Considere o trecho da “lira XIV” da obra Marília de Dirceu, de Tomás Antonio Gonzaga, para responder à questão.
Que havemos de esperar, Marília bela?
Que vão passando os florescentes dias?
As glórias, que vêm tarde, já vêm frias;
E pode enfim mudar-se a nossa estrela.
Ah! Não, minha Marília,
Aproveite-se o tempo, antes que faça
O estrago de roubar ao corpo as forças
E ao semblante a graça.
O trecho transcrito exemplifica a ideia de
Começava a anoitecer.
A gente de casa ficou toda na maior aflição; ninguém sabia o que se havia de fazer. O Leonardo tomou a resolução de acompanhar Vidinha a ver se a detinha em caminho.
Vidinha caminhava tão depressa que a princípio o Leonardo quase que a perdia de vista; finalmente conseguiu alcançá-la, e começou a pedir-lhe que voltasse, fazendo as maiores promessas de comedir-se dali em diante, e de lhe não dar mais motivos de desgosto. Vidinha porém a nada atendia, e caminhava sempre. O Leonardo recorreu a ameaças; Vidinha redobrou a passos: voltou de novo a rogativas; Vidinha caminhava sempre.
Manuel Antônio de Almeida, Memórias de um sargento de milícias.
O trecho revela um romance que tem como orientação temática
Leia o trecho apresentado a seguir.
ÁLVARES
A escrita existe desde sempre.
ZÉ PAULO
Errado. A escrita é uma invenção do século XIX e ela está morrendo.
ÁLVARES
Você está delirando! A escrita é antiquíssima... Os chineses já escreviam em ossos de animais, os babilônios em tabletes de barro...
ZÉ PAULO
Minha sincera homenagem aos chineses e aos babilônios, mas a escrita, a indústria da escrita, tal como a conhecemos e a praticamos há até bem pouco tempo, é uma invenção do século XIX.
ÁLVARES
Ah, você quer dizer a indústria gráfica, não a literatura.
ZÉ PAULO
É a mesma coisa.
ÁLVARES
O século XX afetou a sua cabeça!
MARTINS, Alberto. Uma noite em cinco atos. São Paulo: Editora 34, 2009. p. 80-81.O trecho retirado da obra Uma noite em cinco atos, de Alberto Martins, apresenta pontos de vista antagônicos, o que permite associar a crítica dos poetas Zé Paulo e Álvares ao contexto histórico em que se inserem. Essa associação se expressa no seguinte confronto:
Leia o trecho a seguir adaptado de um importante romance da literatura brasileira.
Veio para a biblioteca, sentou-se a uma cadeira de balanço, descansando.
Estava num vasto aposento. Quem examinasse vagarosamente aquela grande coleção de livros havia de espantar-se ao perceber o espírito que presidia a sua reunião.
Na ficção, havia unicamente autores nacionais ou tidos como tais: o Bento Teixeira, da Prosopopeia; o Gregório de
Matos, o Basílio da Gama, o Santa Rita Durão, o José de Alencar (todo), o Macedo, o Gonçalves Dias (todo), além de muitos outros. Podia-se afiançar que nem um dos autores nacionais ou nacionalizados faltava nas estantes do major.
A razão tinha de ser encontrada numa disposição particular de seu espírito, no forte sentimento que guiava sua vida: era um patriota.
O trecho refere-se à personagem
Leia o trecho do romance Senhora, de José de Alencar, para responder à questão.
O aspecto da casa revelava, bem como seu interior, a pobreza da habitação.
A mobília da sala consistia em sofá, seis cadeiras e dois consolos de jacarandá, que já não conservavam o menor vestígio de verniz. O papel da parede de branco passara a amarelo e percebia-se que em alguns pontos já havia sofrido hábeis remendos.
O gabinete oferecia a mesma aparência. O papel que fora primitivamente azul tomara a cor de folha seca.
Outra singularidade apresentava essa parte da habitação: era o frisante contraste que faziam com a pobreza carrança dos dois aposentos certos objetos, aí colocados, e de uso do morador.
Assim, no recosto de uma das velhas cadeiras de jacarandá, via-se neste momento uma casaca preta, que pela fazenda superior, mas sobretudo pelo corte elegante e esmero do trabalho, conhecia-se ter o chique da casa do Raunier, que já era naquele tempo o alfaiate da moda.
Ao lado da casaca estava o resto de um traje de baile, que todo ele saíra daquela mesma tesoura em voga; finíssimo chapéu claque do melhor fabricante de Paris; luvas de Jouvin cor de palha; e um par de botinas como o Campas só fazia para os seus fregueses prediletos.
Passando à alcova, na mesquinha banca de escrever, coberta com um pano desbotado e atravancada de rumas de livros, a maior parte romances, apareciam sem ordem tinteiros de bronze dourado sem serventia; porta-charutos de vários gostos, cinzeiros de feitios esquisitos e outros objetos de fantasia.
(Senhora, 2000. Adaptado.)
O trecho refere-se a Fernando Seixas, personagem do romance Senhora. É possível verificar corretamente no fragmento
Pela primeira vez na vida teve pena de haver tantos assuntos no mundo que não compreendia e esmoreceu. Mas uma mosca fez um ângulo reto no ar, depois outro, além disso, os seis anos são uma idade de muitas coisas pela primeira vez, mais do que uma por dia e, por isso, logo depois, arribou. Os assuntos que não compreendia eram uma espécie de tontura, mas o Ilídio era forte.
Se calhar estava a falar de tratar da cabra: nunca esqueças de tratar da cabra. O Ilídio não gostava que a mãe o mandasse tratar da cabra. Se estava ocupado a contar uma história a um guarda-chuva, não queria ser interrompido. Às vezes, a mãe escolhia os piores momentos para chamá-lo, ele podia estar a contemplar um segredo, por isso, assustava-se e, depois, irritava-se. Às vezes, fazia birras no meio da rua. A mãe envergonhava-se e, mais tarde, em casa, dizia que as pessoas da vila nunca tinham visto um menino tão velhaco. O Ilídio ficava enxofrado, mas lembrava-se dos homens que lhe chamavam reguila, diziam ah, reguila de má raça. Com essa memória, recuperava o orgulho. Era reguila, não era velhaco. Essa certeza dava-lhe forças para protestar mais, para gritar até, se lhe apetecesse.
PEIXOTO, J. L. Livro. São Paulo: Cia. das Letras, 2012.No texto, observa-se o uso característico do português de Portugal, marcadamente diferente do uso do português de Portugal, marcadamente diferente do uso do português do Brasil.
O trecho que confirma essa afirmação é:
“Andreza a apanhar o peixe subindo na desova. Sabia de um rego, no geral dos lavrados, era peixal de maré e solapo que estrondava cardumes com a Andreza no meio. Ou Andreza punha fogo no tabocal para fazer muçuã sair ou no piri queimando os bichos, que até de rabo queimado fugia o jacaré? Queria fazer como o anú, catar os carrapatos do gado, como catou, um dia, meus mucuins. Quem mais malina? Ia meter pelo olhinho dum caroço de tucumã toda a saudade dela: agora, sim, enterrei neste caroço o inteiro tempo em que andamos juntos, assim, e para sempre, sem dizer água vai. Logo o caroço falava: Eu? Eu que te ligo? Pá! Corria para o pé de um na beira d’água: oi tu aí, pirralho, me apanha do chão, que de dentro de mim te tiro esta menina.”
JURANDIR, Dalcídio. Primeira manhã / Dalcídio Jurandir; Josebel Akel Fares (org.). 2ªed. Belém: EDUEPA,2009.O trecho pertence ao romance Primeira manhã de Dalcídio Jurandir. Nele, Alfredo, protagonista da história,
Leia o texto a seguir.
O regionalismo, que deu algumas das formas menos tensas de escritura (a crônica, o conto folclórico, a reportagem), estava destinado a sofrer, nas mãos de um artista demiurgo, a metamorfose que o traria de novo aocentro da ficção brasileira [...] Toda voltada para as forças virtuais da linguagem, a escritura procede abolindo intencionalmente as fronteiras entre narrativa e lírica.
BOSI, Alfredo. História concisa da literatura brasileira. 43. ed. São Paulo: Cultrix, 2006. p. 458-459. (Adaptado).O trecho faz referência a qual escritor regionalista brasileiro?
— Ora dizeis, não é verdade? Pois o Sr. Lúcio queria esse cravo, mas vós lho não podíeis dar, porque o velho militar não tirava os olhos de vós; ora, conversando com o Sr. Lúcio, acordastes ambos que ele iria esperar um instante no jardim…
MACEDO, J. M. A moreninha. Disponível em: www.dominiopublico.com.br. Acesso em: 17 abr. 2010 (fragmento).O trecho faz parte do romance A moreninha, de Joaquim Manuel de Macedo. Nessa parte do romance, há um diálogo entre dois personagens. A fala transcrita revela um falante que utiliza uma linguagem
Declaração de amor
Esta é uma confissão de amor: amo a língua portuguesa. Ela não é fácil. Não é maleável.( ... ] A língua portuguesa é um verdadeiro desafio para quem escreve. Sobretudo para quem escreve tirando das coisas e das pessoas a primeira capa de superficialismo.
As vezes ela reage diante de um pensamento mais complicado. Às vezes se assusta com o imprevisível de uma frase. Eu gosto de manejá-la - como gostava de estar montada num cavalo e guiá-lo pelas rédeas, às vezes a galope. Eu queria que a língua portuguesa chegasse ao máximo em minhas mãos. E este desejo todos os que escrevem têm. Um Camões e outros iguais não bastaram para nos dar para sempre uma herança de língua já feita. Todos nós que escrevemos estamos fazendo do túmulo do pensamento alguma coisa que lhe dê vida.
Essas dificuldades, nós as temos. Mas não falei do encantamento de lidar com uma língua que não foi aprofundada. O que recebi de herança não me chega.
Se eu fosse muda e também não pudesse escrever, e me perguntassem a que língua eu queria pertencer, eu diria: inglês, que é preciso e belo. Mas, como não nasci muda e pude escrever, tomou-se absolutamente claro para mim que eu queria mesmo era escrever em português. Eu até queria não ter aprendido outras línguas: só para que a minha abordagem do português fosse virgem e límpida.
LISPECTOR, C. A descoberta do mundo. Rio de Janeiro: Rocco, 1999 (adaptado).O trecho em que Clarice Lispector declara seu amor pela língua portuguesa, acentuando seu caráter patrimonial e sua capacidade de renovação, é: