Indique, nas alternativas abaixo, a que apresenta a descrição do cortiço, caracterizado como habitação coletiva em que as marcas do humano e as do animal se identificam.
TEXTO:
Minha Desgraça
Minha desgraça, não, não é ser poeta,
Nem na terra de amor não ter um eco,
E meu anjo de Deus, o meu planeta
Tratar-me como trata-se um boneco...
Não é andar de cotovelos rotos,
Ter duro como pedra o travesseiro...
Eu sei... O mundo é um lodaçal perdido
Cujo sol (quem mo dera!) é o dinheiro...
Minha desgraça, ó cândida donzela,
O que faz que o meu peito assim blasfema,
É ter para escrever todo um poema,
E não ter um vintém para uma vela.
AZEVEDO, Álvares de. Minha Desgraça. Lira dos vinte anos. São Paulo: FTD, 1994. p. 194. (Coleção Grandes Leituras). Língua PortuguesaIndique V ou F, conforme seja o item verdadeiro ou falso. O poema revela ( ) um eu comandado pelo racionalismo. ( ) o humor como artifício de ocultamento de um drama. ( ) o sentimento irônico em face dos limites da vida prática. ( ) a indignação romântica contra a realidade material da vida. A alternativa que contém a sequência correta, de cima para baixo, é a
Indique das alternativas abaixo aquela que NÃO se enquadra na temática da novela Vidas Secas, de Graciliano Ramos
De tudo que é nego torto
Do mangue e do cais do porto
Ela já foi namorada
O seu corpo é dos errantes
Dos cegos, dos retirantes
É de quem não tem mais nada
Dá-se assim desde menina
Na garagem, na cantina
Atrás do tanque, no mato
É a rainha dos detentos
Das loucas, dos lazarentos
Dos moleques do internato
E também vai amiúde
Co’os velhinhos sem saúde
E as viúvas sem porvir
Ela é um poço de bondade
E é por isso que a cidade
Vive sempre a repetir
Joga pedra na Geni
Joga pedra na Geni
Ela é feita pra apanhar
Ela é boa de cuspir
Ela dá pra qualquer um
Maldita Geni
(Chico Buarque. Geni e o zepelim.)Indique a alternativa que identifica corretamente, de modorespectivo, a métrica e a natureza predominante das rimas.
Leia parte de um texto crítico, de Lúcia Miguel Pereira, acerca de Bom-Crioulo, de Adolfo Caminha.
Essa novela de paixão e morte, passada em grande parte no mar, apresenta-se ousada na concepção e na execução, forte e dramática, humana e verdadeira [...] Esse livro é, a despeito dos senões apontados, com o Cortiço, o ponto alto do Naturalismo [...] Denso, cerrado, sombrio, o seu ambiente todo parece augurar as explosões do vício e do crime.
In: R.J., Saraiva. Prosa e ficção: de 1870 a 1920. São Paulo: José Olímpio, 1970.Indique a alternativa em que o trecho extraído de Bom- Crioulo estabelece uma conexão com o texto crítico.
[1] O rouge virou blush. O pó-de-arroz virou pó-compacto.
O brilho virou gloss. O rímel virou máscara incolor. A
Lycra virou stretch. Anabela virou plataforma. O corpete
virou porta-seios. Que virou sutiã. Que virou silicone.
[5] A peruca virou aplique… interlace… megahair…
alongamento. A escova virou chapinha. ‘Problemas de
moça’ viraram TPM. Confete virou MMs. A crise de
nervos virou estresse. A purpurina virou gliter. A tanga
virou fio dental. E o fio dental virou anti-séptico bucal.
[10] Ninguém mais vê: O à-la-carte porque virou self-service.
A tristeza agora é depressão. O espaguete virou miojo
pronto. A paquera virou pegação. A gafieira virou dança
de salão. O que era praça virou shopping. A areia virou
ringue. O LP virou CD. A fita de vídeo é DVD. O CD
[15] já é MP3. É um filho onde eram seis. O álbum de fotos
agora é mostrado por e-mail. O namoro agora é virtual.
A cantada virou torpedo. E do ‘não’ não se tem medo.
O break virou street. O samba, pagode. O carnaval de
[20] rua virou Sapucaí. O folclore brasileiro, halloween. O
piano agora é teclado, também. O forró de sanfona ficou
eletrônico. Fortificante não é mais Biotônico. Polícia e
ladrão virou Counter Strike. Fauna e flora a desaparecer.
Lobato virou Paulo Coelho. Caetano virou um pentelho.
[25] Elis ressuscitou em Maria Rita. Raul e Renato. Cássia e
Cazuza. Lennon e Elvis. A AIDS virou gripe. A bala antes
encontrada agora é perdida. A violência está maldita. A
maconha é calmante. O professor é agora o facilitador.
As lições já não importam mais. A guerra superou a paz.
[30] E a sociedade ficou incapaz. De tudo. Inclusive de notar
essas diferenças.
Luís Fernando VeríssimoAinda com relação ao texto, há alusão, mesmo que indireta, a textos literários já produzidos, o que se pode chamar de intertextualidade.
Indique a alternativa em que há esse tipo de alusão.
Indique a alternativa cujo conteúdo NÃO CONFIRMA característica presente na linguagem de Machado de Assis, no romance Memórias Póstumas de Brás Cubas.
Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança:
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.
Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança:
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem (se algum houve) as saudades.
O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já coberto foi de neve fria,
E em mim converte em choro o doce canto.
E afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto,
Que não se muda já como soía*.
(Luís Vaz de Camões)
*soía: terceira pessoa do pretérito imperfeito do indicativo do verbo “soer” (costumar, ser de costume).
Indique a afirmação que se aplica ao soneto escrito por Camões.
Indique a afirmação INCORRETA sobre a obra de Álvares de Azevedo.
1 DE JULHO... Eu percebo que se este Diário for publicado vai maguar muita gente. Tem pessoa que quando me ver passar saem da janela ou fecham as portas. Estes gestos não me ofendem. Eu até gosto porque não preciso parar para conversar. (...) Quando passei perto da fabrica vi varios tomates. Ia pegar quando vi o gerente. Não aproximei porque ele não gosta que pega. Quando carregam os caminhões os tomates caem no solo e quando os caminhões saem esmaga-os. Mas a humanidade é assim. Prefere vê estragar do que deixar seus semelhantes aproveitar. (JESUS, 1997, p. 69.)
Sobre o excerto acima e sobre o livro Quarto de despejo, de Carolina Maria de Jesus, a única afirmativa
INCORRETA é: