Leia o poema de Cecília Meireles para responder a questão.
Elegia a uma pequena borboleta
Como chegavas do casulo,
— inacabada seda viva! —
tuas antenas — fios soltos
da trama de que eras tecida,
e teus olhos, dois grãos da noite
de onde o teu mistério surgia,
como caíste sobre o mundo
inábil, na manhã tão clara,
sem mãe, sem guia, sem conselho,
e rolavas por uma escada
como papel, penugem, poeira,
com mais sonho e silêncio que asas,
minha mão tosca te agarrou
com uma dura, inocente culpa,
e é cinza de lua teu corpo,
meus dedos, sua sepultura.
Já desfeita e ainda palpitante,
expiras sem noção nenhuma.
[...]
O termo “elegia”, que compõe o título do poema, designa um gênero da poesia lírica, que se caracteriza pelo tom melancólico ou triste, geralmente associado
O artista inconfessável
Fazer o que seja é inútil.
Não fazer nada é inútil.
Mas entre fazer e não fazer
mais vale o inútil do fazer.
[5] Mas não, fazer para esquecer
que é inútil: nunca o esquecer.
Mas fazer o inútil sabendo
que ele é inútil, e bem sabendo
que é inútil e que seu sentido
[10] não será sequer pressentido,
fazer: porque ele é mais difícil
do que não fazer, e difícilmente se poderá dizer
com mais desdém, ou então dizer
[15] mais direto ao leitor Ninguém
que o feito foi para ninguém.
O terceiro e o quarto versos expressam
Leia o poema de Ricardo Reis, heterônimo de Fernando Pessoa.
Coroai-me de rosas,
Coroai-me em verdade
De rosas –
Rosas que se apagam
Em fronte a apagar-se
Tão cedo!
Coroai-me de rosas
E de folhas breves.
E basta.
(As múltiplas faces de Fernando Pessoa, 1995.)O tema tratado no poema é a
Texto 1
Sermão de Santo Antônio
Vós, diz Cristo Senhor Nosso, falando com os Pregadores,
sois o sal da terra: e chama-lhes sal da terra, porque quer que
façam na terra, o que faz o sal. O efeito do sal é impedir a
corrupção, mas quando a terra se vê tão corrupta como está a
[5] nossa, havendo tantos que nela têm ofício de sal, qual será, ou
qual pode ser a causa desta corrupção? Ou é porque o sal não
salga, e os Pregadores não pregam a verdadeira doutrina; ou
porque a terra se não deixa salgar, e os ouvintes, sendo
verdadeira a doutrina que lhes dão, a não querem receber. Ou
[10]é porque o sal não salga, e os Pregadores dizem uma coisa e
fazem outra; ou porque a terra se não deixa salgar, e os
ouvintes querem antes imitar o que eles fazem, que fazer o
que dizem; ou é porque o sal não salga, e os Pregadores se
pregam a si, e não a Cristo; ou porque a terra se não deixa
salgar, e os ouvintes em vez de servir a Cristo, servem a seus
[15] apetites. Não é tudo isto verdade? Ainda mal.
(Padre Antonio Vieira. Sermão de Santo Antônio. Maranhão. 1654)O tema do discurso do Padre Antonio Vieira, século XVII, é a corrupção em nosso país naquele momento. No início do sermão, nas palavras de Cristo, os Pregadores são chamados de “o sal da terra” (linha 2). Sobre esse recurso estilístico, assinale a afirmativa correta.
Oi, coração.
Não dá pra falar muito, não
Espera passar o avião.
Assim que o inverno passar,
Eu acho que vou te buscar.
(...)
Tomei a costeira em Belém do Pará.
Puseram uma usina no mar.
Talvez fique ruim pra pescar,
Meu amor
(...)
Baby, bye bye.
Abraços na mãe e no pai.
Eu acho que vou desligar.
As fichas já vão terminar.
Eu vou me mandar de trenó
Pra Rua do Sol, Maceió.
Peguei uma doença em Ilhéus,
Mas já tô quase bom
Na canção Bye, bye Brasil, de Chico Buarque de Hollanda, tema do filme homônimo de Cacá Diegues, de 1979, o personagem faz uma ligação telefônica em que sugere viver uma atmosfera de tensão. A ligação é feita em um telefone público, um tipo de comunicação em declínio nas últimas décadas.
O telefone público se diferencia de outras formas modernas de tecnologias telefônicas pela
Verbo Crackar
Eu empobreço de repente
Tu enriqueces por minha causa
Ele azula para o sertão
Nós entramos em concordata
Vós protestais por preferência
Eles escafedem a massa
Sê pirata
Sede trouxas
Eu empobreço de repente
Tu enriqueces por minha causa
Ele azula para o sertão
Nós entramos em concordata
Vós protestais por preferência
Eles escafedem a massa
Sê pirata
Sede trouxas
Oxalá que eu tivesse sabido que esse verbo era irregular.
ANDRADE, Oswald de. Literatura Comentada. 2. ed. Jorge Schwaitz (Org.). São Paulo: Nova Cultural, 1988. p. 76.O sujeito poético, nesse texto, revela
TEXTO:
Paisagens da minha terra,
Onde o rouxinol não canta
— Mas que importa o rouxinol?
Frio, nevoeiros da serra
[5] Quando a manhã se levanta
Toda banhada de sol!
Sou romântico? Concedo.
Exibo, sem evasiva,
A alma ruim que Deus me deu.
[10] Decorei “Amor e medo”,
“No lar”, “Meus oito anos”... Viva
José Casimiro Abreu!
Sou assim, por vício inato.
Ainda hoje gosto de Diva,
[15] Nem não posso renegar
Peri, tão pouco índio, é fato,
Mas tão brasileiro... Viva,
Viva José de Alencar!
BANDEIRA, Manuel. Sextilhas românticas. Estrela da vida inteira:poesias reunidas. 2. ed. Rio de Janeiro:José Olympio, 1970. p.185-186.O sujeito poético considera-se romântico, porque
De ser cega a Fortuna eu não me queixo,
sim me queixo de que má cega seja:
cega que nem pergunta nem apalpa,
é porque errar deseja.
A quem não tem virtudes, nem talentos,
ela, Marília, faz de um cetro dono;
cria num pobre berço uma alma digna
de se sentar num trono.
[...]
A quem fere, a quem rouba, a infame deixa
que atrás do vício em liberdade corra;
eu honro as leis do Império, ela me oprime
em esta vil masmorra.
GONZAGA, Tomás Antônio. Lira 88. Marília de Dirceu e cartas chilenas. São Paulo: Ática, 1997, p. 129.O sujeito poético
Cansei-me de tentar o teu segredo:
No teu olhar sem cor, — frio escalpelo, —
O meu olhar quebrei, a debatê-lo,
Como a onda na crista dum rochedo.
Segredo dessa alma, e meu degredo
E minha obsessão! Para bebê-lo,
Fui teu lábio oscular, num pesadelo,
Por noites de pavor, cheio de medo.
E o meu ósculo ardente, alucinado,
Esfriou sobre o mármore correto
Desse entreaberto lábio gelado...
Desse lábio de mármore, discreto,
Severo como um túmulo fechado,
Sereno como um pélago quieto.
PESSANHA, Camilo. Clepsidra: poemas de Camilo Pessanha. São Paulo: Ateliê Editorial, 2009. p. 63.O sujeito poético
Sonhei-me um tomate, maduro e pequeno, preso num cacho, com outros cinco, todos verdes. Sonhava um escândalo: ser um tomate. Sabia estar em sonho, mas não me acordava. Se tentava fugir, os irmãos verdes impediam. Não pediam, mas adivinhavam minha angústia. E eu, tomate, não possuía olhos para chorar ou boca para falar. Meu horror era de ser colhido e degolado. Fazia um esforço imenso para enverdecer. Verde, minha vida seria mais longa. As sementes tremiam, debatiam para se livrarem de minhas grades. O alívio veio com a manhã e deparei com a chuva penteando o quintal. A mulher de sentinela, já na beira do fogão, soprava as cinzas das brasas.
QUEIRÓS, Bartolomeu Campos de. Vermelho amargo. São Paulo: Cosac Naify, 2011. p. 43. Fragmento .Esse fragmento foi extraído do romance Vermelho amargo, no qual Bartolomeu Campos de Queirós narra suas memórias de infância, que envolvem o pai, a madrasta (mulher mencionada nesse trecho), os cinco irmãos e a mãe morta.
O sonho do protagonista revela que, após a morte da mãe, ele passou a viver em um ambiente