AprendiAprendi
LiteraturaUFGD2012

Ou isto ou aquilo, de Cecília Meireles, é 49.composta por

LiteraturaUNIFOR2014

O estilo acadêmico e rígido do Neoclassicismo começa a declinar e vem uma reação às regras e modelos clássicos greco-romanos. Há necessidade de expressão, de emoção, de paixão. O equilíbrio e a simplicidade deixam de ser os objetivos do artista. Ele quer demonstrar outros interesses, quer buscar as raízes da nacionalidade, quer enaltecer a natureza tropical, quer voltar ao passado histórico, quer abandonar os mitos gregos e aprofundar sua própria religiosidade, quer viver o amor imensamente.

GARCEZ, Lucília; OLIVEIRA, Jô. Explicando a arte brasileira. Rio de Janeiro: Ediouro, 2004, p.80.

Otexto aponta um estilo na literatura denominado

LiteraturaESPM2012

OS SAPOS

Enfunando os papos,

Saem da penumbra,

Aos pulos, os sapos.

A luz os deslumbra.

Em ronco que aterra,

Berra o sapo-boi:

–“Meu pai foi à guerra!”

–“Não foi!” – “Foi!” – “Não foi!”

O sapo-tanoeiro,

Parnasiano, aguado,

Diz: - “Meu cancioneiro

É bem martelado.

Vede como primo

Em comer hiatos!

Que arte! E nunca rimo

Os termos cognatos.

(...)

(Manuel Bandeira, in: Carnaval, 1919)

Os versos: Vede como primo / Em comer hiatos!significam que:

LiteraturaUFTM2013

Claudius tirou do bolso um papel amarelado e amarrotado: atirou-o na mesa. Johann leu:

Não me odeies, mulher, se no passado

Nódoa sombria desbotou-me a vida:

No vício ardente requeimando os lábios

E de tudo descri com fronte erguida.

A máscara de Don Juan queimou-me o rosto

Na fria palidez do libertino:

Desbotou-me esse olhar – e os lábios frios

Ousam de maldizer do meu destino.

Sim! longas noites no fervor do jogo

Esperdicei febril e macilento:

E votei o porvir ao Deus do acaso

E o amor profanei no esquecimento!

Murchei no escárnio as coroas do poeta

Na ironia da glória e dos amores:

Aos vapores do vinho, à noite insano

Debrucei-me do jogo nos fervores!

A flor da mocidade profanei-a

Entre as águas lodosas do passado

No crânio a febre, a palidez nas faces

Só cria no sepulcro sossegado!

(Álvares de Azevedo. Noite na Taverna, 2001.)

Os versos lidos pela personagem Johann tematizam

LiteraturaINSPER2016

a fuga


mal sabia o Rei fujão
que o degredo o levaria
a fundar uma nação
– e a arruinar sua eugenia.

GUTILLA, Rodolfo W. Ai! Que preguiça!... O Brasil em 39 poemas fabulosos & alegóricos. São Paulo: Companhia das Letras, 2015, p. 23

Os versos ilustram a concisão inerente ao gênero poético, porque sintetizam

LiteraturaUNIFESP2010

Leia os versos de Fagundes Varela.

Roem-me atrozes ideias,

A febre me queima as veias,

A vertigem me tortura!...

Oh! por Deus! quero dormir,

Deixem-me os braços abrir

Ao sono da sepultura!

Despem-se as matas frondosas,

Caem as flores mimosas

Da morte na palidez:

Tudo, tudo vai passando,

Mas eu pergunto chorando

— Quando virá minha vez?

Os versos filiam-se ao estilo

LiteraturaURCA2016

Observe os versos de Tomás Antônio Gonzaga:

Acaso são estes

os sítios formosos,

aonde passava

os anos gostosos?

São estes os prados,

aonde brincava,

enquanto pastava

o manso rebanho,

que Alceu me deixou?

Os versos expressam um momento estético em que o poeta:

LiteraturaUFF2011

TEXTO

Modinha do exílio
Os moinhos têm palmeiras
Onde canta o sabiá.
Não são artes feiticeiras!
Por toda parte onde eu vá,
Mar e terras estrangeiras,
Posso ver mesmo as palmeiras
Em que ele cantando está.
Meu sabiá das palmeiras
Canta aqui melhor que lá.
Mas, em terras estrangeiras,
E por tristezas de cá,
Só à noite e às sextas-feiras.
Nada mais simples não há!
Canta modas brasileiras.
Canta – e que pena me dá!

Ribeiro Couto

Os versos dos poetas modernistas e românticos apresentam relação de intertextualidade com o poema de Ribeiro Couto, EXCETO em uma alternativa. Assinale-a.

LiteraturaFUVEST2021

Alferes, Ouro Preto em sombras
Espera pelo batizado,
Ainda que tarde sobre a morte do sonhador
Ainda que tarde sobre as bocas do traidor.
Raios de sol brilharão nos sinos:
Dez vias dar.
Ai Marília, as lirase o amor
Não posso mais sufocar
E a minha voz irá
Pra muito além do desterro e do sal,
Maior que a voz do rei.

Aldir Blanc e João Bosco, trecho da canção “Alferes”, de 1973.


A imagem de Tiradentes — a quem Cecília Meireles qualificou “o Alferes imortal, radiosa expressão dos mais altos sonhos desta cidade, do Brasil e do próprio mundo”, em palestra feita em Ouro Preto — torna a aparecer como símbolo da luta pela liberdade em vários momentos da cultura nacional.

Os versos do letrista Aldir Blanc evocam, em novo contexto, o mártir sonhador para resistir ao discurso

LiteraturaPUC-RS2011

Para responder à questão, leia os textos que seguem.

Texto

(…)

É bem possível que eu um dia cegue.
No ardor desta letal tórrida zona,
A cor do sangue é a cor que me impressiona
E a que mais neste mundo me persegue!

Essa obsessão cromática me abate.
Não sei por que me vêm sempre à lembrança
O estômago esfaqueado de uma criança
E um pedaço de víscera escarlate.

(…)

Na ascensão barométrica da calma,

Eu bem sabia, ansiado e contrafeito,
Que uma população doente do peito
Tossia sem remédio na minh’alma!

E o cuspo que essa hereditária tosse
Golfava, à guisa de ácido resíduo,
Não era o cuspo só de um indivíduo
Minado pela tísica precoce.

(…)

Texto

“… linguagem tecida de vocábulos esdrúxulos e animada de uma virulência pessimista sem igual em nossas letras. Trata-se de um poeta poderoso, que deve ser mensurado por um critério estético extremamente aberto que possa reconhecer, além do mau gosto do vocabulário rebuscado e científico, a dimensão cósmica e a angústia moral da sua poesia”

(Alfredo Bosi. In: História Concisa da Literatura Brasileira, p. 287-288).

Os versos do excerto e o texto crítico de Alfredo Bosi referem-se a