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LiteraturaUNEMAT2014

Texto base:

“Mulher: Que é isso, João, você está em casa! Diga!

João Grilo: É que o gato que eu lhe trouxe descome

dinheiro.

Mulher: Descome dinheiro?

João Grilo: Descome sim.

Mulher: Essa eu só acredito vendo!

[...]

João Grilo: Está aí o gato.

Mulher: E daí?

João Grilo: É só tirar o dinheiro.

Mulher: Pois tire!

[...]

João Grilo: (Virando o gato pra Chicó, com o rabo

levantado) Tire aí, Chicó!

Chicó: Eu não, tire você!

[...]

João Grilo: (Passa a mão no traseiro do gato e tira

uma prata de cinco tostões.) Está aí, cinco tostões que

o gato lhe dá de presente”.

(SUASSUNA, Ariano.Auto da compadecida. Rio de Janeiro: Agir, 2005. p. 77-79).

O texto base apresenta uma das diretrizes sobre a qual Ariano Suassuna constrói Auto da compadecida, ou seja, um texto literário que traduz uma arte erudita, com intromissão de raízes populares da cultura nordestina, traduzida pelas histórias que fazem parte do imaginário popular. Nesse sentido, Auto da compadecida classifica-se como:

LiteraturaUP2017

Ignorado e desprezado durante o império, o barroco mineiro só veio a ser descoberto pelos modernistas, em especial após uma viagem de Mário de Andrade a Minas, em 1924. Daí decorreram os primeiros esforços de preservação desse acervo excepcional, com a criação do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, em 1937.

(“Barroco”. In: VAINFAS, Ronaldo. Dicionário do Brasil Colonial, Rio de Janeiro: Objetiva, 2000. p. 70)

O texto associa o serviço criado e o descobrimento do acervo em questão a um movimento intelectual e artístico que se caracteriza pela:

LiteraturaUESB2010

O capoeira

— Qué apanhá sordado?

— O quê?

— Qué apanhá?

Pernas e cabeças na calçada.

ANDRADE, Oswald de. O capoeira. Pau-Brasil. 6. ed. São Paulo: Globo, 1998. p. 87.

O texto apresenta

LiteraturaITA2016

O poema abaixo é de José Paulo Paes:

Bucólica

O camponês sem terra

Detém a charrua

E pensa em colheitas

Que nunca serão suas.

(Em: Um por todos – poesia reunida. São Paulo: Brasiliense, 1986.)

O texto apresenta

LiteraturaUNIFOR2014

O estilo acadêmico e rígido do Neoclassicismo começa a declinar e vem uma reação às regras e modelos clássicos greco-romanos. Há necessidade de expressão, de emoção, de paixão. O equilíbrio e a simplicidade deixam de ser os objetivos do artista. Ele quer demonstrar outros interesses, quer buscar as raízes da nacionalidade, quer enaltecer a natureza tropical, quer voltar ao passado histórico, quer abandonar os mitos gregos e aprofundar sua própria religiosidade, quer viver o amor imensamente.

GARCEZ, Lucília; OLIVEIRA, Jô. Explicando a arte brasileira. Rio de Janeiro: Ediouro, 2004, p.80.

O texto aponta um estilo na literatura denominado:

LiteraturaAlbert Einstein2017

Oficina Irritada

Eu quero compor um soneto duro

como poeta algum ousara escrever.

Eu quero pintar um soneto escuro,

seco, abafado, difícil de ler.

Quero que meu soneto, no futuro,

não desperte em ninguém nenhum prazer.

E que, no seu maligno ar imaturo,

ao mesmo tempo saiba ser, não ser.

Esse meu verbo antipático e impuro

há de pungir, há de fazer sofrer,

tendão de Vênus sob o pedicuro.

Ninguém o lembrará: tiro no muro,

cão mijando no caos, enquanto Arcturo,

claro enigma, se deixa surpreender.

O texto ao lado é de Claro Enigma, obra de Carlos Drummond de Andrade. De sua leitura se pode depreender que

LiteraturaUFTM2011

Considere as informações.

É na convergência de ideais antirromânticos, como a objetividade

no trato dos temas e o culto da forma, que se situa a

poética [desse movimento literário].

(...)

Seus traços de relevo: o gosto da descrição nítida (a mimese

pela mimese), concepções tradicionalistas sobre metro, ritmo

e rima e, no fundo, o ideal da impessoalidade que partilhavam

com os [escritores] do tempo.

(Alfredo Bosi. História concisa da Literatura Brasileira.)

O texto alude aos poetas

LiteraturaUFAM2014

Leia o soneto “À instabilidade das cousas do mundo”, de autoria do poeta barroco Gregório de Matos:

Nasce o Sol, e não dura mais que um dia,
Depois da luz se segue a noite escura,
Em tristes sombras morre a formosura,
Em contínuas tristezas a alegria.

Porém, se acaba o Sol, por que nascia?
Se formosa a luz é, por que não dura?
Como a beleza assim se transfigura?
Como o gosto da pena assim se fia?

Mas no Sol, e na luz, falta a firmeza;
Na formosura, não se dê constância:
E na alegria, sinta-se tristeza.

Começa o mundo enfim pela ignorância,
Pois tem qualquer dos bens por natureza,
A firmeza somente na inconstância.

O texto acima:

LiteraturaUNCISAL2016

O texto acima, um poema de Arnaldo Antunes, inscreve-se numa tradição de procedimentos poéticos também recuperáveis no

LiteraturaACAFE2015

“Uma vida insignificante - a chegada ao Brasil, a morte do pai que vendia gravatas com o toco do braço que perdeu, um pai saudoso do conde Alexei, cujas botas ele consertava, em seguida o trabalho numa loja, da qual se torna proprietário, depois um casamento insosso, um filho, dois ou três conhecidos, afinal a solidão de sempre e a UTI - e no entanto, para o leitor, que vida trepidante! Atrás do balcão de sua nulidade, nosso herói imagina desvarios de alegria que se desdobram em castelos delirantes de uma outra vida, pontilhada tanto de aeromoças que o amam em bolhas plásticas em pleno céu quanto de um reencontro caloroso com um Noel Nutels que, nos sonhos, o reconheceria imediatamente mesmo anos depois. E o homem que conta vai promovendo também o sonho da comunhão universal, mental e geográfica, o sublime com o torpe, a confluência do índio com a civilização [...] Uma trajetória puramente mental de picos hilariantes, como o major Azevedo, militar da repressão, silenciado por uma inscrição de banheiro sobre sua mulher, ou a militante Sarita, na cidade, conclamando os índios contra o imperialismo do homem branco, de acordo com a orientação ideológica da célula stalinista.”

(Cristóvão Tezza. Fragmento adaptado.)

O texto acima tem como referência: