Sua carreira literária começou em 1932, com a publicação de Fantoches, livro de contos. Sua popularidade, porém, chegou no ano seguinte, com Clarissa [...]. Nascia o grande contador de histórias da literatura brasileira que permanece, até hoje, como um dos mais lidos autores nacionais [...]. O grande projeto da segunda fase de seus romances foi investigar a relação entre o presente degradado por crises e revoluções e o passado marcado
pelo heroísmo do povo gaúcho na defesa de seu território.
O excerto apresentado faz referência a qual autor da literatura brasileira?
“Bahia de Todos os Santos, 1950. Um bando de meninos abandonados incomoda a sociedade. São chamados Capitães da Areia, porque o cais é o seu quartel general. Pedro Bala, o temido líder dos Capitães da Areia, é caçado como o pior dos bandidos, mas, na verdade, não passa de um adolescente livre nas ruas.”
(Blog livrespensantes).O excerto acima, que se refere à obra de Jorge Amado, retrata um quadro social brasileiro
Habituados a opor o humanismo à Idade Média, supomos muitas vezes que a adesão ao novo sistema implicou o repúdio do outro. O classicismo não apareceu por súbita revelação; cresceu entre a vegetação luxuriante do pensamento medieval. Os modos característicos do pensamento da Idade Média persistem por muito tempo durante o Renascimento.
(Johan Huizinga. O declínio da Idade Média, 1978. Adaptado.)
O excerto
Há tantos diálogos
Diálogo com o ser amado
o semelhante o diferente
o indiferente o oposto
o adversário o surdo-mudo
o possesso o irracional
o vegetal o mineral
o inominado
Diálogo consigo mesmo
com a noite
os astros
os mortos
as ideias
o sonho
o passado
o mais que futuro
Escolhe teu diálogo
e
tua melhor palavra
ou
teu melhor silêncio
Mesmo no silêncio e com o silêncio
dialogamos.
(Carlos Drummond de Andrade. Discurso de primavera e algumas sombras, 1977.)O eu lírico, ao mostrar as variedades do diálogo, revela queeste
Leia o poema do escritor português Fernando Pessoa para responder à questão.
Às vezes, em sonho triste
Nos meus desejos existe
Longinquamente um país
Onde ser feliz consiste
Apenas em ser feliz.
Vive-se como se nasce
Sem o querer nem saber.
Nessa ilusão de viver
O tempo morre e renasce
Sem que o sintamos correr.
O sentir e o desejar
São banidos dessa terra.
O amor não é amor
Nesse país por onde erra
Meu longínquo divagar.
Nem se sonha nem se vive:
É uma infância sem fim.
Parece que se revive
Tão suave é viver assim
Nesse impossível jardim.
O eu lírico recorre a uma construção paradoxal em:
Leia os versos de Cecília Meireles, extraídos do poemaEpigrama n.º 8.
Encostei-me a ti, sabendo bem que eras somente onda.
Sabendo bem que eras nuvem, depus a minha vida em ti.
Como sabia bem tudo isso, e dei-me ao teu destino frágil,
fiquei sem poder chorar, quando caí.
O eu lírico reconhece que a pessoa em quem depôs sua vida representava
Notícias
Entre mim e os mortos há o mar
e os telegramas.
Há anos que nenhum navio parte
nem chega. Mas sempre os telegramas
frios, duros, sem conforto.
Na praia, e sem poder sair.
Volto, os telegramas vêm comigo.
Não se calam, a casa é pequena
para um homem e tantas notícias.
Vejo-te no escuro, cidade enigmática.
Chamas com urgência, estou paralisado.
De ti para mim, apelos,
de mim para ti, silêncio.
Mas no escuro nos visitamos.
Escuto vocês todos, irmãos sombrios.
No pão, no couro, na superfície
macia das coisas sem raiva,
sinto vozes amigas, recados
furtivos, mensagens em código.
Os telegramas vieram no vento.
Quanto sertão, quanta renúncia atravessaram!
Todo homem sozinho devia fazer uma canoa
e remar para onde os telegramas estão chamando.
(Poesia 1930-62. São Paulo, Cosac Naif, 2012)O eu lírico expressa um sentimento de impotência, o qual se evidencia no verso
TEXTO
Aos vícios
Eu sou aquele que os passados anos
Cantei na minha lira maldizente
Torpezas do Brasil, vícios e enganos.
E bem que os descantei bastantemente,
[5] Canto segunda vez na mesma lira
O mesmo assunto em pletro diferente.
Já sinto que me inflama e que me inspira
Tália, que anjo é da minha guarda
Des que Apolo mandou que me assistira.
[10] De que pode servir calar quem cala?
Nunca se há de falar o que se sente?!
Sempre se há de sentir o que se fala.
Qual homem pode haver tão paciente,
Que, vendo o triste estado da Bahia,
[15] Não chore, não suspire e não lamente?
O néscio, o ignorante, o inexperto,
Que não elege o bom, nem mau reprova,
Por tudo passa deslumbrado e incerto.
E quando vê talvez na doce treva
[20] Louvado o bem, e o mal vituperado,
A tudo faz focinho, e nada aprova.
Diz logo prudentaço e repousado:
— Fulano é um satírico, é um louco,
De língua má, de coração danado.
[25] Se souberas falar, também falaras,
Também satirizaras, se souberas,
E se foras poeta, poetizaras.
A ignorância dos homens destas eras
Sisudos faz ser uns, outros prudentes,
[30] Que a mudez canoniza bestas feras.
Há bons, por não poder ser insolentes,
Outros há comedidos de medrosos,
Não mordem outros não — por não ter dentes.
Quantos há que os telhados têm vidrosos,
[35] e deixam de atirar sua pedrada,
De sua mesma telha receosos?
Uma só natureza nos foi dada;
Não criou Deus os naturais diversos;
Um só Adão criou, e esse de nada.
[40] Todos somos ruins, todos perversos,
Só os distingue o vício e a virtude,
De que uns são comensais, outros adversos.
Quem maior a tiver, do que eu ter pude,
Esse só me censure, esse me note
[45] Calem-se os mais, chitom, e haja saúde.
MATOS, Gregório de. Aos vícios. Disponível em: . Acesso em: 19 out. 2017.O eu lírico do poema, ao autoanalisar-se como poeta, se
Leia o poema de Cecília Meirelles para responder a questão.
Motivo
Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta.
Irmão das coisas fugidias,
não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
no vento.
Se desmorono ou se edifico,
se permaneço ou me desfaço,
− não sei, não sei. Não sei se fico
ou passo.
Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno a asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo:
− mais nada.
O eu lírico do poema define a si mesmo
O Assinalado
Tu és o louco da imortal loucura,
O louco da loucura mais suprema.
A Terra é sempre a tua negra algema,
Prende-te nela a extrema Desventura.
Mas essa mesma algema de amargura,
Mas essa mesma Desventura extrema
Faz que tu’alma suplicando gema
E rebente em estrelas de ternura.
Tu és o Poeta, o grande Assinalado
Que povoas o mundo despovoado,
De belezas eternas, pouco a pouco...
Na Natureza prodigiosa e rica
Toda a audácia dos nervos justifica
Os teus espasmos imortais de louco!
(Cruz e Souza. Últimos sonetos, 2002.)O eu lírico concebe que