Leia o trecho de Quincas Borba, de Machado de Assis, para responder à questão.
E enquanto uma chora, outra ri; é a lei do mundo, meu rico senhor; é a perfeição universal. Tudo chorando seria monótono, tudo rindo cansativo; mas uma boa distribuição de lágrimas e polcas1, soluços e sarabandas2, acaba por trazer à alma do mundo a variedade necessária, e faz-se o equilíbrio da vida.
(Quincas Borba, 1992.)
1 polca: tipo de dança.
2 sarabanda: tipo de dança.
O vocativo “meu rico senhor” evidencia um procedimento recorrente na prosa de Machado de Assis, que diz respeito ao modo como o narrador
O viés abertamente cômico e satírico observado nas comédias de Martins Pena encontra paralelo em um conhecido romance do Romantismo brasileiro, a saber,
Soneto
Luís de Camões
Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança:
Todo o mundo é composto de mudanças,
Tomando sempre novas qualidades.
Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança:
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem (se algum houve) as saudades.
O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já coberto foi de neve fria,
E em mim converte em choro o doce canto.
E afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto,
Que não se muda já como soía.
O verso que resume o postulado geral feito pelo eu-lírico é:
Soneto
Luís de Camões
Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança:
Todo o mundo é composto de mudanças,
Tomando sempre novas qualidades.
Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança:
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem (se algum houve) as saudades.
O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já coberto foi de neve fria,
E em mim converte em choro o doce canto.
E a fora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto,
Que não se muda já como soía.
O verso que representa o pessimismo do eu-lírico é:
Em 1499 retornavam a Lisboa, em momentos diferentes, as duas naus restantes da armada que, dois anos antes, partira rumo ao Índico em viagem de descoberta do caminho que levasse à Índia, local desejado por Portugal há quase meio século. (...) Definitivamente, as coisas nunca mais foram as mesmas, tanto para aquele pequeno reino português, na franja atlântica da Europa, quanto, em outras medidas, para o resto do continente europeu. Desta viagem, mas sobretudo do que se esperou dela e do que efetivamente se encontrou, restaram-nos alguns documentos epistolares, mas restou-nos também o Roteiro de uma viagem que levou os sonhos portugueses por “mares nunca dantes navegados”, e complementando o poeta Camões, “por terras nunca dantes palmilhadas”.
(VILARDAGA, José Carlos.Lastros de viagem. Expectativas, projeções e descobertas portuguesas no Índico (1498-1554). São Paulo: Annablume, 2010. p. 27)O verso de Camões referido no texto pertence ao gênero épico, que no Brasil se manifestou sobretudo
TEXTO:
O novo homem
O homem será feito
em laboratório.
Será tão perfeito
como no antigório.
[5] Rirá como gente,
beberá cerveja
deliciadamente.
Caçará narceja
e bicho do mato.
[10] Jogará no bicho,
tirará retrato
com o maior capricho.
Usará bermuda
e gola roulée.
[15] Queimará arruda
indo ao canjerê,
e do não objeto
fará escultura.
Será neoconcreto
[20] se houver censura.
Ganhará dinheiro
e muitos diplomas,
fino cavalheiro
em noventa idiomas.
[25] Chegará a Marte
em seu cavalinho
de ir a toda parte
mesmo sem caminho.
O homem será feito
[30] em laboratório,
muito mais perfeito
do que no antigório.
Dispensa-se amor,
ternura ou desejo.
[35] Seja como for
(até num bocejo)
salta da retorta
um senhor garoto.
Vai abrindo a porta
[40] com riso maroto:
“Nove meses, eu?
Nem nove minutos.”
Quem já conheceu
melhores produtos?
[45] A dor não preside
sua gestação.
Seu nascer elide
o sonho e a aflição.
Nascerá bonito?
[50] Corpo bem talhado?
Claro: não é muito,
é planificado.
Nele, tudo exato,
medido, bem posto:
[55] o justo formato,
o standard do rosto.
Duzentos modelos,
todos atraentes.
(Escolher, ao vê-los,
[60] nossos descendentes.)
Quer um sábio? Peça.
Ministro? Encomende.
Uma ficha impressa
a todos atende.
[65] Perdão: acabou-se
a época dos pais.
Quem comia doce
já não come mais.
Não chame de filho
[70] este ser diverso
que pisa o ladrilho
de outro universo.
Sua independência
é total: sem marca
[75] de família, vence
a lei do patriarca.
Liberto da herança
de sangue ou de afeto,
desconhece a aliança
[80] de avô com seu neto.
Pai: macromolécula;
mãe: tubo de ensaio
e, per omnia secula,
livre, papagaio,
[85] sem memória e sexo,
feliz, por que não?
pois rompeu o nexo
da velha Criação,
eis que o homem feito
[90] em laboratório
sem qualquer defeito
como no antigório,
acabou com o Homem.
Bem feito.
“O homem será feito/ em laboratório” (v. 1-2)
“acabou com o Homem./ Bem feito.” (v. 93-94)
O verso 94, “Bem feito”, em relação ao modo como o poeta trata o tema, traduz uma sensação de
O vampiro que descobriu o Brasil teve um período de permanência no Brasil, que durou do seu descobrimento, com a exploração do pau-brasil, até
“Nela até agora não pudemos saber que haja ouro, nem prata, nem nenhuma cousa de metal, nem ferro; [...] A terra, porém, em si, é de muito bons ares. [...]. Mas o melhor fruto que nela se pode fazer me parece será salvar esta gente. E esta deve ser a principal semente que Vossa Alteza em ela deve lançar”.
Com base no fragmento, assinale a alternativa que completa corretamente as lacunas.
O trecho, retirado _________________, que pertence ao período literário denominado ___________________, é considerado uma das principais fontes de informação sobre o Brasil do século XVI.
Não houve jeito de a agência funerária receber o esquife de volta, nem pela metade do preço. Tiveram de pagar, mas Vanda aproveitou as velas que sobraram. O caixão está até hoje no armazém de Eduardo, esperançoso ainda de vendê-lo a um morto de segunda mão. Quanto à frase derradeira, há versões variadas. Mas, quem poderia ouvir direito no meio daquele temporal? Segundo um trovador do Mercado, passouse assim:
“No meio da confusão
ouviu-se Quincas dizer:
“— Me enterro como entender
na hora que resolver.
Podem guardar seu caixão
pra melhor ocasião.
Não vou deixar me prender
em cova rasa no chão.”
E foi impossível saber
o resto de sua oração.”
AMADO, Jorge. A morte e a morte de Quincas Berro Dágua. 44. ed. Rio de Janeiro: Record, 1979. p. 103.O trecho, inserido na obra, permite afirmar:
Leia o trecho a seguir.
Diante dos pontos de ônibus, Zé Paulo e Álvares começam
a ler os itinerários […].
ZÉ PAULO
Jardim Guarani, Jardim Arpoador, Jardim Vista Alegre...
ÁLVARES
Jardim Terezinha, Jardim Luzia, Jardim Silveiras...
[…]
ZÉ PAULO
Jardim Solange!
ÁLVARES
Jardim Zoológico!!!
Os dois cambaleiam, esgotados.
ÁLVARES (quando recupera o fôlego)
Meu Deus! Como tem jardim nessa cidade!
ZÉ PAULO
Não é mesmo? Para qual deles você quer ir?
ÁLVARES (em dúvida)
Tanto faz, parece uma Babilônia.
ZÉ PAULO
Mais do que a Babilônia, Bagdá e toda a Mesopotâmia! O Pinheiros e o Tietê são os nossos Tigres e Eufrates. Você conhece aquele ditado: todos os caminhos levam ao mesmo buraco? (Sem esperar pela resposta) Nesta vida, se não posso escolher o destino, posso pelo menos eleger o meio de transporte...
MARTINS, Alberto. Uma noite em cinco atos. São Paulo: Editora 34, 2009. p. 57; 63-64.O trecho transcrito faz referência ao transporte público no contexto da urbanização da cidade de São Paulo. Na peça, essa referência explicita-se na