AprendiAprendi
LiteraturaUNINOVE2014

Leia o trecho do texto de Fernando Namora para responder à questão.

Deu-se, por essa altura, um casamento pomposo e, como tal, estava indicada a presença ornamental do médico. Lá fui, sob a promessa de ser acompanhado pelo meu amigo farmacêutico, homem de vagas de gênio que ajudava a vencer os dias ensonados daquele desterro.

Calhou vir também à boda o colega que me precedera no partido médico. Entretanto, a alguns quilômetros, para lá dos barrocais retalhados nas gargantas dos penedos, uma camponesa gemia, havia quatro dias, as dores de parto; e desde que a comadre confessara a inutilidade dos seus préstimos, justificando-se com a criança atravessada no ventre, nada restava fazer, salvo a ciência de um doutor.

A família veio por aí acima, entregue ao passo conformado daqueles heroicos jericos de Monsanto, que galgam e se firmam nos pavorosos declives dos caminhos. Trazia consigo um problema de parto e de cortesia: dois médicos estavam nessa tarde na aldeia, lado a lado, à mesa de uma festança. Um tinha cumprido em dois anos de partos, dores, aflições; o outro era este imberbe João Semana, que nada garantia.

Mas sendo eu o médico da terra – eis a cortesia em jogo – a cadeira pertencia-me, devia ser procurado para o trabalho e para o pago. E a família acabou por correr o risco: seria eu o escolhido. Para mim o transporte do burro, o sobressalto, a ansiedade pelo que poderia acontecer. O meu nervosismo ainda foi atiçado por uma rude prova de franqueza dos campônios: sucedeu que, mal eu chegara junto da esmorecida parturiente, me confessaram, com ressaibos de deferência, as dúvidas que haviam tido na minha escolha.

(Retalhos da vida de um médico, 1970. Adaptado.)

Fernando Namora é um escritor português cujos livros foram escritos no decorrer do século XX, período a que também pertencem o seguinte escritor português e a obra indicada em:

LiteraturaUFG2013

Leia o fragmento do poema apresentado a seguir.

SPLEEN E CHARUTOS

I

SOLIDÃO

[…]

As árvores prateiam-se na praia,

Qual de uma fada os mágicos retiros...

Ó lua, as doces brisas que sussurram

Coam dos lábios teus como suspiros!

Falando ao coração que nota aérea

Deste céu, destas águas se desata?

Canta assim algum gênio adormecido

Das ondas moças no lençol de prata?

Minh'alma tenebrosa se entristece,

É muda como sala mortuária...

Deito-me só e triste, sem ter fome

Vejo na mesa a ceia solitária.

Ó lua, ó lua bela dos amores,

Se tu és moça e tens um peito amigo,

Não me deixes assim dormir solteiro,

À meia-noite vem cear comigo!

AZEVEDO, Álvares de. Lira dos vinte anos. In: Obra completa. Organização de Alexei Bueno. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2000. p. 232.

Fenômeno recorrente na estética romântica, o processode adjetivação permite ao eu lírico, no poema transcrito,

LiteraturaFAAP2017

No começo do século XX, houve um Movimento de Vanguarda que propunha a destruição dos valores burgueses e usava o nonsense como forma de crítica à sociedade.

Havia uma receita para se fazer uma poesia:

Pegue um jornal.
Pegue uma tesoura.
Escolha no jornal um artigo com o comprimento que pensa dar ao seu poema.
Recorte o artigo.
Depois, recorte cuidadosamente todas as palavras que formam o artigo e meta-as num saco.
Agite suavemente.
Seguidamente, tire os recortes um por um.
Copie conscienciosamente pela ordem em que saem do saco.
O poema será parecido consigo.
E pronto: será um escritor infinitamente original e duma adorável sensibilidade, embora incompreendido pelo vulgo.

Feito isso, você estará diante de uma poesia:

LiteraturaUNIMONTES2011

Leia o texto abaixo.


vagal


a gabriel Cardoso


não sei o q. cantar
no meu poema
na natureza age
o vento no meu
cabelo é só 01 sinal
o mar revolto
o homem afogando
no asfalto
os poemas
estão enfiando
os pés pelas mão
meu nêgo, meu poeta
meu homem belo
a nossa dor
é uma lâmina fina
01 beijo ao meio-dia
uma navalha cega
eu ouço marina
a poesia é a menina
+ vagal da cidade
e escancara a
nossa incerteza


(PEREIRA, 2007, p. 36)

Faça uma análise do poema “vagal”, de Aroldo Pereira, e assinale a alternativa INCORRETA.

LiteraturaFMABC2014

Fabiano, personagem de Vidas Secas, de Graciliano Ramos, vive no limite de conflitos entre si e o mundo por enfrentar situações com as quais não sabe lidar ou que não consegue resolver. É um ser marcado por limitações num mundo cheio de adversidades. Assim, indique nas alternativas abaixo aquela que mais o ajudaria a diminuir essas limitações, se conseguisse

LiteraturaFAMECA2014

— Fabiano, você é um homem, exclamou em voz alta. Conteve-se, notou que os meninos estavam perto, com certeza iam admirar-se ouvindo-o falar só. E, pensando bem, ele não era homem: era apenas um cabra ocupado em guardar coisas dos outros. Vermelho, queimado, tinha os olhos azuis, a barba e os cabelos ruivos; mas como vivia em terra alheia, cuidava de animais alheios, descobria-se, encolhia-se na presença dos brancos e julgava-se cabra.

Olhou em torno, com receio de que, fora os meninos, alguém tivesse percebido a frase imprudente. Corrigiu-a murmurando:

— Você é um bicho, Fabiano.

Isto para ele era motivo de orgulho. Sim senhor, um bicho, capaz de vencer dificuldades.

Chegara naquela situação medonha — e ali estava, forte, até gordo, fumando o seu cigarro de palha.

— Um bicho, Fabiano.

Fabiano é descrito como vermelho, queimado. Essa descrição enfatiza

LiteraturaUNIFESP2013

Leia o poema Prece, de Fernando Pessoa.

Senhor, a noite veio e a alma é vil.

Tanta foi a tormenta e a vontade!

Restam-nos hoje, no silêncio hostil,

O mar universal e a saudade.

Mas a chama, que a vida em nós criou,

Se ainda há vida ainda não é finda.

O frio morto em cinzas a ocultou:

A mão do vento pode erguê-la ainda.

Dá o sopro, a aragem – ou desgraça ou ânsia –,

Com que a chama do esforço se remoça,

E outra vez conquistaremos a Distância –

Do mar ou outra, mas que seja nossa!

(Fernando Pessoa. Mensagem, 1995.)

Extraído do livro Mensagem, o poema pode ser consideradonacionalista, na medida em que o eu lírico

LiteraturaFAAP2016

Leia o texto:

“ Daí a pouco, em volta das bicas era um zunzum crescente; uma aglomeração tumultuosa de

machos e fêmeas. (...) O chão inundava-se. As mulheres precisavam já prender as saias entre as coxas

para não as molhar; via-se-lhes a tostada nudez dos braços e do pescoço, que elas despiam,

suspendendo o cabelo todo para o alto do casco; os homens, esses não se preocupavam em não molhar

o pelo, ao contrário metiam a cabeça bem debaixo da água e esfregavam com força as ventas e as

barbas, fossando e fungando contra as palmas da mão.”

Expressões tais como "machos e fêmeas", "cabelo para o alto do casco", "molhar o pelo" constroem imagens que remetem a uma ________________ entre homens e animais, típica do ________________, que se constitui num prolongamento do ________________.

LiteraturaPUC-Campinas2013

Como todas as revoluções das vanguardas históricas, o Futurismo traduz logo nos seus primeiros textos o grito de ruptura de uma classe que não deseja mais pactuar com a estabilidade do sistema. Mas o grito de ruptura é dado com os elementos e valores típicos do mesmo grupo contestado. Os elementos “perigo”, “velocidade”, “energia”, “audácia”, “revolta”, “bofetada”, “soco” – inicialmente propostos com a finalidade de traduzir o vitalismo antiburguês do Futurismo – serão os mesmos, desenvolvidos, que levarão o movimento a concluir no fascismo.

(Sílvio Castro. Teoria e política do modernismo brasileiro. Petrópolis: Vozes, 1979. p. 34 e 35)

Expressões importantes da vanguarda histórica e estética que representou o modernismo de 22 encontram-se sistematizadas em textos-manifestos, tais como:

LiteraturaENEM2020

Pessoal intransferível

Escute, meu chapa: um poeta não se faz com versos. É o risco, é estar sempre a perigo sem medo, é inventar o perigo e estar sempre recriando dificuldades pelo menos maiores, é destruir a linguagem e explodir com ela. Nada no bolso e nas mãos. Sabendo: perigoso, divino, maravilhoso.

Poetar é simples, como dois e dois são quatro sei que a vida vale a pena etc. Difícil é não correr com os versos debaixo do braço. Difícil é não cortar o cabelo quando a barra pesa. Difícil, pra quem não é poeta, é não trair a sua poesia, que, pensando bem, não é nada, se você está sempre pronto a temer tudo; menos o ridículo de declamar versinhos sorridentes. E sair por aí, ainda por cima sorridente mestre de cerimônias, “herdeiro” da poesia dos que levaram a coisa até o fim e continuam levando, graças a Deus.

E fique sabendo: quem não se arrisca não pode berrar. Citação: leve um homem e um boi ao matadouro. O que berrar mais na hora do perigo é o homem, nem que seja o boi. Adeusão.

TORQUATO NETO. Melhores poemas de Torquato Neto. São Paulo: Global, 2018.

Expoente da poesia produzida no Brasil na década de 1970 e autor de composições representativas da Tropicália, Torquato Neto mobiliza, nesse texto,