Apóstrofe à carne
Quando eu pego nas carnes do meu rosto,
Pressinto o fim da orgânica batalha:
– Olhos que o húmus necrófago estraçalha,
Diafragmas, decompondo-se, ao sol-posto.
E o Homem – negro e heteróclito composto,
Onde a alva flama psíquica trabalha,
Desagrega-se e deixa na mortalha
O tacto, a vista, o ouvido, o olfato e o gosto!
Carne, feixe de mônadas bastardas,
Conquanto em flâmeo fogo efêmero ardas,
A dardejar relampejantes brilhos,
Dói-me ver, muito embora a alma te acenda,
Em tua podridão a herança horrenda,
Que eu tenho de deixar para os meus filhos!
(Augusto dos Anjos. Obra completa, 1994.)No plano formal, o poema é marcado por
No período posterior à independência, houve um esforço entre os intelectuais do Império em definir uma identidade nacional para o Brasil. Enquanto o historiador Varnhagen afirmava que, para os índios, “povos na infância, não há história: há só etnografia”, escritores como José de Alencar e Gonçalves Dias retratavam os indígenas no movimento indianista romântico, em obras como “Iracema”, “O Guarani” e “I-Juca-Pirama”. Sobre essas duas posturas em relação aos indígenas e a construção de uma identidade nacional brasileira, é correto afirmar:
No período colonial, cronistas e viajantes estrangeiros produziram textos descritivos sobre as novas terras, caracterizando-se assim o que é reconhecido como
No percurso, em momento de grande fome, Josias, o filho mais novo, come mandioca crua, envenenando-se. Agonizou até a morte. O seu fim está bem descrito nessa passagem: "Lá se tinha ficado o Josias, na sua cova à beira da estrada, com uma cruz de dois paus amarrados, feita pelo pai. Ficou em paz. Não tinha mais que chorar de fome, estrada afora. Não tinha mais alguns anos de miséria à frente da vida, para cair depois no mesmo buraco, à sombra da mesma cruz."
A natureza e situação do ser, o problema do homem retorcido e enrodilhado, que tenta projetar-se no mundo igualmente torto, é grave pela paralisia que pode trazer, anulando a existência. O movimento, isto é, a vida, estaria numa espécie de certeza estética, relativa à natureza do canto que redime; e que, no próprio fato de manifestar o problema por intermédio de uma estrutura coerente, erige-se em objeto — alheio ao poeta, autônomo na sua possibilidade de fixar a atenção e fazer vibrar o leitor, que é o outro, inatingível no comércio da vida.
Antonio Candido. Vários escritos. 4.ª ed. São Paulo/Rio de Janeiro: Duas Cidades/Ouro sobre Azul, 2004, p. 86-7.No parágrafo acima, o autor trata da poesia de Carlos Drummond de Andrade. A partir da leitura desse trecho e considerando as características da obra de Drummond, assinale a opção correta.
A evolução dos maquinismos humanos é uma evidência do progresso tecnológico.
No Modernismo de 22, há alguma euforia com os avanços da era industrial e da mecanização, tal como se pode observar
Há quase 450 anos, William era um menino resmungão, com sua mochila, arrastando-se como uma lesma para a escola. É assim que Shakespeare descreve seu cotidiano de ir à aula, então a quatro quarteirões de sua casa, na peça “Como Você quiser”.
De segunda a sábado, ele entrava às 6h no verão, às 7h no inverno, para sair só no final do dia. Quase sem férias. Decorava livros clássicos sem parar, depois fazia exercícios de imitação e variação. Treinava defender uma ideia e depois a ideia contrária.
(Texto adaptado Nelson de Sá, Folha de S. Paulo, 26/04/2014)No mês de abril, William Shakespeare completaria 450 anos. Quadrinhos e livros infanto-juvenis inspirados em suas obras foram publicados em homenagem ao autor. Entre as peças de Shakespeare, tem-se a história do rei da Dinamarca que morre e volta como fantasma para exigir que seu filho o vingue. Esta história é de:
TRAGÉDIA PARA CRIANÇA
Há quase 450 anos, William era um menino resmungão, com sua mochila, arrastando-se como uma lesma para a escola. É assim que Shakespeare descreve seu cotidiano de ir à aula, então a quatro quarteirões de sua casa, na peça “Como Você quiser”.
De segunda a sábado, ele entrava às 6h no verão, às 7h no inverno, para sair só no final do dia. Quase sem férias. Decorava livros clássicos sem parar, depois fazia exercícios de imitação e variação. Treinava defender uma ideia e depois a ideia contrária.
(Texto adaptado Nelson de Sá, Folha de S. Paulo, 26/04/2014)No mês de abril, William Shakespeare completaria 450 anos. Quadrinhos e livros infanto-juvenis inspirados em suas obras foram publicados em homenagem ao autor. Entre as peças de Shakespeare, tem-se a história do rei da Dinamarca que morre e volta como fantasma para exigir que seu filho o vingue. Esta história é da obra:
O poeta mineiro Carlos Drummond de Andrade (Poesia completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2002) é autor do poema abaixo, intitulado “No meio do caminho”, que pode ser associado
No meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra.
Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma pedra.
No livro Vidas Secas, tanto as dificuldades de interlocução de Fabiano como o silêncio que lhe é característico, relacionam-se à condição subalterna que a personagem vivencia em seu meio social. Essa relação é evidenciada no seguinte fragmento: