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LiteraturaENEM2019

A

Esbraseia o Ocidente na agonia
O sol... Aves em bandos destacados,
Por céus de ouro e púrpura raiados,
Fogem... Fecha-se a pálpebra do dia...


Delineiam-se além da serrania
Os vértices de chamas aureolados,
E em tudo, em torno, esbatem derramados
Uns tons suaves de melancolia.


Um mundo de vapores no ar flutua...
Como uma informe nódoa avulta e cresce
A sombra à proporção que a luz recua.


A natureza apática esmaece...
Pouco a pouco, entre as árvores, a lua
Surge trêmula, trêmula... Anoitece.

CORRÊA, R. Disponível em: www.brasiliana.usp.br. Acesso em: 13 ago. 2017.

Composição de formato fixo, o soneto tornou-se um modelo particularmente ajustado à poesia parnasiana.

No poema de Raimundo Corrêa, remete(m) a essa estética

LiteraturaENEM2016

Poema tirado de uma notícia de jornal

João Gostoso era carregador de feira livre e morava no morro da Babilônia num barracão sem número.

Uma noite ele chegou no bar Vinte de Novembro

Bebeu

Cantou

Dançou

Depois se atirou na lagoa Rodrigo de Freitas e morreu afogado.

BANDEIRA, M. Estrela da vida inteira: poesias reunidas. Rio de Janeiro: José Olympio, 1980.

No poema de Manuel Bandeira, há uma ressignificação de elementos da função referencial da linguagem pela

LiteraturaPUC-Rio2021

TEXTO

A canção do africano
(fragmento)

Lá na úmida senzala,
Sentado na estreita sala,
Junto ao braseiro, no chão,
Entoa o escravo o seu canto,
E ao cantar correm-lhe em pranto
Saudades do seu torrão…

De um lado, uma negra escrava
Os olhos no filho crava,
Que tem no colo a embalar…
E à meia voz lá responde
Ao canto, e o filhinho esconde,
Talvez pra não o escutar!

“Minha terra é lá bem longe,
Das bandas de onde o sol vem;
Esta terra é mais bonita,
Mas à outra eu quero bem!

“O sol faz lá tudo em fogo,
Faz em brasa toda a areia;
Ninguém sabe como é belo
Ver de tarde a papa-ceia!

“Aquelas terras tão grandes,
Tão compridas como o mar,
Com suas poucas palmeiras
Dão vontade de pensar…

“Lá todos vivem felizes,
Todos dançam no terreiro;
A gente lá não se vende
Como aqui, só por dinheiro.”

O escravo calou a fala,
Porque na úmida sala
O fogo estava a apagar;
E a escrava acabou seu canto,
Pra não acordar com o pranto
O seu filhinho a sonhar!

Disponível em: http://www.dominiopublico.gov.br/ download/texto/jp000009.pdf. Acesso em: 20 ago. 2020.

No poema de Castro Alves, os referentes dos pronomes lhe (1ª estrofe) e o (2ª estrofe) são respectivamente

LiteraturaUNIFOR2019

Arte Poética

Uma breve uma longa, uma longa uma breve
uma longa duas breves
duas longas
duas breves entre duas longas
e tudo mais é sentimento ou fingimento
levado pelo pé, abridor de aventura,
conforme a cor da vida no papel.

ANDRADE, Carlos Drummond de. A paixão medida. São Paulo: Companhia das Letras, 2014, p.15.

No poema de Carlos Drummond de Andrade, a expressividade do eu lírico é ressaltada na

LiteraturaUNIEVA2015

Leia o poema a seguir para responder à questão.

Canção

Pus o meu sonho num navio
E o navio em cima do mar;
- depois, abrio mar com as mãos,
Para o meu sonho naufragar.


Minhas mãos ainda estão molhadas
Do azul das ondas entreabertas,
E a cor que escorre de meus dedos
Colore as areias desertas.


O vento vem vindo de longe,
Anoite se curva de frio;
Debaixo da água vai morrendo
Meu sonho, dentro de um navio...


Chorarei quanto for preciso,
Para fazer com que o mar cresça,
E o meu navio chegue ao fundo
E o meu sonho desapareça.

MEIRELES, Cecília. Obra poética. Rio de Janeiro: J. Aguilar, 1958. p. 18.

No poema apresentado, tem-se a conformação de um sujeito lírico que

LiteraturaESCS2012

É mineral o papel

onde escrever

o verso; o verso

que é possível não fazer.

São minerais

as flores e as plantas,

as frutas, os bichos

quando em estado de palavra.

É mineral

a linha do horizonte,

nossos nomes essas coisas

feitas de palavras.

É mineral, por fim,

qualquer livro:

que é mineral a palavra

escrita, a fria natureza

da palavra escrita.

João Cabral de Melo Neto. Obra completa.Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1998.

No poema apresentado acima, João Cabral de Melo Neto relacionou a escrita poética ao aspecto inorgânico dos minerais. Dessa relação metafórica depreende-se que

LiteraturaESCS2012

É mineral o papel

onde escrever

o verso; o verso

que é possível não fazer.

São minerais

as flores e as plantas,

as frutas, os bichos

quando em estado de palavra.

É mineral

a linha do horizonte,

nossos nomes essas coisas

feitas de palavras.

É mineral, por fim,

qualquer livro:

que é mineral a palavra

escrita, a fria natureza

da palavra escrita.

João Cabral de Melo Neto. Obra completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1998.

No poema acima, verificam-se algumas das características da poesia de João Cabral de Melo Neto que o tornaram reconhecido na literatura brasileira. Na obra poética desse autor,

LiteraturaUNICAMP2016

Morro da Babilônia

À noite, do morro

descem vozes que criam o terror

(terror urbano, cinquenta por cento de cinema,

e o resto que veio de Luanda ou se perdeu na língua

Geral).

Quando houve revolução, os soldados

espalharam no morro,

o quartel pegou fogo, eles não voltaram.

Alguns, chumbados, morreram.

O morro ficou mais encantado.

Mas as vozes do morro

não são propriamente lúgubres.

Há mesmo um cavaquinho bem afinado

que domina os ruídos da pedra e da folhagem

e desce até nós, modesto e recreativo,

como uma gentileza do morro.

(Carlos Drummond de Andrade, Sentimento do mundo. São Paulo: Companhia das Letras, 2012, p.19.)

No poema “Morro da Babilônia”, de Carlos Drummond de Andrade,

LiteraturaUNIEVA2021

Leia o poema a seguir.

Amar o perdido
Deixa confundido
Este coração
Nada pode o olvido
Contra o sem sentido
Apelo do Não.
As coisas tangíveis
Tornam-se insensíveis
À palma da mão.
Mas as coisas findas,
Muito mais que lindas,
Essas ficarão.

No poema "Memória", de Carlos Drummond de Andrade, o eu lírico expressa que:

LiteraturaUFG2011

No plano representativo dos ideais românticos, comunsem I-Juca Pirama, de Gonçalves Dias, e O demônio familiar, de José de Alencar, respectivamente, o prisioneiro Tupi e o protagonista Eduardo são