AprendiAprendi
LiteraturaUEFS2011

TEXTO:

Cogito

eu sou como eu sou

pronome

pessoal intransferível

do homem que iniciei

[5] na medida do impossível

eu sou como eu sou

agora

sem grandes segredos dantes

sem novos secretos dentes

[10] nesta hora

eu sou como eu sou

presente

desferrolhado indecente

feito um pedaço de mim

[15] eu sou como eu sou

vidente

e vivo tranquilamente

todas as horas do fim.

NETO, Torquato. Cogito. In: Os cem melhores poemas do século.Ítalo Mariconi (Org). Rio de Janeiro: Objetiva, 2001. p. 269.

Para o eu poético,

LiteraturaUnit-SE2019

TEXTO:

Amar e ser amado Amar e ser amado!
Com que anelo
Com quanto ardor este adorado sonho
Acalentei em meu delírio ardente
[5] Por essas doces noites de desvelo!
Ser amado por ti, o teu alento
A bafejar-me a abrasadora frente!
Em teus olhos mirar meu pensamento,
Sentir em mim tu’alma, ter só vida
[10] P’ra tão puro e celeste sentimento:
Ver nossas vidas quais dois mansos rios,
Juntos, juntos perderem-se no oceano
–Beijar teus dedos em delírio insano
Nossas almas unidas, nosso alento,
[15] Confundido também – amante – amado
Como um anjo feliz... que pensamento!?

ALVES, Castro. Amar sem ser amado. Disponível em:http://www.jornaldepoesia.jor.br/calves15.html#amar. Acesso em: 16 nov.2018.

Para o eu lírico, o sentimento amoroso se apresenta como um desejo

LiteraturaUNIEVA2015

Leia o poema a seguir para responder à questão.

Catar feijão

Catar feijão se limita com escrever:
Joga-se os grãos na água do alguidar
E as palavras na folha de papel;
E depois, joga-se fora o que boiar.
Certo, toda palavra boiará no papel,
Agua congelada, por chumbo seu verbo:
Pois para catar esse feijão, soprar nele,
E jogar fora o leve e o oco, palha eco,


Ora, nesse catar feijão entra um risco:
O de que entre grãos pesados entre
Um grão qualquer, pedra ou indigesto,
Um grão imastigável, de quebra dente.
Certo não, quando ao catar palavras:
A pedra dá à frase seu grão mais vivo:
Obstrui a leitura fluviante, flutual,
Açula a atenção, isca-a com o risco.

MELO NETO, João Cabral de. Poesias completas. 3. ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 1979. p. 21-22.

Para o eu lírico, o processo de escrita se constitui como uma atividade

LiteraturaUNISA2016

Leia o poema de Alberto Caeiro, heterônimo de Fernando Pessoa, para responder à questão.

Quando está frio no tempo do frio, para mim é como se

[estivesse agradável.

Porque para o meu ser adequado à existência das coisas O natural é o agradável só por ser natural.

Aceito as dificuldades da vida porque são o destino, Como aceito o frio excessivo no alto do Inverno – Calmamente, sem me queixar, como quem meramente

[aceita,

E encontra uma alegria no fato de aceitar – No fato sublimemente científico e difícil de aceitar o na-

[tural inevitável.

(As múltiplas faces de Fernando Pessoa, 1995.)

Para o eu lírico, o homem deve

LiteraturaUEFS2015

TEXTO:

O que faz O cortiço especial, do ponto de vista
econômico, é justamente a demonstração daquilo que
Marx chamou de “lenda” e de “pecado original” do
capitalismo: ao descrever o surgimento de capitalistas
[5] e de um proletariado explorado, o romance acaba
revelando uma sucessão de “crimes” que Romão e, por
extensão, o agente capitalista cometem, bem como a
relação entre acumulação e extração de riquezas da
natureza. Os suores de Romão e Bertoleza estão
[10] presentes nos primeiros estágios de acumulação.
Bertoleza continuará “suando” até o fim do romance, ao
passo que Romão se livrara, progressivamente, do
trabalho braçal. Não é o suor, portanto, conta-nos Aluísio,
que faz o capitalista, mas os crimes que a riqueza
[15] permitirá, por meio da ideologia, esconder.
É esse o processo que cria o capitalista Romão e,
por consequência, seus assalariados. Romão não tem
escravos, e não os compra com o que acumula — assim,
mostra-se sensível ao futuro da sociedade brasileira, não
[20] se amarrando a sinais de status do passado que não
tivessem futuro. Quanto a Bertoleza, desde o começo,
sabemos da grande fraude que significou sua alforria;
ela, porém, a ignora. Para o leitor, é a prova viva do
“pecado original” de Romão, que não precisa aparecer
[25] muito ao longo do romance para que essa tensão
permaneça.

SEREZA, Haroldo Ceravolo. O Cortiço, romance econômico. p. 190-191. Disponível em: http://novosestudos.uol.com.br//v1/files/ uploads/contents/content_1560/file_1560.pdf. Acesso em: 10 mar. 2015.

Para o articulista, O Cortiço

LiteraturaPUC-RS2018

Responder à questão com base no texto.

TEXTO

4 de julho
Ocorreu-me compor umas certas regras para uso dos
que frequentam bondes. O desenvolvimento que tem
tido entre nós esse meio de locomoção, essencialmente
[5] democrático, exige que ele não seja deixado ao puro
capricho dos passageiros. Não posso dar aqui mais do
que alguns extratos do meu trabalho; basta saber que
tem nada menos de setenta artigos. Vão apenas dez.
[...]
[10] ART. II Da posição das pernas
As pernas devem trazer-se de modo que não constranjam os passageiros do mesmo banco. Não se proíbem
formalmente as pernas abertas, mas com a condição de
pagar os outros lugares, e fazê-los ocupar por meninas
pobres ou viúvas desvalidas, mediante uma pequena
[15] gratificação.
ART. III Da leitura dos jornais
Cada vez que um passageiro abrir a folha que estiver
lendo, terá o cuidado de não roçar as ventas dos vizinhos, nem levar-lhes os chapéus. Também não é bonito
encostá-los no passageiro da frente.
[20] [...]
ART. V Dos amoladores
Toda a pessoa que sentir necessidade de contar os seus
negócios íntimos, sem interesse para ninguém, deve
primeiro indagar do passageiro escolhido para uma tal
[25] confidência, se ele é assaz cristão e resignado. No caso
afirmativo, perguntar-lhe-á se prefere a narração ou uma
descarga de pontapés. Sendo provável que ele prefira
os pontapés, a pessoa deve imediatamente pespegá-los.
No caso, aliás extraordinário e quase absurdo, de que o
[30] passageiro prefira a narração, o proponente deve fazê-lo
minuciosamente, carregando muito nas circunstâncias
mais triviais, repetindo os ditos, pisando e repisando as
coisas, de modo que o paciente jure aos seus deuses
não cair em outra.

Adaptado de: MACHADO DE ASSIS, J. M. Balas de estalo. In: Obra Completa de Machado de Assis. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, Vol. III, 1994.

Para normatizar o comportamento adequado das pessoas no bonde, Machado de Assis opta pela estrutura de uma lei, com seus respectivos artigos. Essa escolha

LiteraturaUNIPAM2020

Lendo o texto Trabalho escravo contemporâneo: a barbárie institucionalizada e o texto Sermão Vigésimo Sétimo com o Santíssimo Sacramento Exposto, respectivamente de Costa Mattos e de António Vieira, observa-se que ambos refletem profundamente sobre o trabalho escravo, seja na escravização legalizada, como no período colonial, seja na escravização clandestina contemporânea. Ambos tecem considerações sobre o que significa o cativeiro do corpo e o cativeiro da alma e propõem soluções para esse problema. Nesse sentido, assinale a alternativa que apresenta corretamente um paralelo entre eles.

Para isso, considere o termo "alma"tanto no seu sentido teológico clássico, quanto no sentido moderno de "consciência".

LiteraturaUNIPAM2020

Poema do Beco

Que importa a paisagem, a Glória, a baía, a linha do horizonte?
– O que eu vejo é o beco.

(Bandeira, Manuel. Estrela da manhã, in: Estrela da vida inteira: poesia completa. 5 ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2009, p. 150.)

Para expor sua percepção sobre a vida e a condição humana em um poema diminuto, Manuel Bandeira condensa essas ideias na representação metafórica de um beco, imagem que, a julgar pela totalidade de sua poesia, sugere

LiteraturaPUC-Campinas2013

Antes mesmo do indianismo e do regionalismo, a ficção brasileira, desde os anos de 1840, se orientou para outra vertente de identificação nacional através da literatura: a descrição da vida nas cidades grandes, sobretudo o Rio de Janeiro e áreas de influência, o que sobrepunha à diversidade do pitoresco regional uma visão unificadora. Se por um lado isto favoreceu a imitação mecânica da Europa, e portanto uma certa alienação, de outro contribuiu para dissolver as forças centrífugas, estendendo sobre o País uma espécie de linguagem culta comum a todos e a todos dirigida (...), que contrabalança o particular de cada zona.

(Antonio Candido. A educação pela noite. São Paulo: Ática, 1987. p. 203)

Para exemplificar adequadamente as referências iniciais do texto, pode-se associar I. Machado de Assis ao intento de documentar uma cultura regional. II. José de Alencar ao propósito de idealizar valores da cultura nativa. III. Machado de Assis à exaltação do nacionalismo mais exacerbado. IV. José de Alencar à expressão da diversidade cultural do país. Atende ao enunciado o que está APENAS em

LiteraturaFGV-SP2014

Ocaso

No anfiteatro de montanhas

Os profetas do Aleijadinho

Monumentalizam a paisagem

As cúpulas brancas dos Passos

E os cocares revirados das palmeiras

São degraus da arte de meu país

Onde ninguém mais subiu

Bíblia de pedra sabão

Banhada no ouro das minas

Oswald de Andrade, Poesias reunidas.

Para enfatizar a autenticidade artística do conjunto arquitetônico situado em Congonhas do Campo, Minas Gerais, do qual fala o texto, o poeta lança mão, entre outros recursos, do procedimento de