Leia um trecho de um poema de Olavo Bilac.
Profissão de fé
“Torce, aprimora, alteia, lima
A frase; e enfim,
No verso de ouro engasta a rima,
Como um rubim.
Quero que a estrofe cristalina
Dobrada ao jeito
Do ourives, saia da oficina
Sem um defeito”.
Os versos de Olavo Bilac, transcritos acima, representam o ideal literário do:
“Quem foi que inventou o Brasil”
Foi seu Cabral?
Foi seu Cabral?
No dia vinte e um de abril
Dois meses depois do carnaval.
Depois
Ceci amou Peri
Peri beijou Ceci
Ao som...
Ao som do guarani!
O Guarani ao guaraná
Surgiu a feijoada
E mais tarde o Parati (...)”.
História do Brasil, marcha – Lamartine Babo. In: MARTINS, Franklin, Quem Inventou o Brasil? São Paulo: Nova Fronteira, 2015. p. 212.Os versos de Lamartine Babo tratam
Senhor Antão de Sousa Meneses,
Quem sobe a alto lugar, que não merece,
Homem sobe, asno vai, burro parece,
Que o subir é desgraça muitas vezes.
A fortunilha autora de entremezes
Transpõe em burro o herói, que indigno cresce:
Desanda a roda, e logo o homem desce,
Que é discreta a fortuna em seus reveses.
MATOS, Gregório de. Soneto. Poemas escolhidos. São Paulo: Círculo do Livro, s.d. p. 93.Os versos de Gregório de Matos — poeta baiano do século XVII — buscam
Casimiro de Abreu pertence à geração dos poetas quemorreram prematuramente, na casa dos vinte anos, como Álvares de Azevedo e outros, acometidos do “mal” byroniano. Sua poesia, reflexo autobiográfico dos transes, imaginários e verídicos, que lhe agitaram a curta existência, centra-se em dois temas fundamentais: a saudade e o lirismo amoroso. Graças a tal fundo de juvenilidade e timidez, sua poesia saudosista guarda um não sei quê de infantil.
(Massaud Moisés. A literatura brasileira através dos textos, 2004. Adaptado.)Os versos de Casimiro de Abreu que se aproximam da ideia de saudade, tal como descrita por Massaud Moisés, encontram- se em:
E como eu palmilhasse vagamente
uma estrada de Minas, pedregosa,
e no fecho da tarde um sino rouco
se misturasse ao som de meus sapatos
que era pausado e seco; e aves pairassem
no céu de chumbo, e suas formas pretas
lentamente se fossem diluindo
na escuridão maior, vinda dos montes
e de meu próprio ser desenganado,
a máquina do mundo se entreabriu
para quem de a romper já se esquivava
e só de o ter pensado se carpia.
Abriu-se majestosa e circunspecta,
sem emitir um som que fosse impuro
nem um clarão maior que o tolerável
[...]
Abriu-se em calma pura, e convidando
quantos sentidos e intuições restavam
a quem de os ter usado os já perdera
[...]
convidando-os a todos, em coorte,
a se aplicarem sobre o pasto inédito
da natureza mítica das coisas,
[...]
tudo se apresentou nesse relance
e me chamou para seu reino augusto,
afinal submetido à vista humana.
Mas, como eu relutasse em responder
a tal apelo assim maravilhoso,
pois a fé se abrandara, e mesmo o anseio,
[...]
baixei os olhos, incurioso, lasso,
desdenhando colher a coisa oferta
que se abria gratuita a meu engenho.
A treva mais estrita já pousara
sobre a estrada de Minas, pedregosa,
e a máquina do mundo, repelida,
se foi miudamente recompondo,
enquanto eu, avaliando o que perdera,
seguia vagaroso, de mão pensas.
ANDRADE, Carlos Drummond de. A Máquina do Mundo. Disponível em: <http://www.revistabula. com/254-os-10-maiores-poemas-dos-ultimos-200-anos/>. Acesso em: fev. 2017.Os versos de Carlos Drummond de Andrade revelam as reflexões do eu lírico durante a sua jornada existencial, o qual, ao se deparar com a máquina do mundo, resolve
João amava Teresa que amava Raimundo
que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
que não amava ninguém.
João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento,
Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,
Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes
que não tinha entrado na história.
ANDRADE, Carlos Drummond de. Quadrilha. Alguma Poesia. Disponível em: < http://vestibular.uol.com.br/simulado/poli8-1ve.jhtm >. Acesso em: 3 nov. 2014.Os versos de Carlos Drummond de Andrade evidenciam um jogo de palavras que revelam
Aquestão refere-se à obra Eu e outras poesias, de Augusto dos Anjos, indicada para este processo seletivo.
Leia o poema de João Cabral de Melo Neto sobre Augusto dos Anjos.
“Augusto dos Anjos não tinha
dessa tinta clara.
Se água, do Paraíba
nordestino, que ignora a Fábula.
Tais águas não são lavadeiras,
deixam tudo encardido:
o vermelho das chitas
ou o reluzente dos estilos.
E quando usadas como tinta
escrevem negro tudo:
dão um mundo velado
por véus de lama, véus de luto.
Donde decerto o timbre fúnebre,
dureza da pisada,
geometria de enterro
de sua poesia enfileirada.”
Os versos de Augusto dos Anjos que dialogam com as respectivas estrofes do poema de João Cabral são
Asa Branca
Quando oiei a terra ardendo
Qual fogueira de São João
Eu perguntei a Deus do céu, ai
Por que tamanha judiação.
Que braseiro, que fornaia
Nem um pé de prantação
Por farta d’água perdi meu gado
Morreu de sede meu alazão. (...)
GONZAGA, Luiz e TEIXEIRA, Humberto. RCA, 1997.Os versos de Asa Branca mostram a realidade típica da região nordeste do Brasil, qual seja: a seca. Desse modo, a arte poética, a ciência e a filosofia, apesar de suas diferenças, possuem um veículo comum para expressar a visão de mundo. Esse veículo é conhecido como
Leia os versos a seguir:
I. “Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso!” E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-las, muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto...
II. Vês? Ninguém assistiu ao formidável
Enterro de tua última quimera.
Somente a Ingratidão – esta pantera –
Foi tua companheira inseparável!
III. Pálida, à luz da lâmpada sombria,
Sobre o leito de flores reclinada,
Como a lua por noite embalsamada,
Entre as nuvens do amor ela dormia!
Os versos anteriores constituem a estrofe primeira de famosíssimos poemas da Literatura Brasileira. Seus autores são, respectivamente:
Leia agora os seguintes versos, pertencentes ao poema Cobra Norato, de Raul Bopp, considerado a obra-prima da Antropofagia:
Esta é a floresta de hálito podre
parindo cobras
Rios magros obrigados a trabalhar
A correnteza se arrepia
descascando as margens gosmentas
Raízes desdentadas mastigam lodo
Num estirão alagado
o charco engole a água do igarapé
Fede
O vento mudou de lugar
Um assobio assusta as árvores
Silêncio se machucou
Cai lá adiante um pedaço de pau seco:
Pum
Os versos anteriores apresentam, dentre as diversas características do Modernismo brasileiro: