AprendiAprendi
LiteraturaCESMAC2020

Leia um trecho de um poema de Olavo Bilac.

Profissão de fé

“Torce, aprimora, alteia, lima
A frase; e enfim,
No verso de ouro engasta a rima,
Como um rubim.
Quero que a estrofe cristalina
Dobrada ao jeito
Do ourives, saia da oficina
Sem um defeito”.

Olavo Bilac

Os versos de Olavo Bilac, transcritos acima, representam o ideal literário do:

LiteraturaFASA2017

“Quem foi que inventou o Brasil”

Foi seu Cabral?

Foi seu Cabral?

No dia vinte e um de abril

Dois meses depois do carnaval.

Depois

Ceci amou Peri

Peri beijou Ceci

Ao som...

Ao som do guarani!

O Guarani ao guaraná

Surgiu a feijoada

E mais tarde o Parati (...)”.

História do Brasil, marcha – Lamartine Babo. In: MARTINS, Franklin, Quem Inventou o Brasil? São Paulo: Nova Fronteira, 2015. p. 212.

Os versos de Lamartine Babo tratam

LiteraturaUEFS2012

Senhor Antão de Sousa Meneses,

Quem sobe a alto lugar, que não merece,

Homem sobe, asno vai, burro parece,

Que o subir é desgraça muitas vezes.

A fortunilha autora de entremezes

Transpõe em burro o herói, que indigno cresce:

Desanda a roda, e logo o homem desce,

Que é discreta a fortuna em seus reveses.

MATOS, Gregório de. Soneto. Poemas escolhidos. São Paulo: Círculo do Livro, s.d. p. 93.

Os versos de Gregório de Matos — poeta baiano do século XVII — buscam

LiteraturaUNIFESP2014

Casimiro de Abreu pertence à geração dos poetas quemorreram prematuramente, na casa dos vinte anos, como Álvares de Azevedo e outros, acometidos do “mal” byroniano. Sua poesia, reflexo autobiográfico dos transes, imaginários e verídicos, que lhe agitaram a curta existência, centra-se em dois temas fundamentais: a saudade e o lirismo amoroso. Graças a tal fundo de juvenilidade e timidez, sua poesia saudosista guarda um não sei quê de infantil.

(Massaud Moisés. A literatura brasileira através dos textos, 2004. Adaptado.)

Os versos de Casimiro de Abreu que se aproximam da ideia de saudade, tal como descrita por Massaud Moisés, encontram- se em:

LiteraturaEBMSP2017

E como eu palmilhasse vagamente

uma estrada de Minas, pedregosa,

e no fecho da tarde um sino rouco

se misturasse ao som de meus sapatos

que era pausado e seco; e aves pairassem

no céu de chumbo, e suas formas pretas

lentamente se fossem diluindo

na escuridão maior, vinda dos montes

e de meu próprio ser desenganado,

a máquina do mundo se entreabriu

para quem de a romper já se esquivava

e só de o ter pensado se carpia.

Abriu-se majestosa e circunspecta,

sem emitir um som que fosse impuro

nem um clarão maior que o tolerável

[...]

Abriu-se em calma pura, e convidando

quantos sentidos e intuições restavam

a quem de os ter usado os já perdera

[...]

convidando-os a todos, em coorte,

a se aplicarem sobre o pasto inédito

da natureza mítica das coisas,

[...]

tudo se apresentou nesse relance

e me chamou para seu reino augusto,

afinal submetido à vista humana.

Mas, como eu relutasse em responder

a tal apelo assim maravilhoso,

pois a fé se abrandara, e mesmo o anseio,

[...]

baixei os olhos, incurioso, lasso,

desdenhando colher a coisa oferta

que se abria gratuita a meu engenho.

A treva mais estrita já pousara

sobre a estrada de Minas, pedregosa,

e a máquina do mundo, repelida,

se foi miudamente recompondo,

enquanto eu, avaliando o que perdera,

seguia vagaroso, de mão pensas.

ANDRADE, Carlos Drummond de. A Máquina do Mundo. Disponível em: <http://www.revistabula. com/254-os-10-maiores-poemas-dos-ultimos-200-anos/>. Acesso em: fev. 2017.

Os versos de Carlos Drummond de Andrade revelam as reflexões do eu lírico durante a sua jornada existencial, o qual, ao se deparar com a máquina do mundo, resolve

LiteraturaUnit-AL2015

João amava Teresa que amava Raimundo

que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili

que não amava ninguém.

João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento,

Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,

Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes

que não tinha entrado na história.

ANDRADE, Carlos Drummond de. Quadrilha. Alguma Poesia. Disponível em: < http://vestibular.uol.com.br/simulado/poli8-1ve.jhtm >. Acesso em: 3 nov. 2014.

Os versos de Carlos Drummond de Andrade evidenciam um jogo de palavras que revelam

LiteraturaFCMMG2019

Aquestão refere-se à obra Eu e outras poesias, de Augusto dos Anjos, indicada para este processo seletivo.

Leia o poema de João Cabral de Melo Neto sobre Augusto dos Anjos.

“Augusto dos Anjos não tinha
dessa tinta clara.
Se água, do Paraíba
nordestino, que ignora a Fábula.

Tais águas não são lavadeiras,
deixam tudo encardido:
o vermelho das chitas
ou o reluzente dos estilos.

E quando usadas como tinta
escrevem negro tudo:
dão um mundo velado
por véus de lama, véus de luto.

Donde decerto o timbre fúnebre,
dureza da pisada,
geometria de enterro
de sua poesia enfileirada.”

(NETO, João Cabral de Melo. Trecho do poema “O sim contra o sim”, in Poesias completas. Rio de Janeiro: José Olympio, 1975, p.61.)

Os versos de Augusto dos Anjos que dialogam com as respectivas estrofes do poema de João Cabral são

LiteraturaUEMA2016

Asa Branca

Quando oiei a terra ardendo

Qual fogueira de São João

Eu perguntei a Deus do céu, ai

Por que tamanha judiação.

Que braseiro, que fornaia

Nem um pé de prantação

Por farta d’água perdi meu gado

Morreu de sede meu alazão. (...)

GONZAGA, Luiz e TEIXEIRA, Humberto. RCA, 1997.

Os versos de Asa Branca mostram a realidade típica da região nordeste do Brasil, qual seja: a seca. Desse modo, a arte poética, a ciência e a filosofia, apesar de suas diferenças, possuem um veículo comum para expressar a visão de mundo. Esse veículo é conhecido como

LiteraturaUFAM2013

Leia os versos a seguir:
I. “Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso!” E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-las, muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto...


II. Vês? Ninguém assistiu ao formidável
Enterro de tua última quimera.
Somente a Ingratidão – esta pantera –
Foi tua companheira inseparável!


III. Pálida, à luz da lâmpada sombria,
Sobre o leito de flores reclinada,
Como a lua por noite embalsamada,
Entre as nuvens do amor ela dormia!

Os versos anteriores constituem a estrofe primeira de famosíssimos poemas da Literatura Brasileira. Seus autores são, respectivamente:

LiteraturaUFAM2014

Leia agora os seguintes versos, pertencentes ao poema Cobra Norato, de Raul Bopp, considerado a obra-prima da Antropofagia:

Esta é a floresta de hálito podre
parindo cobras

Rios magros obrigados a trabalhar
A correnteza se arrepia
descascando as margens gosmentas

Raízes desdentadas mastigam lodo

Num estirão alagado
o charco engole a água do igarapé

Fede
O vento mudou de lugar

Um assobio assusta as árvores
Silêncio se machucou

Cai lá adiante um pedaço de pau seco:
Pum

Os versos anteriores apresentam, dentre as diversas características do Modernismo brasileiro: