No filme Policarpo Quaresma, Herói do Brasil, o protagonista é caracterizado como
Texto para aquestão
Capítulo XLVIII
Um primo de Virgília
- Sabe quem chegou ontem de São Paulo? perguntou-me uma noite Luís
Dutra.
Luís Dutra era um primo de Virgília, que também privava com as musas. Os
versos dele agradavam e valiam mais do que os meus; mas ele tinha
necessidade da sanção de alguns, que lhe confirmasse o aplauso dos outros.
Como fosse acanhado, não interrogava a ninguém; mas deleitava-se com
ouvir alguma palavra de apreço; então criava novas forças e arremetia
juvenilmente ao trabalho.
Pobre Luís Dutra! Apenas publicava alguma cousa, corria à minha casa, e
entrava a girar em volta de mim, à espreita de um juízo, de uma palavra, de
um gesto, que lhe aprovasse a recente produção, e eu falava-lhe de mil cousas
diferentes, -- do último baile do Catete, da discussão das câmaras, de
berlindas e cavalos, - de tudo, menos dos seus versos ou prosas. Ele respondia-
me, a princípio com animação, depois mais frouxo, torcia a rédea da conversa
para o assunto dele, abria um livro, perguntava-me se tinha algum trabalho
novo, e eu dizia-lhe que sim ou que não, mas torcia a rédea para o outro lado,
e lá ia ele atrás de mim, até que empacava de todo e saía triste. Minha
intenção era fazê-lo duvidar de si mesmo, desanimá-lo, eliminá-lo. E tudo isto
a olhar para a ponta do nariz...
No excerto, o tratamento que o narrador dispensa a Luís Dutra assemelha-se, sobretudo, a sua maneira de tratar
Sua história tem pouca coisa de notável. Fora Leonardo algibebe em Lisboa, sua pátria; aborrecera-se porém do negócio, e viera ao Brasil. Aqui chegando, não se sabe por proteção de quem, alcançou o emprego de que o vemos empossado, e que exercia, como dissemos, desde tempos remotos. Mas viera com ele no mesmo navio, não sei fazer o quê, uma certa Maria da hortaliça, quitandeira das praças de Lisboa, saloia rochonchuda e bonitota. O Leonardo, fazendose- lhe justiça, não era nesse tempo de sua mocidade malapessoado,
e sobretudo era maganão. Ao sair do Tejo, estando a Maria encostada à borda do navio, o Leonardo fingiu que passava distraído por junto dela, e com o ferrado sapatão assentou-lhe uma valente pisadela no pé direito. A Maria, como se já esperasse por aquilo, sorriu-se como envergonhada do gracejo, e deu-lhe também em ar de disfarce um tremendo beliscão nas costas da mão esquerda. Era isto uma declaração em forma, segundo os usos da terra: levaram o resto do dia de namoro cerrado; ao anoitecer passou-se a mesma cena de pisadela e beliscão, com a diferença de serem desta vez um pouco mais fortes; e no dia seguinte estavam os dois amantes tão extremosos e familiares, que pareciam sê-lo de muitos anos.
Manuel Antônio de Almeida,memorias de um sargento de milicias.No excerto, narram-se as circunstâncias em que travaram conhecimento Leonardo (Pataca) e Maria (da hortaliça), a bordo do navio que, procedente de Portugal, iria desembarcá-los no Rio de Janeiro. Considere as seguintes afirmações referentes ao excerto: I A narrativa é isenta de traços idealizantes, seja no que se refere às personagens, seja no que se refere a suas relações amorosas. II O ângulo de representação privilegiado pelo romancista é o da comicidade e do humor. III A vivacidade da cena figurada no excerto deve-se à presença de um narrador-personagem, que participa da ação. Está correto o que se afirma em
Leia o fragmento a seguir para responder a questão.
Além, muito além daquela serra, que ainda azula no horizonte, nasceu Iracema. Iracema, a virgem dos lábios de mel, que tinha os cabelos mais negros que a asa da graúna, e mais longos que seu talhe de palmeira. O favo da jati não era doce como seu sorriso
[...]
Mais rápida que a ema selvagem, a morena virgem corria o sertão e as matas do Ipu, onde campeava sua guerreira tribo, da grande nação tabajara. O pé grácil e nu, mal roçando, alisava apenas a verde pelúcia quevestia a terra com as primeiras águas.
ALENCAR, José de. Iracema. São Paulo: Ática, 1997. p. 16.No excerto, Iracema é comparada com elementos da natureza, sendo apresentada, em relação a eles, de modo
Leia o excerto a seguir.
A descrição minuciosa da terra, do homem e da luta situa [...] no nível da cultura científica e histórica [...] geografia humana e sociologia como um espírito atilado poderia fazê-las no começo do século. Trata-se de uma obra de contornos literários, sociológicos, antropológicos e históricos, na medida em que recria literariamente a guerra de Canudos.
BOSI, Alfredo. História concisa da literatura brasileira. 43. ed. São Paulo: Cultrix, 2006. p. 330. (Adaptado)No excerto apresentado, o crítico e historiador literário Alfredo Bosi faz referência à seguinte obra:
Desde que a febre de possuir se apoderou dele totalmente, todos os seus atos, todos, fosse o mais simples, visavam um interesse pecuniário. [...] Aquilo já não era ambição, era uma moléstia nervosa, uma loucura, um desespero de acumular, de reduzir tudo a moeda.
Aluísio Azevedo, O cortiçoNo excerto acima, a percepção do narrador traz marcas do estilo naturalista,pelo fato de
Leia atentamente o texto a seguir e responda à questão.
Iria morrer, quem sabe se naquela noite mesmo? E que tinha ele feito de sua vida? Nada. Levara toda ela atrás da miragem de estudar a pátria, por amá-la e querê-la muito, no intuito de contribuir para a sua felicidade e prosperidade. Gastara a sua mocidade nisso, a sua virilidade também; e, agora que estava na velhice, como ela o recompensava, como ela o premiava, como ela o condecorava? Matando-o. E o que não deixará de ver, de gozar, de fruir, na sua vida? Tudo. Não brincara, não pandegara, não amara - todo esse lado da existência que parece fugir um pouco à sua tristeza necessária, ele não vira, ele não provara, ele não experimentara.
Desde dezoito anos que o tal patriotismo lhe absorvia e por ele fizera a tolice de estudar inutilidades. Que lhe importavam os rios? Eram grandes? Pois que fossem... Em que lhe contribuiria para a felicidade saber o nome dos heróis do Brasil? Em nada... O importante é que ele tivesse sido feliz. Foi? Não. Lembrou-se das suas coisas de tupi, do folclore, das suas tentativas agrícolas... Restava disso tudo em sua alma uma satisfação? Nenhuma! Nenhuma!
(BARRETO, Lima. Triste fim de Policarpo Quaresma. 17ª ed. São Paulo: Ática, [s.d.].)O trecho retirado do romance “Triste Fim de Policarpo Quaresma” evidencia uma tomada de consciência em relação à representação de pátria que até ali o personagem nutrira.
No discurso narrativo, o processo de conscientização foi revelado, fundamentalmente, por meio de
Texto 3
O meu guri
Quando, seu moço
Nasceu meu rebento
Não era o momento
Dele rebentar
[130] Já foi nascendo
Com cara de fome
E eu não tinha nem nome
Pra lhe dar
Como fui levando
[135] Não sei lhe explicar
Fui assim levando
Ele a me levar
E na sua meninice
Ele um dia me disse
[130] Que chegava lá
Olha aí! Olha aí!
Olha aí!
Ai o meu guri, olha aí!
Olha aí!
[145] É o meu guri e ele chega!
Chega suado
E veloz do batente
Traz sempre um presente
Pra me encabular
[150] Tanta corrente de ouro
Seu moço!
Que haja pescoço
Pra enfiar
Me trouxe uma bolsa
[155] Já com tudo dentro
Chave, caderneta
Terço e patuá
Um lenço e uma penca
De documentos
[160] Pra finalmente
Eu me identificar
Olha aí!
Olha aí!
Ai o meu guri, olha aí!
[165] Olha aí!
É o meu guri e ele chega!
Chega no morro
Com carregamento
Pulseira, cimento
[170] Relógio, pneu, gravador
Rezo até ele chegar
Cá no alto
Essa onda de assaltos
Tá um horror
[175] Eu consolo ele
Ele me consola
Boto ele no colo
Pra ele me ninar
De repente acordo
[180] Olho pro lado
E o danado já foi trabalhar
Olha aí!
Olha aí!
Ai o meu guri, olha aí!
[185] Olha aí!
É o meu guri e ele chega!
Chega estampado
Manchete, retrato
Com venda nos olhos
[190] Legenda e as iniciais
Eu não entendo essa gente
Seu moço!
Fazendo alvoroço demais
O guri no mato
[195] Acho que tá rindo
Acho que tá lindo
De papo pro ar
Desde o começo eu não disse
Seu moço!
[200] Ele disse que chegava lá
Olha aí! Olha aí!
Olha aí!
Ai o meu guri, olha aí
Olha aí!
[205] É o meu guri!...(3x)
(Chico Buarque)No discurso da mãe, percebe-se
Considere o seguinte fragmento de A hora da estrela:
Ele se aproximou e com voz cantante de nordestino que a emocionou, perguntou-lhe:
— E se me desculpe, senhorinha, posso convidar a passear?
— Sim, respondeu atabalhoadamente com pressa antes que ele mudasse de ideia.
— E, se me permite, qual é mesmo a sua graça?
[5] — Macabéa.
— Maca — o quê?
— Bea, foi ela obrigada a completar.
— Me desculpe mas até parece doença, doença de pele.
— Eu também acho esquisito mas minha mãe botou ele por promessa a Nossa Senhora da Boa
[10] Morte se eu vingasse, até um ano de idade eu não era chamada porque não tinha nome, eu preferia
continuar a nunca ser chamada em vez de ter um nome que ninguém tem mas parece que deu certo —
parou um instante retomando o fôlego perdido e acrescentou desanimada e com pudor — pois como o
senhor vê eu vinguei... pois é...
— Também no sertão da Paraíba promessa é questão de grande divida de honra.
[20] Eles não sabiam como se passeia. Andaram sob a chuva grossa e pararam diante da vitrine de uma
loja de ferragem onde estavam expostos atrás do vidro canos, latas, parafusos grandes e pregos. E
Macabéa, com medo de que o silêncio já significasse uma ruptura, disse ao recém-namorado:
— Eu gosto tanto de parafuso e prego, e o senhor?
Da segunda vez em que se encontraram caia uma chuva fininha que ensopava os ossos. Sem nem
[20] ao menos se darem as mãos caminhavam na chuva que na cara de Macabéa parecia lágrimas escorrendo.
No diálogo entre Macabéa e Olímpico de Jesus,
No desfecho de A hora da estrela, de Clarice Lispector, a personagem Macabéa sofre um atropelamento, e morre. Em relação a esse desfecho, apenas é incorreto afirmar que: