Leia a estrofe a seguir. “Marcado pela própria natureza O Nordeste do meu Brasil Oh! solitário sertão De sofrimento e solidão A terra é seca Mal se pode cultivar Morrem as plantas e foge o ar A vida é triste nesse lugar” Sobre esses versos, assinale a afirmativa correta.
Analise o poema de Ronald de Carvalho e responda à questão.
Brasil (Ronald de Carvalho)
Nesta hora de sol puro
palmas paradas
pedras polidas
claridades
faíscas
cintilações
Eu ouço o canto enorme do Brasil!
Eu ouço todo o Brasil cantando, zumbindo, gritando,
[vociferando!
Redes que se balançam,
sereias que apitam,
usinas que rangem, martelam, arfam, estridulam, ululam e
roncam,
Rumor de coxilhas e planaltos, campainhas, relinchos, aboiados
[e mugidos,
repiques de sinos, estouros de foguetes, Ouro-Preto, Bahia,
Congonhas, Sabará,
vaias de Bolsas empinando números como papagaios,
tumulto de ruas que saracoteiam sob arranha-céus,
vozes de todas as raças que a maresia dos portos joga no sertão!
Nesta hora de sol puro eu ouço o Brasil.
Todas as tuas conversas, pátria morena, correm pelo ar...
a conversa dos fazendeiros nos cafezais,
a conversa dos mineiros nas galerias de ouro,
a conversa dos operários nos fornos de aço,
a conversa dos garimpeiros, peneirando as bateias
a conversa dos coronéis nas varandas das roças...
Mas o que eu ouço, antes de tudo, nesta hora de sol puro
palmas paradas
pedras polidas
claridades
brilhos
faíscas
cintilações
E o canto dos teus berços, Brasil, de todos esses teus berços,
[onde dorme, com a boca escorrendo leite,
[moreno, confiante,
o homem de amanhã!
Publicado no livro Toda a América (1926).
Uma das principais características da leitura do Modernismo é a releitura critica dos símbolos da nacionalidade. No poema de Ronald de Carvalho, o eu lírico afirma que é possível determinar a identidade do Brasil por meio de vários símbolos.
Julgue as alternativas e marque a correta.
José Mendonça Teles (2003, p. 17) aponta na obra de Bernardo Élis “a dupla realidade que contraponteia toda sua ficção”. Considerando a citação de Teles, são características comuns entre a produção literária de Élis e as artes plásticas:
TEXTO
[1] – Pode deixar o tabuleiro aí mesmo. Já estava com fome.
– Sinhá Mariana manda dizer ao senhor para desculpar. Hoje é dia de guarda, e o povo da casa-grande está no
jejum.
– Este povo vai todo pro céu. Estão pensando que Deus Nosso Senhor gosta de gado magro. Deus gosta é de
[5] ver gado de sedenho abrindo. O que foi que a velha mandou hoje? Esta história de bacalhau não é comigo.
– Todo mundo está no bacalhau, mestre Zé.
– Não venho trabalhar aqui para comer isto.
– Os brancos estão comendo, mestre.
– Quero lá saber de branco. Quero é a minha barriga cheia.
[10] O moleque abriu os dentes numa risada gostosa.
– Mestre, o velho anda com essa leseira de reza que não acaba mais.
– É o que eles querem. Estão pensando que oficial é cachorro. Pensam que me machucam, não me chamando
para comer na casa-grande. Não sou o pintor Laurentino que vive por aí contando prosa. O mestre José Amaro,
menino, tem a sua bondade, também. Tenho trabalhado para senhor de engenho de muitas posses, gente de mesa
[15] de banquete, e nunca vi este luxo aqui no Santa Fé.
(REGO, José Lins. Fogo Morto. 53ª ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 1999. p.24-25).José Lins do Rego é um autor:
Eu era ainda muito criança, mas sabia uma infinidade de coisas que os adultos ignoravam. Sabia que não se deve responder aos cumprimentos dos glimerinos, aquela raça de anões que a gente encontra quando menos espera e que fazem tudo para nos distrair de nossa missão; sabia que nos lugares onde a mãe-do-ouro aparece à flor da terra não se deve abaixar nem para apertar os cordões dos sapatos, a cobiça está em toda parte e morde manso; sabia que ao ouvir passos atrás ninguém deve parar nem correr, mas manter a marcha normal, quem mostrar sinais de medo estará perdido na estrada.
A estrada é cheia de armadilhas, de alçapões, de mundéus perigosos, para não falar em desvios tentadores, mas eu podia percorrê-la na ida e na volta de olhos fechados sem cometer o mais leve deslize.
VEIGA, José J. Fronteira. Os cavalinhos de Platiplanto: Contos. 18. ed. Rio de Janeiro: Beirrand Brasil, 1989. p. 61.José J. Veiga é um escritor representativo da corrente denominada realismo mágico ou fantástico. Tal realismo, provocador de uma sensação de estranhamento, encontra-se presente no texto por meio de um narrador que
CAPÍTULO IV / UM DEVER AMARÍSSIMO
José Dias amava os superlativos. Era um modo de dar feição monumental às idéias; não as havendo, servir a prolongar as frases.
(Machado de Assis, Dom Casmurro)José Dias, caracterizado como o homem dos superlativos, éuma paródia, uma caricatura da expressão verbal pomposa e oca, da subliteratura dos salões. Sua retórica exagerada configura um discurso redundante, reduto de clichês, lugarescomuns, adjetivos e advérbios inexpressivos (Fernando Teixeira). Das frases proferidas pela personagem, assinale a que NÃO necessariamente se enquadra na definição acima:
José Dias é personagem do romance Dom Casmurro, de Machado de Assis. Conhecendo a atuação dele dentro da narrativa, é INCORRETO afirmar que
José de Alencar, que ocupa o lugar de centro no Romantismo brasileiro, publicou, em 1872, o romance Til. Dele pode-se afirmar que é um romance
José de Alencar, Gonçalves Dias e Castro Alves são conhecidas figuras de nosso Romantismo. Em suas obras, podemos constatar algumas das ‘marcas características’ do projeto literário romântico’, a saber:
José de Alencar publicou, em 1872, o romance Til, no jornal A República. Foi classificado pelo próprio autor como obra regionalista. É também tido pela crítica como um romance alegórico. Considerando essa obra como um todo, pode-se dela afirmar que