprensa, aliás, já tocara na ferida, na cobertura da primeira noite, ao notar que a expectativa hostil do público se transformara em aplausos – o oposto do que se esperava de um acontecimento futurista (...).

(GONÇALVES, Marco Augusto. 1922.A semana que não terminou. São Paulo: Companhia das Letras, 2012. p. 299)

Para o modernista Oswald de Andrade, uma síntese de suas convicções está na frase de um manifesto: “Nenhuma fórmula para a contemporânea expressão do mundo. Ver com olhos livres.” De acordo com essa convicção, sua própria poesia deveria,

LiteraturaUNICENTRO2011

Consolo na praia

Vamos, não chores.

A infância está perdida.

A mocidade está perdida.

Mas a vida não se perdeu.

O primeiro amor passou.

O segundo amor passou.

O terceiro amor passou.

Mas o coração continua.

Perdeste o melhor amigo.

Não tentaste qualquer viagem.

Não possuis carro, navio, terra.

Mas tens um cão.

ANDRADE, Carlos Drummond de. Consolo na praia. A rosa do povo. Rio de Janeiro: Record, 1989. p. 129.

Para o eu poético,