AprendiAprendi
LiteraturaUNITAU2016

Lenda brasileira

A moita buliu. Bentinho Jararaca levou a arma à cara: o que saiu do mato foi o Veado Branco! Bentinho ficou pregado no chão. Quis puxar o gatilho e não pôde.

- Deus me perdoe!

Mas o Cussaruim veio vindo, veio vindo, parou junto do caçador e começou a comer devagarinho o cano da espingarda.

Libertinagem. Manuel Bandeira.

No poema, quais procedimentos modernistas podemos perceber?

LiteraturaENEM2017

Sou um homem comum

brasileiro, maior, casado, reservista,

e não vejo na vida, amigo

nenhum sentido, senão

lutarmos juntos por um mundo melhor.

Poeta fui de rápido destino

Mas a poesia é rara e não comove

nem move o pau de arara.

Quero, por isso, falar com você

de homem para homem,

apoiar-me em você

oferecer-lhe meu braço

que o tempo é pouco

e o latifúndio esta aí matando

[...]

Homem comum, igual

a você,

[...]

Mas somos muitos milhões de homens

comuns

e podemos formar uma muralha

com nossos corpos de sonhos e margaridas.

FERREIRA GULLAR. Dentro da noite veloz. Rio de Janeiro: José Olympio, 2013 (fragmento).

No poema, ocorre uma aproximação entre a realidade social e o fazer poético, frequente no Modernismo. Nessa aproximação, o eu lírico atribui à poesia um caráter de

LiteraturaUEFS2010

TEXTO:

Idade madura

As lições da infância

desaprendidas na idade madura.

Já não quero palavras

nem delas careço.

5 Tenho todos os elementos

ao alcance do braço.

Todas as frutas

e consentimentos.

Nenhum desejo débil.

10 Nem mesmo sinto falta

do que me completa e é quase sempre melancólico.

[...]

Idade madura em olhos, receitas e pés, ela me invade

com sua maré de ciências afinal superadas.

Posso desprezar ou querer os institutos, as lendas,

15 descobri na pele certos sinais que aos vinte anos não

[via.

Eles dizem o caminho,

embora também se acovardem

em face a tanta claridade roubada ao tempo.

Mas eu sigo, cada vez menos solitário,

20 em ruas extremamente dispersas,

transito no canto do homem ou da máquina que roda,

aborreço-me de tanta riqueza, jogo-a toda por um

[número de casa,

e ganho.

ANDRADE, Carlos Drummond de. Idade madura. In: Reunião: 10 livros de poesia. 2. ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 1971. p. 121-123.

No poema, o sujeito lírico

LiteraturaUNIEVA2015

Leia o poema a seguir para responder à questão.

Canção

Pus o meu sonho num navio
E o navio em cima do mar;
- depois, abrio mar com as mãos,
Para o meu sonho naufragar.


Minhas mãos ainda estão molhadas
Do azul das ondas entreabertas,
E a cor que escorre de meus dedos
Colore as areias desertas.


O vento vem vindo de longe,
Anoite se curva de frio;
Debaixo da água vai morrendo
Meu sonho, dentro de um navio...


Chorarei quanto for preciso,
Para fazer com que o mar cresça,
E o meu navio chegue ao fundo
E o meu sonho desapareça.

MEIRELES, Cecília. Obra poética. Rio de Janeiro: J. Aguilar, 1958. p. 18.

No poema, o mar sobre o qual o sujeito lírico fala metaforiza a palavra

LiteraturaUNIVAG2020

Leia o poema para responder à questão.


Lamenta um desengano inesperado


Tenta em vão temerária conjectura
Sondar o abismo do invisível Fado,
Que, de umbrosos mistérios enlutado,
Some aos olhos mortais a luz futura:


Presumia (ai de mim!) vendo a ternura
Daquela, que me trouxe enfeitiçado,
Presumia que Amor tinha guardado
Nos braços do meu bem minha ventura:


Oh Terra! Oh Céu! Mentiram-me os brilhantes
Olhos seus, onde achei suave abrigo;
Quão fáceis de enganar são os amantes!


Humanos, que seguis as leis que sigo,
Vós, corações, que ao meu sois semelhantes,
Ah! Comigo aprendei, chorai comigo.

(Bocage. Sonetos completos de Bocage, 1995.)

No poema, o eu lírico traz como tema

LiteraturaUNIFESP2021

Leia o poema de Fernando Pessoa para responder à questão.


Cruz na porta da tabacaria!
Quem morreu? O próprio Alves? Dou
Ao diabo o bem-’star que trazia.
Desde ontem a cidade mudou.


Quem era? Ora, era quem eu via.
Todos os dias o via. Estou
Agora sem essa monotonia.
Desde ontem a cidade mudou.


Ele era o dono da tabacaria.
Um ponto de referência de quem sou.
Eu passava ali de noite e de dia.
Desde ontem a cidade mudou.


Meu coração tem pouca alegria,
E isto diz que é morte aquilo onde estou.
Horror fechado da tabacaria!
Desde ontem a cidade mudou.


Mas ao menos a ele alguém o via,
Ele era fixo, eu, o que vou,
Se morrer, não falto, e ninguém diria:
Desde ontem a cidade mudou.

(Obra poética, 1997.)

No poema, o eu lírico sente-se

LiteraturaUNIVAG2013

Importuna Razão, não me persigas

Importuna Razão, não me persigas;

Cesse a ríspida voz que em vão murmura,

Se a lei de Amor, se a força da ternura,

Nem domas, nem contrastas, nem mitigas.

Se acusas os mortais, e os não obrigas,

Se, conhecendo o mal, não dás a cura,

Deixa-me apreciar minha loucura;

Importuna Razão, não me persigas.

É teu fim, teu projeto encher de pejo

Esta alma, frágil vítima daquela

Que, injusta e vária, noutros laços vejo.

Queres que fuja de Marília bela,

Que a maldiga, a desdenhe; e o meu desejo

É carpir, delirar, morrer por ela.

(Poesia Arcádica, 1985.)

No poema, o eu lírico revela-se

LiteraturaUEA2013

Leia o poema Romance da piracema, em que o escritor Elson Farias, integrante do Clube da Madrugada, refere-se, como Tarsila do Amaral, à vida de pescadores.

Espumas de ardente brilho
era o verão que se abria.
Não há maior maravilha.
Ver o rio bem é ver
o rio vibrar de peixes.
De um lado ao outro as canoas
cruzam no centro os cardumes,
as tarrafas se desprendem
dos braços dos pescadores,
se desprendem como círculos
e voltam cheias de peixe.
Ah, a fartura infindável
desses dias de novembro!
Ter um peixe dentre os dedos
é sentir a vida inteira,
é como o abrir da janela
para o sol, a manhã vinda,
é como o acordar das trevas
de uma noite que não finda.
Há pescadores de nome
que nesse tempo se alargam
na fama que as bocas levam
de casa em casa. Os paneiros
se abarrotam e as panelas
trescalam de cheiro-verde,
ardem de pimenta e sal
todo dia nesses meses.

O rio brilha de peixes
como um bloco de alumínio,
[...]
É tempo de muito peixe,
fartura de festa, a fome
deixa o corpo de quem come.
Não há casa que não tenha
o fogão cheio de lenha,
em qualquer casa que se entre
há na trempe peixe-sempre.
Vale viver dia a dia
esses dias de alegria.

(www.antoniomiranda.com.br)

No poema, o eu lírico expressa sua

LiteraturaFACISB2016

Leia o poema de Luís de Camões para responder à questão

Tanto de meu estado me acho incerto
que, em vivo ardor, tremendo estou de frio;
sem causa, justamente choro e rio;
o mundo todo abarco e nada aperto.

É tudo quanto sinto um desconcerto;
da alma um fogo me sai, da vista um rio;
agora espero, agora desconfio,
agora desvario, agora acerto.

Estando em terra, chego ao Céu voando;
num´hora acho mil anos, e é jeito
que em mil anos não posso achar um´hora.

Se me pergunta alguém por que assi ando,
respondo que não sei; porém suspeito
que só porque vos vi, minha Senhora.
(Sonetos de Camões, 2007.)

No poema, o eu lírico diz estar

LiteraturaFAMEMA2018

Ao coração que sofre, separado

Do teu, no exílio em que a chorar me vejo,

Não basta o afeto simples e sagrado

Com que das desventuras me protejo.

Não me basta saber que sou amado,

Nem só desejo o teu amor: desejo

Ter nos braços teu corpo delicado,

Ter na boca a doçura de teu beijo.

E as justas ambições que me consomem

Não me envergonham: pois maior baixeza

Não há que a terra pelo céu trocar;

E mais eleva o coração de um homem

Ser de homem sempre e, na maior pureza,

Ficar na terra e humanamente amar.

(Melhores poemas, 2000.)

No poema, o eu lírico defende um amor