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LiteraturaPUC-MG2019

Indiscrição

Um dia perguntei
a uma flor no mato:
Qual é o teu amor?
E a flor me respondeu:
o meu amor é o Sol.
Um dia perguntei
a um peixe no mar:
Qual é o teu amor?
E o peixe respondeu:
o meu amor é a água...
Um dia perguntei
a um pássaro volante:
Qual é o teu amor?
E o pássaro respondeu:
o meu amor é o espaço.
Um dia alguém me perguntou:
Qual é o teu amor?
A alguém eu respondi:
eu tenho dois amores
unidos num só corpo!
o meu povo e a liberdade!

CABRAL, Vasco. Poemas. Cluj-Napoca/Romênia: União Latina, 1999. p. 51.

No poema, o eu lírico associa suas representações do amor à

LiteraturaUNIFIMES2020

Leia o soneto para responder à questão.


Desenganos da vida humana metaforicamente


É a vaidade, Fábio, nesta vida,
Rosa, que da manhã lisonjeada,
Púrpuras mil, com ambição dourada,
Airosa rompe, arrasta presumida.


É planta, que de abril favorecida,
Por mares de soberba desatada,
Florida galeota empavesada,
Sulca ufana, navega destemida.


É nau enfim, que em breve ligeireza,
Com presunção de Fênix generosa,
Galhardias apresta, alentos preza:


Mas ser planta, ser rosa, nau vistosa
De que importa, se aguarda sem defesa
Penha a nau, ferro a planta, tarde a rosa?

(Gregório de Matos. Poemas escolhidos, 2010.)

No poema, o eu lírico afirma que

LiteraturaSanta Casa2019

Leia o soneto de Luís Vaz de Camões para responder a questão.

Erros meus, má fortuna1amor ardente
em minha perdição se conjuraram;
os erros e a fortuna sobejaram2,
que para mim bastava o amor somente.

Tudo passei; mas tenho tão presente
a grande dor das cousas, que passaram,
que as magoadas iras me ensinaram
a não querer já nunca ser contente.

Errei todo o discurso de meus anos;
dei causa que a Fortuna castigasse
as minhas mal fundadas esperanças.

De amor não vi senão breves enganos.
Oh! quem tanto pudesse que fartasse3
este meu duro gênio4 de vinganças!

(Sonetos de Camões, 2011.)

No poema, o eu lírico afirma que

LiteraturaINSPER2019

Leia trecho do poema de Olavo Bilac.


Língua Portuguesa


Última flor do Lácio, inculta e bela,
És, a um tempo, esplendor e sepultura:
Ouro nativo, que na ganga impura
A bruta mina entre os cascalhos vela...


Amote assim, desconhecida e obscura,
Tuba de alto clangor, lira singela,
Que tens o trom e o silvo da procela
E o arrolo da saudade e da ternura!


Amo o teu viço agreste e o teu aroma
De virgens selvas e de oceano largo!
Amo-te, ó rude e doloroso idioma,


Em que da voz materna ouvi: “meu filho!”
E em que Camões chorou, no exílio amargo,
O gênio sem ventura e o amor sem brilho!

(Olavo Bilac, Poesias)

No poema, o eu lírico

LiteraturaINSPER2019

Leia o poema de Pedro Tierra para responder à questão.

Fui assassinado.
Morri cem vezes
e cem vezes renasci
sob os golpes do açoite.


Meus olhos em sangue
Testemunharam
a dança dos algozes
em torno do meu cadáver.
Tornei-me mineral
memória da dor.
Para sobreviver,
recolhi das chagas do corpo
a lua vermelha de minha crença,
no meu sangue amanhecendo.


[...]
Porque sou o poeta
dos mortos assassinados,
dos eletrocutados, dos “suicidas”,
dos “enforcados” e “atropelados”,
dos que “tentaram fugir”,
dos enlouquecidos.


Sou o poeta
dos torturados,
dos “desaparecidos”,
dos atirados ao mar,
sou os olhos atentos
sobre o crime.

(Pedro Tierra, Poemas do Povo da Noite)

No poema, o eu lírico

LiteraturaUEG2013

CRUCIFIXO

É um crucifixo de marfim

Ligeiramente amarelado,

Pátina do tempo escoado.

Sempre o vi patinado assim.

Mãe, irmã, pai meus estreitado

Tiveram-no ao chegar o fim.

Hoje, em meu quarto colocado,

Ei-lo velando sobre mim.

E quando se cumprir aquele

Instante, que tardando vai,

De eu deixar esta vida, quero

Morrer agarrado com ele.

Talvez me salve. Como – espero –

Minha mãe, minha irmã, meu pai.

BANDEIRA, Manuel. Estrela da vida inteira. 20. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1993. p. 270.

No poema, o eu lírico

LiteraturaUNIFIMES2016

Analise o poema de Luís Vaz de Camões.

A D. Guiomar de Blasfé, queimando-se com ũa vela no rosto.

Amor, que todos ofende,
Teve, Senhora, por gosto
Que sentisse o vosso rosto
O que nas almas acende.

Aquele rosto que traz
O Mundo todo abrasado,
Se foi da flama tocado,
Foi por que sinta o que faz.

Bem sei que Amor se lhe rende;
Porém o seu pressuposto
Foi sentir o vosso rosto
O que nas almas acende.

(Obra completa, 2005.)

No poema, o eu lírico

LiteraturaUNINOVE2018

Leia o trecho inicial do poema “Ode triunfal”, de Álvaro de Campos (heterônimo de Fernando Pessoa), para responder à questão.

À dolorosa luz das grandes lâmpadas elétricas da fábrica
Tenho febre e escrevo.
Escrevo rangendo os dentes, fera para a beleza disto,
Para a beleza disto totalmente desconhecida dos antigos.

Ó rodas, ó engrenagens, r-r-r-r-r-r eterno!
Forte espasmo retido dos maquinismos em fúria!
Em fúria fora e dentro de mim,
Por todos os meus nervos dissecados fora,
Por todas as papilas fora de tudo com que eu sinto!
Tenho os lábios secos, ó grandes ruídos modernos,
De vos ouvir demasiadamente de perto,
E arde-me a cabeça de vos querer cantar com um excesso
De expressão de todas as minhas sensações,
Com um excesso contemporâneo de vós, ó máquinas!

(O guardador de rebanhos e outros poemas, 1997.)

No poema, o cenário é descrito

LiteraturaCESUPA2017

Do cuidado com a forma

Teu verso, barro vil.

No teu casto retiro, amolga, enrija, pule...

Vê depois como brilha, entre os mais, o imbecil,

Arredondado e liso como um bule!

QUINTANA, M. https://books.google.com.br

No poema, Mário Quintana faz uma releitura irônica ao criticar um dos princípios da poesia parnasiana, ou seja, o(a)

LiteraturaUNICID2016

Voz do Outono

Ouve tu, meu cansado coração,

O que te diz a voz da Natureza:

– “Mais te valera, nu e sem defesa,

Ter nascido em aspérrima soidão1,

Ter gemido, ainda infante, sobre o chão

Frio e cruel da mais cruel devesa2,

Do que embalar-te a Fada da Beleza,

Como embalou, no berço da Ilusão!

Mais valera à tua alma visionária

Silenciosa e triste ter passado

Por entre o mundo hostil e a turba3 vária,

(Sem ver uma só flor, das mil, que amaste)

Com ódio e raiva e dor... que ter sonhado

Os sonhos ideais que tu sonhaste!” –

(Antero de Quental. Antologia, 1991.)

No poema, a voz da Natureza diz ao coração do eu lírico que é