AprendiAprendi
LiteraturaFAMERP2016

Se eu morresse amanhã!

Se eu morresse amanhã, viria ao menos

Fechar meus olhos minha triste irmã;

Minha mãe de saudades morreria

Se eu morresse amanhã!

Quanta glória pressinto em meu futuro!

Que aurora de porvir e que manhã!

Eu perdera chorando essas coroas

Se eu morresse amanhã!

Que sol! que céu azul! que doce n’alva

Acorda a natureza mais louçã!

Não me batera tanto amor no peito,

Se eu morresse amanhã!

Mas essa dor da vida que devora

A ânsia de glória, o dolorido afã…

A dor no peito emudecera ao menos

Se eu morresse amanhã!

(Lira dos vinte anos, 2000.)

O poema apresenta características que permitem situá-lo

LiteraturaFIP2015

Solitário
Augusto dos Anjos

Como um fantasma que se refugia
Na solidão da natureza morta,
Por trás dos ermos túmulos, um dia,
Eu fui refugiar-me à tua porta!

Fazia frio e o frio que fazia
Não era esse que a carne nos contorta...
Cortava assim como em carniçaria
O aço das facas incisivas corta!

Mas tu não vieste ver minha Desgraça!
E eu saí, como quem tudo repele,
- Velho caixão a carregar destroços -

Levando apenas na tumba carcaça
O pergaminho singular da pele
E o chocalho fatídico dos ossos!

O poema apresenta as seguintes marcas parnasianas e simbolistas, respectivamente:

LiteraturaUEFS2010

TEXTO:

Idade madura

As lições da infância

desaprendidas na idade madura.

Já não quero palavras

nem delas careço.

5 Tenho todos os elementos

ao alcance do braço.

Todas as frutas

e consentimentos.

Nenhum desejo débil.

10 Nem mesmo sinto falta

do que me completa e é quase sempre melancólico.

[...]

Idade madura em olhos, receitas e pés, ela me invade

com sua maré de ciências afinal superadas.

Posso desprezar ou querer os institutos, as lendas,

15 descobri na pele certos sinais que aos vinte anos não

[via.

Eles dizem o caminho,

embora também se acovardem

em face a tanta claridade roubada ao tempo.

Mas eu sigo, cada vez menos solitário,

20 em ruas extremamente dispersas,

transito no canto do homem ou da máquina que roda,

aborreço-me de tanta riqueza, jogo-a toda por um

[número de casa,

e ganho.

ANDRADE, Carlos Drummond de. Idade madura. In: Reunião: 10 livros de poesia. 2. ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 1971. p. 121-123.

O poema apresenta

LiteraturaUNIEVA2015

Leia o poema a seguir para responder à questão.

Poema

A poesia está guardada nas palavras - é tudo que eu sei.
Meu fado é o de não saber quase tudo.
Sobre o nada eu tenho profundidades.
Não tenho conexões com a realidade.
Poderoso para mim não é aquele que descobre ouro.
Para mim poderoso é aquele que descobre as
Insignificâncias (do mundo e as nossas).
Por essa pequena sentença me elogiaram de imbecil.
Fiquei emocionado e chorei.
Sou fraco para elogios.

BARROS, Manoel de. Tratado geral das grandezas do ínfimo. 5. ed. Rio de Janeiro: Record, 2009. p. 19.

O poema apresenta

LiteraturaUNIEVA2015

Leia o fragmento poético a seguir para responder à questão.

Minha bela Marília, tudo passa;

A sorte deste mundo é mal segura;

Se vem depois dos males a ventura,
Vem depois dos prazeres a desgraça.
Estão os mesmos deuses

Sujeitos ao poder do ímpio Fado:

Apolo já fugiu do céu brilhante,

Já foi pastor de gado.

[...]

Que havemos d'esperar, Marília bela?
Que vão passando os florescentes dias?
As glórias, que vêm tarde, já vêm frias;

Ah! Não, minha Marília,
Aproveite-se o tempo, antes que faça
O estrago de roubar ao corpo as forças,
E ao semblante a graça.

GONZAGA, Tomás Antônio. Marília de Dirceu. São Paulo: Livraria Martins, s/d. p. 36-37.

O poema apresenta

LiteraturaURCA2011

Frieza

Os teus olhos são frios como as espadas,
E claros como os trágicos punhais;
Têm brilhos cortantes de metais
E fulgores de lâminas geladas.

[5] Vejo neles imagens retratadas
De abandonos cruéis e desleais,
Fantásticos desejos irreais,
E todo o oiro e o sol das madrugadas!

Mas não te invejo, Amor, essa indiferença,
[10] Que viver neste mundo sem amar
É pior que ser cego de nascença!

Tu invejas a dor que vive em mim!
E quanta vez dirás a soluçar:
“Ah! Quem me dera, Irmã, amar assim...”

O poema acima, de Florbela Espanca, está inserido num contexto da Literatura Portuguesa denominado Interregno. As alternativas abaixo trazem informações sobre a produção dessa poetisa e sobre esse contexto literário em que sua obra se insere, mas uma das alternativas é INCORRETA. Identifique-a:

LiteraturaUFN2010

Leia com atenção:

ALDA
Alva, do alvor das límpidas geleiras,
desta ressumbra candidez de aromas...
Parece andar em nichos e redomas
de Virgens medievais que foram freiras.

Alta, feita no talhe das palmeiras,
e coma de ouro, com o cetim das comas,
branco esplendor de faces e de pomas,
lembra ter asas e asas condoreiras.

Pássaros, astros, cânticos, incensos
formam-lhe auréolas, sóis, nimbos imensos
em torno à carne virginal e rara.

Alda faz meditar nas monjas alvas,
salvas do Vício e do Pecado salvas,
amortalhadas na pureza clara.

O poema acima, de Cruz e Souza, é representante do __________________, cujas características notadas são _________________ e ________________. A alternativa que completa de forma correta as lacunas é

LiteraturaPUC-SP2017

A Ingaia Ciência A madureza, essa terrível prenda que alguém nos dá, raptando-nos, com ela, todo sabor gratuito de oferenda sob a glacialidade de uma estela, a madureza vê, posto que a venda interrompa a surpresa da janela, o círculo vazio, onde se estenda, e que o mundo converte numa cela. A madureza sabe o preço exato dos amores, dos ócios, dos quebrantos, e nada pode contra sua ciência e nem contra si mesma. O agudo olfato, o agudo olhar, a mão, livre de encantos, se destroem no sonho da existência.

O poema acima, de Carlos Drummond de Andrade, está em Claro Enigma. Dele pode-se afirmar que

LiteraturaCESMAC2017

Analise o fragmento de um poema, transcrito abaixo.

Quero que a estrofe cristalina
dobrada ao jeito,
do ourives, saia da oficina
sem um defeito:

E horas sem conta passo, mudo,
o olhar atento,
A trabalhar, longe de tudo,
o pensamento.

Porque o escrever – tanta perícia,
tanta requer,
que ofício tal... nem há notícia
de outra qualquer.
(Olavo Bilac. Poesias. São Paulo: Martin Claret, 2002.).

O poema acima se insere na produção poética do Parnasianismo. Esse período teve, como uma de suas concepções nucleares, o culto da ‘arte pela arte’, ou ‘a arte com fim em si mesma’. Tal concepção da poesia parnasiana se revela no poema acima:

LiteraturaUNITAU2016

“O último poema

Assim eu quereria o meu último poema

Que fosse terno dizendo as coisas mais simples e menos intencionais

Que fosse ardente como um soluço sem lágrimas

Que tivesse a beleza das flores quase sem perfume

A pureza da chama em que se consomem os diamantes mais límpidos

A paixão dos suicidas que se matam sem explicação.”

Manuel Bandeira. Libertinagem. 1930.

O poema acima se caracteriza como