Leia o fragmento abaixo.
XIV
Sete de setembro
I
[...]
O santo amor dos corações ardentes
Achou eco no peito dos valentes
No campo e na cidade;
E nos salões — do pescador nos lares,
Livres soaram hinos populares
À voz da liberdade!
[...]
II
Anos correram; — no torrão fecundo
Ao sol de fogo deste novo-mundo
A semente brotou;
E franca e leda, a geração nascente
À copa altiva da árvore frondente
Segura se abrigou!
À roda da bandeira sacrossanta
Um povo esperançoso se levanta
Infante e a sorrir!
A nação do letargo se desperta,
E — livre — marcha pela estrada aberta
Às glórias do porvir!
[...]
ABREU, Casimiro de. As primaveras. São Paulo: Martin Claret, 2008. p. 58-59.No Livro Primeiro de As primaveras, há poemas marcados por um ideário patriótico, deflagrado pela independência política do país. Os escritores românticos desse período tomaram para si a tarefa de erguer as bases da identidade nacional tematizando a pátria e o povo brasileiro, como revela o poema “Sete de setembro”, de Casimiro de Abreu. Em relação a esse ideário patriótico, a ideia que está presente nas três estrofes transcritas, conferindo-lhes unidade, é a de
No livro Mar Morto, de Jorge Amado, destaca-se a personagem Dulce, a professora do cais. Assinale a alternativa INCORRETA a esse respeito.
Pessoalmente, o que mais me atrai nos livros de Machado de Assis é o tema da transformação do homem em objeto do homem, que é uma das maldições ligadas à falta de liberdade verdadeira, econômica e espiritual. A esse tema se liga a famosa teoria do Humanitismo, elaborada por um dos seus personagens, o filósofo Quincas Borba, doido e por isso machadeanamente lúcido (...)
Os críticos interpretam o Humanistismo como sátira ao positivismo em geral e ao naturalismo filosófico do século XIX, principalmente sob o aspecto da teoria darwiniana da luta pela vida com sobrevivência do mais apto. (Adaptado de Antonio Candido, Vários escritos. S. Paulo: Duas Cidades, 1970, p.28)No julgamento que Antonio Candido faz das obras de Machado de Assis, o crítico está ressaltando um aspecto
No fim de 1944 estávamos em regime de ditadura no Brasil, como todos sabem. Uma ditadura que já se ia dissolvendo, porque o ditador de então começara a acertar o passo com as chamadas Potências do Eixo; mas quando os Estados Unidos entraram na guerra e pressionaram no mesmo sentido os seus dependentes, ele não só passou para o outro lado, como teve de concordar que o país interviesse efetivamente na luta, como aliás pedia a opinião pública, às vezes em manifestações de massa que foram as primeiras a quebrar a rotina disciplinada de tranquilidade aparente nas grandes cidades.
(CÂNDIDO, Antonio.Teresina etc. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1980, p. 107-108)No imediato pós-guerra, precisamente no ano de 1945, um grupo de poetas − a chamada geração de 45 − acabou se caracterizando por abraçar
Leia o haicai de Mário Quintana para responder à questão.
Hai-kai
No meio da ossaria
Uma caveira piscava-me...
Havia um vaga-lume dentro dela.
No haicai, o poeta expressa
Leia o fragmento do romance Triste fim de Policarpo Quaresma, de Lima Barreto (1998, p. 8):
E era assim todos os dias, há quase trinta anos. Vivendo em casa própria e tendo outros rendimentos além do seu ordenado, o Major Quaresma podia levar um trem de vida superior aos seus recursos burocráticos, gozando, por parte da vizinhança, da consideração e respeito de homem abastado.
No fragmento, perspectivado pelas ações expressas na narrativa completa, quanto à construção desse personagem, constata-se que
― Eu me distraio muito, disse Joana a Otávio.
Assim como o espaço rodeado por quatro paredes tem um valor específico, provocado não tanto pelo fato de ser espaço mas pelo de estar rodeado por paredes. Otávio transformava-a em alguma coisa que não era ela mas ele mesmo e que Joana recebia por piedade de ambos, porque os dois eram incapazes de se libertar pelo amor, porque aceitava sucumbida o próprio medo de sofrer, sua incapacidade de conduzir-se além da fronteira da revolta. E também: como ligar-se a um homem senão permitindo que ele a aprisione? como impedir que ele desenvolva sobre seu corpo e sua alma suas quatro paredes? E havia um meio de ter as coisas sem que as coisas a possuíssem?
LISPECTOR, Clarice. Perto do coração selvagem. Rio de Janeiro: Rocco, 1998. p. 31. Fragmento.No fragmento, o relacionamento amoroso narrado requer da personagem feminina
Cuidado com aqueles cujos bolsos estão cheios de esprit – de inteligência aguda – e que espalham essa sagacidade em todas as oportunidades, em todo lugar. Eles não têm nenhum demônio dentro de si, não são soturnos, ou sombrios, ou melancólicos, ou silenciosos. Nunca são desajeitados ou tolos. A cotovia, o tentilhão, o pintarroxo, o canário, estes piam e gorjeiam o dia todo; ao pôr do sol, repousam a cabeça debaixo da asa, e, pronto!, já estão dormindo. É então que o gênio torna sua lâmpada e a acende. E essa negra ave, solitária e selvagem, essa criatura indomável, com sua sombria e melancólica plumagem, abre a garganta e começa a cantar, faz ressoar os bosques e quebra o silêncio e as trevas da noite.
DIDEROT, Denis. “Salão de 1765”. In: BERLIN, I. As raízes do Romantismo. São Paulo, Três Estrelas, 2015, p. 89.No fragmento, o filósofo francês Diderot já reconhecia em artistas de seu tempo algumas características presentes na estética da primeira metade do século XIX, como
O livro Memórias de um Sargento de Milícias, de Manuel Antônio de Almeida, foi publicado em folhetins no ano de 1853. Caracteriza-se por documentar os costumes, os comportamentos e os tipos sociais da classe média da sociedade brasileira do tempo do rei D. João VI, ignorados pela literatura até então. É considerado um clássico da literatura brasileira do século XIX.
O fragmento a seguir é parte do capítulo intitulado Estralada, no qual o personagem Leonardo Pataca, para vingar-se de um desafeto seu, contrata o valentão Chico-Juca. Leia-o para responder à questão.
[...]
— Isto passa de mais... varro... menos essa, senhor Chico-Juca; nada de graças pesadas com essa moça, que é cá coisa minha...
O Chico-Juca estava com efeito há mais de meia hora a dirigir graçolas das suas a uma moça que ele bem sabia que era coisa do rapaz que estava tocando; tanto fez que este, tendo percebido, proferiu aquelas palavras que acabamos de ouvir.
— Você respinga?!... - respondeu-lhe o Chico-Juca dirigindo-se para ele.
O rapaz, que não era peco, pôs-se em pé e replicou:
— Tenho dito, nada de graças com ela!...
[...]
A voz narrativa predominante no livro Memórias de um Sargento de Milícias é a 3a. pessoa, o que pode criar um certo distanciamento do narrador em relação aos fatos narrados.
No fragmento, notase que essa voz oscila, revelando um narrador que se coloca como testemunha da situação retratada, conforme o seguinte trecho:
A nossa emotividade literária só se interessa pelos populares do sertão, unicamente porque são pitorescos e talvez não se possa verificar a verdade de suas criações. No mais é uma continuação do exame de português, uma retórica mais difícil, a se desenvolver por este tema sempre o mesmo: Dona Dulce, moça de Botafogo em Petrópolis, que se casa com o Dr. Frederico. O comendador seu pai não quer porque o tal Dr. Frederico, apesar de doutor, não tem emprego. Dulce vai à superiora do colégio de irmãs. Esta escreve à mulher do ministro, antiga aluna do colégio, que arranja um emprego para o rapaz. Está acabada a história. É preciso não esquecer que Frederico é moço pobre, isto é, o pai tem dinheiro, fazenda ou engenho, mas não pode dar uma mesada grande.
Está aí o grande drama de amor em nossas letras, e o tema de seu ciclo literário.
BARRETO, L. Vida e morte de MJ Gonzaga de Sá. Disponível em: www.brasiliana.usp.br. Acesso em: 10 ago. 2017.Situado num momento de transição, Lima Barreto produziu uma literatura renovadora em diversos aspectos.
No fragmento, esse viés se fundamenta na