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“Morreu a senhora do construtor, na casa ali em frente, de duas janelas e alpendre modesto, onde sobem trepadeiras. Morreu ontem. E hoje pela manhã, antes de se completarem vinte e quatro horas, foi o enterro. Os autos vieram chegando um a um, despejando homens de preto, alguns sérios, outros despreocupados ou aborrecidos, e entre eles um que ria contando ao companheiro uma história picante. Crianças enchiam a rua. Nas casas próximas, mulheres se debruçavam à janela, para ver melhor. Fora, os autos manobravam tomando posição, para alegria dos garotos, que se enterneciam com a simples proximidade dos pneumáticos”.

(ANDRADE, Carlos Drummond de. “Enterro na rua pobre”, in:Confissões de Minas.)

A respeito de aspectos referentes à construção do texto, pode-se dizer que:

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A quantidade de anagramas da palavra CANUTAMA é:

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A palavra entre parênteses NÃO preenche de modo CORRETO a lacuna da frase em:

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Foi no dia 13 de maio de 1881 que nasceu Afonso Henriques de Lima Barreto. Nos mesmos dia e mês da abolição da escravidão no Brasil, mas exatos sete anos antes. Aí estava uma coincidência de datas que para o futuro escritor faria toda a diferença: a ideia de liberdade significava um divisor de águas não só para a história do país como para o projeto libertário que Lima pretendeu realizar. Segundo ele, o fim do cativeiro e a conquista da liberdade eram troféus difíceis de guardar, sobretudo numa nação que admitiu escravos em todo o seu território durante quatro longos séculos. A data de nascimento no caso dele era, portanto, mero acaso; mas, quem sabe, premonição.

Maio era também conhecido como o mês das flores; o mês sagrado para a poesia, conforme o futuro escritor gostava de lembrar. O dia 13 caiu numa sexta-feira; dia de sorte para alguns (e Lima sempre pensou dessa maneira), de azar para outros. O menino viria ao mundo numa casa modesta de Laranjeiras, arrabalde do Rio de Janeiro. O nome da rua, diz a lenda, vinha do rio Ipiranga: aquele em que d. Pedro I decretou a independência e fundou o Império.

(Do livro “Lima Barreto: triste visionário”, de Lilia Moritz Schwarcz, p. 21. Texto adaptado.)

A palavra “arrabalde” (constante do segundo parágrafo), tem o significado de:

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Leia o texto abaixo, início da crônica “Um dia na vida de um chapéu”, de Domingos Pellegrini (São Paulo: Ática, 2006):

“O homem chega em casa e não deixa o chapéu no cabide, fala que vai deixar de usar chapéu. A mulher se espanta:
– Por quê? Desde mocinho você usa, continuou a usar quando todo mundo deixou, e agora...
– Tá virando moda – ele olha com nojo o chapéu. – Os chapéus estão voltando! Vi um sujeito de chapéu outro dia, jovem demais pra ser do tempo do chapéu, e depois vi outro, mais outro, aí perguntei numa loja, o vendedor falou ah, chapéu voltou a vender bem.
A clientela chapeleira, conforme o vendedor, vinha diminuindo ano a ano, morrendo; mas, agora, jovens e até adolescentes começam a usar chapéu, inclusive mulheres”.

A linguagem oral se diferencia da linguagem escrita por várias marcas de espontaneidade, o que o texto acima procura reproduzir. No caso, uma das marcas da oralidade que nele se observa é a seguinte:

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A oferta do Diabo veio por e-mail, de sorte que nem vi a sua cara. Ele procurou na internet pessoas dispostas a trocar sua alma pelo que quisessem. Respostas para 666belzebu.com. A pessoa empenhava sua alma ao Diabo para entregar na saída, e em troca poderia pedir qualquer coisa. Mas só uma coisa.
Pensei imediatamente no Internacional. Está certo, primeiro pensei na Vera Fischer, mas aí achei que daria confusão. Em seguida pensei no Internacional. Um campeonato? Mas concluí que estava sendo egoísta. Pensei também em pedir... Dúvida total. Depois concluí que deveria pedir, pela minha alma, algo que desse alegria a todos. O quê? Quero que o Brasil se transforme num país escandinavo. Agora! Um país organizado, sem crime, sem fome, sem injustiça, sem conflitos, magnificamente chato. Era isso: minha alma por um país aborrecido!
Foi o que botei no meu e-mail para o Diabo. Ele respondeu perguntando se eu tinha pensado bem no que eu estava pedindo em troca da minha alma. Eu deveria saber que a adaptação seria difícil. Era mesmo o que eu queria? É, respondi. Chega desta irresponsabilidade tropical, desta indecência social disfarçada de bonomia, desta irresolução criminosa que passa por afabilidade, desta eterna mania de atrasar tudo. Faça-nos escandinavos, já!
O Diabo: “Tem certeza? Já?”
Eu: “Bom... Depois do carnaval”.

A linguagem oral se diferencia da linguagem escrita por várias marcas de espontaneidade, o que o texto acima procura reproduzir. No caso, é marca de oralidade:

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Sobre o frei Gaspar de Carvajal, que foi o cronista da expedição de Francisco Orellana, no século XVI, pesa a acusação de ter “inventado” as amazonas. Entretanto, o documento que produziu parece-nos possuir, nas demais partes, o mérito de ser um relato fiel dos costumes dos índios da região antes que a colonização os modificasse. A situação é diferente do que se observa na atualidade, pois esses cronistas de hoje, não se pode confiar neles.

A figura de sintaxe ou de construção que se observa no último período do texto acima se chama:

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Leia o texto a seguir:

A moderna ciência começou com as Grandes Navegações, quando a Europa finalmente se permitiu despertar do longo sono medieval. Um filósofo britânico escreveu, em 1925, que, no ano de 1500, a Europa sabia menos do que na época de Arquimedes, que morreu em 212 a.C. Embora hoje em dia esse comentário seja considerado um pouco exagerado, podemos com certeza dizer que, mesmo depois de muitos séculos, os europeus estavam recuperando-se rapidamente do atraso.
Cientistas modernos aplicam-se ao entendimento de questões que surpreenderiam os homens daquela época, como a teoria das cordas, por exemplo. Quando propuseram-na, parecia mera fantasia, mas hoje... Podemos aguardá-la como uma verdade? Verificar-se-á o contrário? (MADEIRA, Mauro Manoel. Lições de Física. Editora Travessia, p. 89.)

A colocação do pronome oblíquo NÃO se justifica em:

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Leia o texto a seguir:

"1 – Se alguém enganar a outrem, difamando esta pessoa, e este outrem não puder provar, então aquele que enganou deve ser condenado à morte;

14 – Se alguém roubar o filho menor de outrem, este alguém deve ser condenado à morte;

21 – Se alguém arrombar uma casa, ele deverá ser condenado à morte na frente do local do arrombamento e ser enterrado;

48 – Se alguém tiver um débito de empréstimo e uma tempestade prostrar os grãos ou a colheita for ruim, ou os grãos não crescerem por falta d’água, naquele ano a pessoa não precisa dar ao seu credor dinheiro algum. Ele deve lavar sua tábua de débito na água e não pagar aluguel naquele ano;

129 – Se a esposa de alguém for surpreendida em flagrante com outro homem, ambos devem ser amarrados e jogados dentro d’água, mas o marido pode perdoar a sua esposa, assim como o rei perdoa a seus escravos."

Os preceitos legais, acima expressos, pertencem ao Código (de):

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TEXTO 3

Disfarçando o ressentimento, fingindo indiferença, o pajé quer saber que remédio

Noel deu à índia. O intérprete traduz, pedindo desculpas: espera que o doutor não se

ofenda com o pedido, afinal não é obrigado a revelar os seus segredos. Mas o bonachão

Noel não se faz de rogado; tira da maleta um frasco com penicilina e entrega-o ao pajé –

tome, é presente. O índio pega com cautela o frasco, examina com atenção o conteúdo.

É um pó branco. A aparência é inocente, mas o pajé não tem dúvida: ali está

concentrada uma tremenda energia, uma energia superior à de todas as suas plantas,

todas as suas rezas, todas as suas fumigações. E como sabe disso? Por causa da

brancura, aquela implacável brancura. O pajé é obrigado a admitir: nunca viu algo tão

branco. A lua não é tão branca quanto esse pó, as nuvens não são tão brancas quanto

esse pó. A carne de peixe (e de peixe o pajé gosta muito, pagam-lhe em peixe muitas

curas, peixinhos pequenos no caso de doenças pouco graves, peixes grandes quando

recupera moribundos, e há um enorme peixe, capaz até de engolir uma pessoa, reservado

para o grande milagre que ainda fará, ressuscitando um morto) não é tão branca. Nem o

homem branco é tão branco, porque os brancos na verdade não são brancos, uns são

morenos, outros mulatos, e Noel, a pele de Noel é rosada. O branco do olho talvez seja

quase tão branco quanto esse pó – mas quem dá importância ao branco do olho? Para o

pajé, o branco do olho nada diz, a não ser quando se tinge de amarelo, o que é mau

sinal, sinal de doença grave.

SCLIAR, Moacyr. A Majestade do Xingu, São Paulo: Companhia das Letras, 2009, pp. 113 e 114.

Em relação à oração “pagam-lhe em peixe muitas curas” (linhas 11 e 12), assinale a alternativa incorreta quanto à regência verbal.