TEXTO I
[...] Bem feliz quem ali pode nest'hora
Sentir deste painel a majestade!
Embaixo — o mar em cima — o firmamento...
E no mar e no céu — a imensidade!
Oh! que doce harmonia traz-me a brisa!
Que música suave ao longe soa!
Meu Deus! como é sublime um canto ardente
Pelas vagas sem fim boiando à toa! [...]
TEXTO 2
A vez primeira que eu fitei Teresa,
Como as plantas que arrasta
a correnteza,
A valsa nos levou nos giros
seus...
E amamos juntos... E depois
na sala
Adeus eu disse-lhe
a tremer co'a fala...
E ela, corando, murmurou-me: "adeus."
Sobre os textos, é possível afirmar que:
I. Ambos compõem a obra de Castro Alves, poeta romântico, cuja vertente estética é pautada pela preocupação com temas sociais, históricos e amorosos.
II. O Texto I revela a fase em que o poeta romântico Castro Alves dedica-se às questões sociais, especificamente àquelas destinadas aos escravos.
III. O Texto II apresenta uma das fases do poeta romântico Castro Alves na qual são expostas as fragilidades da alma feminina.
Está (ão) correta(s)
Para responder à questão, leia o excerto do conto Escola, de Machado de Assis.
A escola era na Rua do Costa, um sobradinho de grade de pau. O ano era de 1840. Naquele dia — uma segunda-feira, do mês de maio — deixei-me estar alguns instantes na Rua da Princesa a ver onde iria brincar a manhã. Hesitava entre o morro de S. Diogo e o Campo de Sant’Ana, que não era então esse parque atual, construção de gentleman, mas um espaço rústico, mais ou menos infinito, alastrado de lavadeiras, capim e burros soltos. Morro ou campo? Tal era o problema.
De repente disse comigo que o melhor era a escola. E guiei para a escola. Aqui vai a razão.
(ASSIS, Machado de. Várias histórias. São Paulo:Ateliê, 2009).Sobre a obra de Machado de Assis, considerando o conto, analise as afirmativas:
I. O narrador revela uma valorização do espaço escolar, comum na obra do escritor.
II. A descrição é um recurso estilístico que compõe a cena narrativa, revelando um espaço rico em detalhes.
III. A paisagem física e social do Rio de Janeiro é recorrente.
Está (ão) correta(s)
“A terra é mui graciosa,
Tão fértil eu nunca vi.
A gente vai passear,
No chão espeta um caniço,
No dia seguinte nasce
Bengala de castão de oiro.”
Esses versos, de Murilo Mendes, poeta da segunda fase do Modernismo brasileiro, parodiam qual texto da nossa tradição literária:
TEXTO:
Entre brumas, ao longe, surge a aurora.
O hialino orvalho aos poucos se evapora,
Agoniza o arrebol.
A catedral ebúrnea do meu sonho
Aparece, na paz do céu risonho,
Toda branca de sol.
E o sino canta em lúgubres responsos:
“Pobre Alphonsus! Pobre Alphonsus!”
[...]
Por entre lírios e lilases desce
A tarde esquiva: amargurada prece
Põe-se a lua a rezar.
A catedral ebúrnea do meu sonho
Aparece, na paz do céu tristonho,
Toda branca de luar.
E o sino chora em lúgubres responsos:
“Pobre Alphonsus! Pobre Alphonsus!”
GUIMARAENS, Alphonsus de. A catedral.Cantos de amor, Salmos de preces. Rio de Janeiro: José Aguilar, 1972. p. 158.“E o sino canta em lúgubres responsos:
‘Pobre Alphonsus! Pobre Alphonsus!’
[...]
E o sino chora em lúgubres responsos:
‘Pobre Alphonsus! Pobre Alphonsus!’ ”
Esses versos sugerem
-Quando nasci, um anjo torto
Desses que vivem na sombra
Disse: Vai, Carlos! Ser gauche na vida.
Esses versos são de autoria de
Fiz uma canção para dar-te;
porém tu já estavas morrendo.
A Morte é um poderoso vento.
E é um suspiro tão tímido, a Arte...
[...]
E agora fecho grandes portas
sobre a canção que chegou tarde.
E sofro sem saber de que Arte
se ocupam as pessoas mortas.
Por isso é tão desesperada
a pequena, humana cantiga.
Talvez dure mais do que a vida.
Mas à Morte não diz mais nada.
Esses versos de Cecília Meireles, dedicados ao marido,
O universo ficcional de Machado de Assis é povoado pelos tipos sociais que se mesclavam na sociedade fluminense do século XIX: proprietários, rentistas, comerciantes, homens pobres mas livres e escravos. Cruzam seus interesses e medem- se em seus poderes ou em sua falta de poder. É essa a configuração das personagens das obras-primas Memórias póstumas de Brás Cubas e Dom Casmurro. A tragédia do negro escravizado está exposta em contos violentos, e o capricho dos senhores proprietários dá o tom a narradores como Brás Cubas e Bento Santiago, o Bentinho, que contam suas histórias de modo a apresentar com ar de naturalidade a prática das violências pessoais ou sociais mais profundas.
(TÁVOLA, Bernardim da, inédito)Atente para os seguintes segmentos do romance Dom Casmurro:
I. “Vendeu as fazendolas e os escravos, comprou alguns que pôs ao ganho ou alugou, uma dúzia de prédios, certo número de apólices, e deixou-se estar na rua de Matacavalos (...)”
II. “Tinha o dom de se fazer aceito e necessário; davase por falta dele, como de pessoa da família. (...) Minha mãe dava-lhe de quando em quando alguns cobres.”
Esses segmentos retratam tipos sociais, aqui representados, respectivamente,
Clarice Lispector é considerada, com Guimarães Rosa, a grande escritora brasileira da segunda metade do século XX, graças ao seu estilo, entre a poesia e a prosa. Uma marca que enchia os detalhes cotidianos de espiritualidade e que se caracterizava por utilizar a primeira pessoa na narrativa. Não se parecia com ninguém, e sua visão não recorda nenhum movimento, embora pertença à terceira fase do Modernismo brasileiro, da chamada Geração de 45.
História da literatura brasileira. Massaud Moisés.Editora. Cultrix. São Paulo:2001. 6ª ed.
Os personagens de Clarice Lispector vivem em estado crítico de sensibilidade e de urgência de sentimentos de solidão, de abandono, de culpa, de júbilo e de inveja.
Esses personagens são colocados sob uma lupa e ganham dimensões astronômicas para que
Considere a seguinte relação de momentos da história social e política do Brasil, para, em seguida, responder ao que se pede:
I Proclamação da Independência e domínio de uma oligarquia segura de si, baseada na escravidão.
II Desenvolvimento de uma nova classe comercial, ligada ao capital internacional.
III Proclamação da República e carência de transformação social efetiva.
IV Abolição da escravatura e abandono dos ex-escravos à sua própria sorte.
Esses eventos e aspectos históricos marcam, sobretudo, respectivamente, as histórias contadas nos seguintes romances de Machado de Assis:
Emergência
Quem faz um poema abre uma janela.
Respira, tu que estás numa cela
abafada,
esse ar que entra por ela.
Por isso é que os poemas têm ritmo
— para que possas profundamente respirar.
Quem faz um poema salva um afogado.
O texto se articula a partir da expressão de sentimentos e sensações forjados pelo autor. Nele, ressalta-se visível preocupação com aspectos inerentes à linguagem, sua estrutura e seu ritmo.
Esses elementos determinam no texto a predominância da função