Se eu morresse amanhã!
Se eu morresse amanhã, viria ao menos
Fechar meus olhos minha triste irmã;
Minha mãe de saudades morreria
Se eu morresse amanhã!
Quanta glória pressinto em meu futuro!
Que aurora de porvir e que manhã!
Eu perdera chorando essas coroas
Se eu morresse amanhã!
Que sol! que céu azul! que doce n’alva
Acorda a natureza mais louçã!
Não me batera tanto amor no peito,
Se eu morresse amanhã!
Mas essa dor da vida que devora
A ânsia de glória, o dolorido afã…
A dor no peito emudecera ao menos
Se eu morresse amanhã!
(Lira dos vinte anos, 2000.)
O poema apresenta características que permitem situá-lo
Solitário
Augusto dos Anjos
Como um fantasma que se refugia
Na solidão da natureza morta,
Por trás dos ermos túmulos, um dia,
Eu fui refugiar-me à tua porta!
Fazia frio e o frio que fazia
Não era esse que a carne nos contorta...
Cortava assim como em carniçaria
O aço das facas incisivas corta!
Mas tu não vieste ver minha Desgraça!
E eu saí, como quem tudo repele,
- Velho caixão a carregar destroços -
Levando apenas na tumba carcaça
O pergaminho singular da pele
E o chocalho fatídico dos ossos!
O poema apresenta as seguintes marcas parnasianas e simbolistas, respectivamente:
TEXTO:
Idade madura
As lições da infância
desaprendidas na idade madura.
Já não quero palavras
nem delas careço.
5 Tenho todos os elementos
ao alcance do braço.
Todas as frutas
e consentimentos.
Nenhum desejo débil.
10 Nem mesmo sinto falta
do que me completa e é quase sempre melancólico.
[...]
Idade madura em olhos, receitas e pés, ela me invade
com sua maré de ciências afinal superadas.
Posso desprezar ou querer os institutos, as lendas,
15 descobri na pele certos sinais que aos vinte anos não
[via.
Eles dizem o caminho,
embora também se acovardem
em face a tanta claridade roubada ao tempo.
Mas eu sigo, cada vez menos solitário,
20 em ruas extremamente dispersas,
transito no canto do homem ou da máquina que roda,
aborreço-me de tanta riqueza, jogo-a toda por um
[número de casa,
e ganho.
ANDRADE, Carlos Drummond de. Idade madura. In: Reunião: 10 livros de poesia. 2. ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 1971. p. 121-123.O poema apresenta
Leia o poema a seguir para responder à questão.
Poema
A poesia está guardada nas palavras - é tudo que eu sei.
Meu fado é o de não saber quase tudo.
Sobre o nada eu tenho profundidades.
Não tenho conexões com a realidade.
Poderoso para mim não é aquele que descobre ouro.
Para mim poderoso é aquele que descobre as
Insignificâncias (do mundo e as nossas).
Por essa pequena sentença me elogiaram de imbecil.
Fiquei emocionado e chorei.
Sou fraco para elogios.
O poema apresenta
Leia o fragmento poético a seguir para responder à questão.
Minha bela Marília, tudo passa;
A sorte deste mundo é mal segura;
Se vem depois dos males a ventura,
Vem depois dos prazeres a desgraça.
Estão os mesmos deuses
Sujeitos ao poder do ímpio Fado:
Apolo já fugiu do céu brilhante,
Já foi pastor de gado.
[...]
Que havemos d'esperar, Marília bela?
Que vão passando os florescentes dias?
As glórias, que vêm tarde, já vêm frias;
Ah! Não, minha Marília,
Aproveite-se o tempo, antes que faça
O estrago de roubar ao corpo as forças,
E ao semblante a graça.
O poema apresenta
Frieza
Os teus olhos são frios como as espadas,
E claros como os trágicos punhais;
Têm brilhos cortantes de metais
E fulgores de lâminas geladas.
[5] Vejo neles imagens retratadas
De abandonos cruéis e desleais,
Fantásticos desejos irreais,
E todo o oiro e o sol das madrugadas!
Mas não te invejo, Amor, essa indiferença,
[10] Que viver neste mundo sem amar
É pior que ser cego de nascença!
Tu invejas a dor que vive em mim!
E quanta vez dirás a soluçar:
“Ah! Quem me dera, Irmã, amar assim...”
O poema acima, de Florbela Espanca, está inserido num contexto da Literatura Portuguesa denominado Interregno. As alternativas abaixo trazem informações sobre a produção dessa poetisa e sobre esse contexto literário em que sua obra se insere, mas uma das alternativas é INCORRETA. Identifique-a:
Leia com atenção:
ALDA
Alva, do alvor das límpidas geleiras,
desta ressumbra candidez de aromas...
Parece andar em nichos e redomas
de Virgens medievais que foram freiras.
Alta, feita no talhe das palmeiras,
e coma de ouro, com o cetim das comas,
branco esplendor de faces e de pomas,
lembra ter asas e asas condoreiras.
Pássaros, astros, cânticos, incensos
formam-lhe auréolas, sóis, nimbos imensos
em torno à carne virginal e rara.
Alda faz meditar nas monjas alvas,
salvas do Vício e do Pecado salvas,
amortalhadas na pureza clara.
O poema acima, de Cruz e Souza, é representante do __________________, cujas características notadas são _________________ e ________________. A alternativa que completa de forma correta as lacunas é
A Ingaia Ciência A madureza, essa terrível prenda que alguém nos dá, raptando-nos, com ela, todo sabor gratuito de oferenda sob a glacialidade de uma estela, a madureza vê, posto que a venda interrompa a surpresa da janela, o círculo vazio, onde se estenda, e que o mundo converte numa cela. A madureza sabe o preço exato dos amores, dos ócios, dos quebrantos, e nada pode contra sua ciência e nem contra si mesma. O agudo olfato, o agudo olhar, a mão, livre de encantos, se destroem no sonho da existência.
O poema acima, de Carlos Drummond de Andrade, está em Claro Enigma. Dele pode-se afirmar que
Analise o fragmento de um poema, transcrito abaixo.
Quero que a estrofe cristalina
dobrada ao jeito,
do ourives, saia da oficina
sem um defeito:
E horas sem conta passo, mudo,
o olhar atento,
A trabalhar, longe de tudo,
o pensamento.
Porque o escrever – tanta perícia,
tanta requer,
que ofício tal... nem há notícia
de outra qualquer.
(Olavo Bilac. Poesias. São Paulo: Martin Claret, 2002.).
O poema acima se insere na produção poética do Parnasianismo. Esse período teve, como uma de suas concepções nucleares, o culto da ‘arte pela arte’, ou ‘a arte com fim em si mesma’. Tal concepção da poesia parnasiana se revela no poema acima:
“O último poema
Assim eu quereria o meu último poema
Que fosse terno dizendo as coisas mais simples e menos intencionais
Que fosse ardente como um soluço sem lágrimas
Que tivesse a beleza das flores quase sem perfume
A pureza da chama em que se consomem os diamantes mais límpidos
A paixão dos suicidas que se matam sem explicação.”
Manuel Bandeira. Libertinagem. 1930.
O poema acima se caracteriza como