Sobretudo um dia virá em que todo meu movimento será criação, nascimento, eu romperei todos os nãos que existem dentro de mim, provarei a mim mesma que nada há a temer, que tudo o que eu for será sempre onde haja uma mulher com meu princípio, erguerei dentro de mim o que sou um dia, a um gesto meu minhas vagas se levantarão poderosas, água pura submergindo a dúvida, a consciência, eu serei forte como a alma de um animal e quando eu falar serão palavras não pensadas e lentas, não levemente sentidas, não cheias de vontade de humanidade, não o passado corroendo o futuro! O que eu disser soará fatal e inteiro!
LISPECTOR, Clarice. Perto do Coração Selvagem. Disponível em: <http://www.olhardireto.com.br/conceito/colunas>. Acesso em: jan. 2017.No fragmento da obra “Perto do Coração Selvagem”, de Clarice Lispector, o uso do futuro, nas formas verbais que dão progressão ao texto, tem como principal objetivo
Sinhá
Se a dona se banhou
Eu não estava lá
Por Deus Nosso Senhor
Eu não olhei Sinhá
Estava lá na roça
Sou de olhar ninguém
Não tenho mais cobiça
Nem enxergo bem
Para que me pôr no tronco
Para que me aleijar
Eu juro a vosmecê
Que nunca vi Sinhá
[...]
porqueque talhar meu corpo
Eu não olhei Sinhá
Para que que vosmincê
Meus olhos vai furar
Eu choro em iorubá
Mas oro por Jesus
Para que que vassuncê
Me tira a luz.
No fragmento da letra da canção, o vocabulário empregado e a situação retratada são relevantes para o patrimônio linguístico e identitário do país, na medida em que
Talvez julguem que isto são voos de imaginação: é possível. Como não dar largas à imaginação, quando a realidade vai tomando proporções quase fantásticas, quando a civilização faz prodígios, quando no nosso próprio país a inteligência, o talento, as artes, o comércio, as grandes ideias, tudo pulula, tudo cresce e se desenvolve?
Na ordem dos melhoramentos materiais, sobretudo, cada dia fazemos um passo, e em cada passo realizamos uma coisa útil para o engrandecimento do país.
ALENCAR, J. Ao correr da pena. Disponível em: www.dominiopublico.gov.br. Acesso em: 12 ago. 2013.No fragmento da crônica de José de Alencar, publicada em 1854, a temática nacionalista constrói-se pelo elogio ao(à)
Traço interessante ligado às condições específicas do decênio de 1930 foi a extensão das literaturas regionais e sua transformação em modalidades expressivas cujo âmbito e significado se tornaram nacionais (...). É o caso do “romance do Nordeste”, considerado naquela altura pela média da opinião como o romance por excelência. A sua voga provém em parte do fato de radicar na linha da ficção regional (embora não “regionalista”, no sentido pitoresco), feita agora com uma liberdade de narração e linguagem antes desconhecida. Mas deriva também do fato de todo o País ter tomado consciência de uma parte vital, o Nordeste, representado na sua realidade viva pela literatura.
(CANDIDO, Antonio. A educação pela noite e outros ensaios. São Paulo: Ática, 1987. p. 187)
No fragmento crítico de Antonio Candido, a valorização positiva do romance de 30 explica-se pela confluência das razões resumidas nestes dois segmentos:
Era uma galinha de domingo. Ainda viva porque não passava de nove horas da manhã. Foi, pois, uma surpresa quando a viram abrir as asas de curto voo, inchar o peito e, em dois ou três lances, alcançar a murada do terraço. Afinal, numa das vezes em que parou para gozar sua fuga, o rapaz alcançou-a. Entre gritos e penas, ela foi presa. Em seguida carregada em triunfo por uma asa através das telhas e pousada no chão da cozinha com certa violência. Ainda tonta, sacudiu-se um pouco, em cacarejos roucos e indecisos. Foi então que aconteceu. De pura afobação a galinha pôs um ovo. Só a menina estava perto e assistiu a tudo estarrecida. Mal, porém, conseguiu desvencilhar-se do acontecimento, despregou-se do chão e saiu aos gritos: —Mamãe, mamãe, não mate mais a galinha, ela pôs um ovo! Ela quer o nosso bem! Inconsciente da vida que lhe fora entregue, a galinha passou a morar com a família. Uma vez ou outra, sempre mais raramente, lembrava de novo a galinha que se recortara contra o ar à beira do telhado, prestes a anunciar. Nesses momentos enchia os pulmões com o ar impuro da cozinha e, se fosse dado às fêmeas cantar, ela não cantaria, mas ficaria muito mais contente. Embora nem nesses instantes a expressão de sua vazia cabeça se alterasse. Na fuga, no descanso, quando deu à luz ou bicando milho — era uma cabeça de galinha, a mesma que fora desenhada no começo dos séculos. Até que um dia mataram-na, comeram-na e passaram-se anos.
LISPECTOR, Clarice. Uma galinha. Laços de Família. Rio de Janeiro: Rocco, 1998, p. 30. Disponível em: <http://www.releituras.com/clispector_galinha.asp>. Acesso em: 20 set. 2016. Adaptado.No fragmento adaptado do conto “A galinha”, de Clarice Lispector, o elemento figurativo “ovo” torna-se marco importante na narrativa, pois
A mulher de preto
Meneses foi o primeiro que rompeu o silêncio de alguns minutos, dizendo ao jovem amigo:
_ Espero que o romance da nossa amizade não termine no primeiro capítulo.
Estêvão, que já reparara nas maneiras solícitas do deputado, ficou inteiramente pasmado quando lhe ouviu falar no romance da amizade. A razão era simples. O amigo que os havia apresentado no teatro Lírico disse no dia seguinte:
_Meneses é um misantropo, e um cético; não crê em nada, nem estima ninguém. Na política como na sociedade faz um papel puramente negativo.
Esta era a impressão com que Estêvão, apesar da simpatia que o arrastava, falou a segunda vez a Meneses, e admirava-se de tudo, das maneiras, das palavras, e do tom de afeto que elas pareciam revelar.
À linguagem do deputado o jovem médico respondeu com igual franqueza.
_ Por que acabaremos no primeiro capítulo? _ perguntou ele; _ um amigo não é coisa que se despreze, acolhe-se como um presente de deuses.
_ Dos deuses! – disse Meneses rindo; _ já vejo que é pagão.
_ Alguma coisa, é verdade; mas no bom sentido – respondeu Estêvão rindo também. – Minha vida assemelha-se um pouco à de Ulisses...
_ Tem ao menos uma Ìtaca, sua pátria, e uma Penélope, sua esposa.
_ Nem uma nem outra.
_Então entender-nos-emos.
ASSIS, Machado de Contos fluminenses. São Paulo: Martin Claret, 2006, pp. 59 e 60.No fragmento acima, observa-se que há uma referência a uma obra da literatura clássica universal. Assinale a obra/autor a que pertence esta referência:
“[...] O Mundo não se fez para pensarmos nele
(Pensar é estar doente dos olhos)
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo...
Eu não tenho filosofia: tenho sentidos...
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,
Mas porque a amo, e amo-a por isso,
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe por que ama, nem o que é amar ...
Amar é a eterna inocência,
E a única inocência é não pensar...”
Alberto Caeiro. O guardador de rebanhos.No fragmento acima, e no conjunto de poemas de Oguardador de rebanhos, de Alberto Caeiro, heterônimo de Fernando Pessoa, há a negação do pensar. Sobre essa característica e sobre a obra, como um todo, qual a alternativa INCORRETA?
O texto a seguir, extraído do capítulo Caldo Entornado, serve de base para responder à questão.
[...] Um dia o toma-largura tinha saído em serviço; ninguém esperava por ele tão cedo; eram onze horas da manhã. O Leonardo, por um daqueles milhares de escaninhos que existem na ucharia, tinha ido ter à casa do toma-largura. Ninguém porém pense que era para maus fins. Pelo contrário era para o fim muito louvável de levar à pobre moça uma tigela de caldo do que há pouco fora mandado a el-rei... Obséquio de empregado da ucharia. Não há aqui nada de censurável. Seria entretanto muito digno de censura que quem recebia tal obséquio não o procurasse pagar com um extremo de civilidade; a moça convidou pois ao Leonardo para ajudá-la a tomar o caldo. E que grosseiro seria ele se não aceitasse tão belo oferecimento? Aceitou.[...]
ALMEIDA, M. A. Memórias de um Sargento de Milícias. Porto Alegre: L&PM, 2015.No livro Memórias de um Sargento de Milícias, são relatados alguns dos casos amorosos do personagem Leonardo.
No fragmento acima, considerando a ironia do narrador, a ideia de que Leonardo teria um interesse particular pela jovem encontra respaldo no fato de o personagem
O ambiente artístico da Rússia nos anos anteriores à Revolução de 1917 era de uma efervescência impressionante. A cada dia surgia um novo movimento de vanguarda, um novo manifesto era lido nos bares de Moscou, frequentados por jovens artistas. Serge Diaghilev, numa entrevista datada de 1913, quando chegou a Paris, disse, a propósito do ambiente artístico de Moscou naquela época: “Vinte escolas nascem em um mês. O Futurismo e o Cubismo são a antiguidade, a pré-história. Em três dias, a gente se torna acadêmico”.
GULLAR, Ferreira. As vanguardas russas. Arte e informação. Ano 1, nº 5, dez. 2001. São Paulo: Editora Ar de Paris. (Fragmento)No fragmento acima, a força do depoimento de Serge Diaghilev e sua consequente força argumentativa, no trecho considerado, decorre do emprego que Diaghilev faz do recurso da
No final da década iniciada em 1950, surgiram vários movimentos culturais importantes no Brasil, tais como Bossa Nova, Cinema Novo, Arquitetura Modernista. Dentre as razões para o surgimento desses movimentos, pode-se destacar: