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O cartunista e jornalista Henfil (1944-1988) se notabilizou pela construção de um humor marcado pela ironia e pelo cinismo. Graúna é um dos seus cartuns publicado em O Pasquim.

Com base no desfecho irônico proposto sobre a capacidade das populações analfabetas escolherem os seus líderes políticos por meio do voto, depreende-se que:

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Texto 1

EURICÃO – Ai, gritaram “Pega o ladrão!”. Quem foi? Onde está? Pega, pega! Santo

Antônio, Santo Antônio, que diabo de proteção é essa? Ouvi gritar “Pega o ladrão!”. Ai, a

porca, ai meu sangue, ai minha vida, ai minha porquinha do coração! Levaram, roubaram!

Ai, não, está lá, graças a Deus! Que terá havido, minha Nossa Senhora? Terão

desconfiado porque tirei a porca do lugar? Deve ter sido isso, desconfiaram e começaram

a rondar para furtá-la! É melhor deixá-la aqui mesmo, à vista de todos, assim ninguém lhe

dará importância! Ou não? Que é que eu faço, Santo Antônio? Deixo a porca lá, ou trago-a

para aqui, sob sua proteção? Desde que ela saiu daqui que começaram as ameaças! É

melhor trazê-la. Com a capa, porque alguém pode aparecer. Santo Antônio, faça com que

não apareça ninguém! Não deixe ninguém entrar aqui. Vou buscar minha porquinha, mas

não quero ninguém aqui.

SUASSUNA Ariano. O santo e a porca. 30a ed. José Olympio. RJ 2015, pp.97 e 98.

Analise as proposições em relação à obra O santo e a porca, Ariano Suassuna, e ao Texto 1, e assinale (V) para verdadeira e (F) para falsa.

( ) No sintagma “Vou buscar minha porquinha, mas não quero ninguém aqui” (linhas 10 e 11) tem-se período composto por coordenação - uma oração assindética e outra sindética adversativa, e ambas têm sujeito simples desinencial.

( ) No período “É melhor deixá-la aqui mesmo, à vista de todos” (linha 6) o acento indicador da crase é justificado por ser a expressão destacada uma locução prepositiva, formada por palavra feminina.

( ) No sintagma verbal “Desde que ela saiu daqui que começaram as ameaças” (linha 8) a palavra destacada pode ser excluída sem que ocorra alteração de sentido no período, pois é uma partícula expletiva.

( ) Da leitura do período “Que é que eu faço, Santo Antônio? Deixo a porca lá, ou trago-a para aqui, sob sua proteção” (linhas 7 e 8), infere-se uma pseudo imagem de Euricão, pois o seu sentimento religioso é tragado pela idolatria ao dinheiro.

( ) A leitura do período “Terão desconfiado porque tirei a porca do lugar” (linhas 4 e 5) leva o leitor a inferir que a personagem principal, Euricão, vivia constantemente trocando a porca de lugar por insegurança, por não conseguir confiar nas pessoas que conviviam com ele.

Assinale a alternativa que contém a sequência correta, de cima para baixo.

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Texto 4

A vendola do pai reúne o mundo do lugarejo. Homens rudes vêm abancar-se ali,

lagartear, beber uma pinga, comprar gêneros, conversar, reclamar das dificuldades,

mercadejar, saber das novidades, tão poucas. Agora, é a revolução que os apaixona.

À luz do lampião de querosene, ao escorrer vagaroso da noite, ele escuta

fantásticos causos de gigantes, de milagres, de Ti’ Adão, de Jacinto Silva, do pretão

morto, mais de três metros, que atocaiava as pessoas, lendas e histórias, um imaginário

popular que o iria marcar, cabeceia, o pai o cutuca, vai deitar rapaz, reluta, depois vai.

Fica escutando, as vozes lhe chegam distantes, mais, vão sumindo, depois tem sonhos

confusos em que realidade e fantasia se fundem, o envolvem, ele flutua numa névoa

leitosa e densa, braceja, quer avançar, não pode, ali adiante se misturam figuras do dia a

dia, narrativas da terra distante que a mãe lhe repetia, procura reviver aquele Líbano

longínquo, a viagem de navio, antes ainda, o vilarejo perdido, avança, a parada na África,

depois em Marselha, ou seria antes? Agora o fragor da batalha, os embates, a

cavalgada, ele e a montaria, o tiro seco, a queda, o estrebuchar. O cenário se modifica. A

galharia da floresta que o açoita, corre, corre, cansado, quer fugir, se refugiar. Onde?

Adormece, um sono pesado, sem sonhos.

MIGUEL, Salim. Outubro, 1930 in Melhores contos. Editora Global, São Paulo,2009, pp. 44e 45

Assinale a alternativa incorreta em relação ao conto Outubro, 1930, Salim Miguel, e ao Texto 4.

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TEXTO 3

Disfarçando o ressentimento, fingindo indiferença, o pajé quer saber que remédio

Noel deu à índia. O intérprete traduz, pedindo desculpas: espera que o doutor não se

ofenda com o pedido, afinal não é obrigado a revelar os seus segredos. Mas o bonachão

Noel não se faz de rogado; tira da maleta um frasco com penicilina e entrega-o ao pajé –

tome, é presente. O índio pega com cautela o frasco, examina com atenção o conteúdo.

É um pó branco. A aparência é inocente, mas o pajé não tem dúvida: ali está

concentrada uma tremenda energia, uma energia superior à de todas as suas plantas,

todas as suas rezas, todas as suas fumigações. E como sabe disso? Por causa da

brancura, aquela implacável brancura. O pajé é obrigado a admitir: nunca viu algo tão

branco. A lua não é tão branca quanto esse pó, as nuvens não são tão brancas quanto

esse pó. A carne de peixe (e de peixe o pajé gosta muito, pagam-lhe em peixe muitas

curas, peixinhos pequenos no caso de doenças pouco graves, peixes grandes quando

recupera moribundos, e há um enorme peixe, capaz até de engolir uma pessoa, reservado

para o grande milagre que ainda fará, ressuscitando um morto) não é tão branca. Nem o

homem branco é tão branco, porque os brancos na verdade não são brancos, uns são

morenos, outros mulatos, e Noel, a pele de Noel é rosada. O branco do olho talvez seja

quase tão branco quanto esse pó – mas quem dá importância ao branco do olho? Para o

pajé, o branco do olho nada diz, a não ser quando se tinge de amarelo, o que é mau

sinal, sinal de doença grave.

SCLIAR, Moacyr. A Majestade do Xingu, São Paulo: Companhia das Letras, 2009, pp. 113 e 114.

Assinale a alternativa incorreta em relação à obra A Majestade do Xingu, Moacyr Scliar,e ao Texto 3.

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É isso. Na loja, caminho sobre mortos. Sobre caveiras e vértebras, sobre fêmures e costelas, sobre perônios e falanges. Sobre sonhos e terrores. Não só eu, claro: quem sabe do mal que se esconde sob o assoalho das casas brasileiras? Ninguém sabe, a ninguém ocorreu tal pergunta. Mas eu – o judeuzinho russo que atravessou o Atlântico no Madeira, o homem que aqui casou e aqui teve um filho -, eu tinha de me fazer essas indagações. Eu tinha de fazer sondagens imaginárias no chão que outros pisam sem maiores problemas. Eu tinha de me meter em perigosas, ainda que teóricas, prospecções. E o que me sugeriam tais especulações? Coisas assustadoras, coisas de desestabilizar o mais cético dos mortais.

Os cadáveres ali enterrados não se haviam, sem resistência, despojado da carne que envolvia seus ossos; no processo, sutil fluido exsudara dos corpos, fluido esse que durante décadas, séculos talvez, impregnara e saturara a terra. Um dia essa terra é violentada; um cano d’água nela é introduzido. Presença afrontosa, mas não invulnerável; mesmo canos enferrujam, sobretudo canos em terra sacra. Pertuitos minúsculos neles se abrem. São causa de vazamentos, causa de excesso na conta d’água, mas são causa de um fenômeno ainda mais perturbador.

SCLIAR, Moacyr. A Majestade do Xingu, São Paulo: Companhia das Letras, 2009 p.176

Assinale a alternativa incorreta em relação à obra A Majestade do Xingu, Moacyr Scliar, e ao Texto 1.

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TEXTO 4

A PARTE BOA ERA LU.

TENTOU ESCOLA.

DOIS DIAS.

NO TERCEIRO,

SE JOGOU NO CHÃO.

NEM ARRASTADO.

JÁ NÃO FALAVA,

DESCONFIARAM:

ELE ESTAVA COM

ALGUM PROBLEMA.

SÓ PODIA SER A MÃE.

FUGIU DALI.

ISSO DÁ PROBLEMA,

MÃE FUGIR.

TODO MUNDO ACHA.

PROBLEMA CERTO.

CLARO QUE É.

MAS TINHA MAIS.

LU PODIA NÃO FALAR,

MAS COMPUTAVA.

E A MÃE LEVOU O NOTE.

ESTÁ CERTO.

RUIM, MÃE IR.

MAS LU POUCO A VIA.

ERA CHEGADA

A UMA BALADA.

ALI, NO MEIO DO NADA.

QUEM CUIDAVA DELE

ERA O PAI.

SEMPRE FOI.

SEM A MÃE, FOI RUIM.

SEM O NOTE, FOI PIOR.

DAÍ QUEREREM

UMA BABÁ.

PRESENÇA FEMININA.

PODIA AJUDAR.

E CHAMARAM CARLA.

VIGNA, Elvira. Vitória Valentina.1ª. ed. Rio de Janeiro: Lamparina, 2016.

Analise as proposições em relação à obra Vitória Valentina, Elvira Vigna, e ao Texto 4.

I. Pela leitura do excerto infere-se que é unânime pensar que a presença da mãe é fundamental para o desenvolvimento e o equilíbrio da criança, assim Carla foi chamada para minimizar a ausência da figura materna.

II. Da leitura do texto, infere-se que Lu não era apenas mimado, mas também tímido e reservado, pois usava o note para fazer seus registros.

III. Em: “MAS LU POUCO A VIA” se o pronome destacado for substituído por LHE, ocorre transgressão quanto à regência do verbo VER.

IV. Infere-se da leitura da obra que a personagem Carla simboliza a liberdade porque, ao invés de casar com Stan (um homem rico), prefere ficar sozinha, livre e cuidar da própria vida.

V. Em: “TODO MUNDO ACHA” ao se acrescentar o vocábulo O antes da palavra MUNDO, ocorre mudança de significado na expressão.

Assinale a alternativa correta. TEXTO 4

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Analise as proposições em relação ao conto O coração de Alzira, Caio Fernando Abreu.

I. Nos períodos “Ela era toda grande, de mãos e pés e olhos e busto” e “toda concentrada no desejo de ser pequena e má e vil e mesquinha” a repetição da palavra e, em relação à figura de linguagem, constitui polissíndeto.

II. Da leitura dos sintagmas “Não tinha em que nem como se concentrar” e “Era tão pobre. Tão”, é perceptível a crise de identidade da personagem Alzira diante da nulidade e do vazio em que se encontra.

III. Na oração “Vagou inquieta pelo quarto”, quanto à sintaxe, tem-se sujeito simples desinencial, predicado verbo nominal, predicativo do sujeito e adjunto adverbial de lugar.

IV. Na oração “Se fumasse, acenderia agora um cigarro” os verbos destacados estão flexionados, sequencialmente, no pretérito imperfeito do subjuntivo e no futuro do pretérito do indicativo, estas formas são usadas para discorrer sobre uma ação, que poderá ou não ocorrer, dependendo de determinada condição.

V. Na estrutura “assim ficava tão solta” se a expressão destacada for substituída por a esmo a coerência e o sentido no texto são mantidos, embora ocorra um desvio à norma culta, quanto à concordância nominal, pois a primeira expressão está no gênero feminino e a segunda no masculino.

Assinale a alternativa correta.

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Texto 1

EURICÃO – Ai, gritaram “Pega o ladrão!”. Quem foi? Onde está? Pega, pega! Santo

Antônio, Santo Antônio, que diabo de proteção é essa? Ouvi gritar “Pega o ladrão!”. Ai, a

porca, ai meu sangue, ai minha vida, ai minha porquinha do coração! Levaram, roubaram!

Ai, não, está lá, graças a Deus! Que terá havido, minha Nossa Senhora? Terão

desconfiado porque tirei a porca do lugar? Deve ter sido isso, desconfiaram e começaram

a rondar para furtá-la! É melhor deixá-la aqui mesmo, à vista de todos, assim ninguém lhe

dará importância! Ou não? Que é que eu faço, Santo Antônio? Deixo a porca lá, ou trago-a

para aqui, sob sua proteção? Desde que ela saiu daqui que começaram as ameaças! É

melhor trazê-la. Com a capa, porque alguém pode aparecer. Santo Antônio, faça com que

não apareça ninguém! Não deixe ninguém entrar aqui. Vou buscar minha porquinha, mas

não quero ninguém aqui.

SUASSUNA Ariano. O santo e a porca. 30a ed. José Olympio. RJ 2015, pp.97 e 98.

Analise as proposições em relação à obra O santo e a porca, Ariano Suassuna, e ao Texto 1.

I. Da leitura da oração “Que terá havido, minha Nossa Senhora?” (linha 4), deduz-se que Euricão duvida da proteção da Santa à porca, pois seu santo de devoção era apenas Santo Antônio.

II. A leitura do texto leva o leitor a inferir que a repetição das expressões “Ai” e “ai”, entre as linhas 2 e 4, denota a excessiva frequência que Euricão apelava a tudo para manter segura a porca – seu tesouro.

III. Quanto à colocação pronominal na oração “assim ninguém lhe dará importância” (linhas 6 e 7) a próclise é justificada pela presença do pronome indefinido; assim a próclise também deveria ocorrer em “ou trago-a para aqui” (linhas 7 e 8), pois a palavra que antecede o verbo também é atrativa.

IV. A expressão “Pega o ladrão” (linhas 1 e 2) está entre aspas para justificar a fala das personagens que queriam parodiar Euricão.

V. Na oração “Não deixe ninguém entrar aqui” (linha 10) as palavras destacadas são, quanto à morfossintaxe, advérbio/adjunto adverbial; pronome/sujeito e advérbio/adjunto adverbial, sequencialmente.

Assinale a alternativa correta.

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Analise o poema abaixo:

A um historiador

Vós que louvais o passado,

que tendes explorado a face exterior,

a superfície das gentes,

o lado da vida que se exibiu,

que tendes tratado o homem

como uma criatura de políticos,

agregados, governantes e pregadores,

eu, habitante dos Alegânis,

tratando-o tal como em si mesmo

é ele em seus próprios direitos,

tomando o pulso da vida que raramente se exibe

(o fundo orgulho do homem consigo mesmo),

Cantor da Pessoa Humana,

delineando o que ela ainda está por ser,

o que eu projeto é a história do futuro.

Whitman, Walt. Folhas de Relva. Seleção e tradução de Geir Campos. Ilustrações de Darcy Penteado. Ed. Civilização Brasileira. Rio de Janeiro, 1964. (tradução de Geir Campos)

Assinale a alternativa correta em relação ao poema A um historiador.

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Bati. Silêncio. Bati de novo, com mais força. Lá para dentro só o eco me respondeu ...

Enfiei a cabeça por um dos vidros quebrados e olhei para dentro. Para a direita e esquerda, bifurcadas, as escadas continuavam. Depois, também de um lado e doutro, pude ver um pequeno corredor. De novo, teias de aranha, aos montes, umas tecidas e abandonadas, outras por tecer, pendiam do teto, por onde raios de sol se filtravam levemente. Os raios desciam, escorregavam molemente pela parede, alguns se espojando no chão.

Madeira carcomida, sujeira, um forte cheiro de mofo. Reminiscências pareciam morar por todos os cantos, vozes ocultas de ancestrais retornados àquelas paragens se erguiam no silêncio.

Chamei, sem reconhecer minha voz:

- Ó de casa, ó de casa!

- “... de casaasa... ó deeee... saaaa” sons reboavam e me responderam.

Bati de novo, com mais força, pensando em entrar, invadir tudo, mordido por uma curiosidade insopitável.

MIGUEL, Salim. Velhice, dois in Melhores contos. Editora Gloal, São Paulo 2009, p.111

Assinale a alternativa correta em relação ao conto Velhice, dois, Salim Miguel, e ao Texto 2.