Escritos em diferentes períodos da Literatura Brasileira, Fogo morto, de José Lins do Rego, e Morte e vida severina, de João Cabral de Melo Neto, aproximam-se pela temática de seus textos, que abordam
Escritor que se dedicou a problematizar e aquestionar a função da literatura, Machado de Assis, em Memórias póstumas de Brás Cubas, inova na estrutura, na temática e na linguagem. Isto posto, assinale a alternativa incorreta.
Mãos dadas
Não serei o poeta de um mundo caduco.
Também não cantarei o mundo futuro.
Estou preso à vida e olho meus companheiros.
Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças.
Entre eles, considero a enorme realidade.
O presente é tão grande, não nos afastemos.
Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.
Não serei o cantor de uma mulher, de uma história.
Não direi suspiros ao anoitecer, a paisagem vista na janela.
Não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida.
Não fugirei para ilhas nem serei raptado por serafins.
O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os
homens presentes,
a vida presente.
ANDRADE, C. D. Sentimento do mundo. São Paulo: Cia. das Letras, 2012Escrito em 1940, o poema Mãos dadas revela um eu lírico marcado pelo contexto de opressão política no Brasil e da Segunda Guerra Mundial. Em face dessa realidade, o eu lírico
Escrita por Pero Vaz de Caminha, a Carta do Achamento do Brasil
“[...] Creio no mundo como num malmequer,
Porque o vejo. Mas não penso nele
Porque pensar é não compreender...
O Mundo não se fez para pensarmos nele
(Pensar é estar doente dos olhos)
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo...
Eu não tenho filosofia: tenho sentidos...
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,
Mas porque a amo, e amo-a por isso,
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe por que ama, nem o que é amar...
Amar é a eterna inocência,
E a única inocência é não pensar...”
O guardador de rebanhos. Alberto Caeiro.Escolha, dentre as alternativas abaixo, aquela que melhor explica o que o fragmento de poema exemplifica e o que o conjunto de poemas O guardador de rebanhos apresenta.
Érico Veríssimo, o cruzaltense que é um dos escritores nacionais mais lidos, deu vida a personagens inesquecíveis, quepermanecem no imaginário coletivo. Entre essas personagens estão Clarissa, do romance Clarissa; Ana Terra e Capitão Rodrigo Cambará, da trilogia O tempo e o vento. Sobre essas personagens e as respectivas obras a que pertencem, é correto afirmar que
As,Memórias de um sargento de milícias de Manuel Antônio de Almeida, foram publicadas, na forma de folhetim, no período de 1852 e 1853; a obra está contextualizada no início do século XIX. Leia o trecho a seguir e marque a alternativa correta.
“Nas escadas do Império fazia-se leilão como ainda hoje, divertindo-se muito o povo ali apinhado com as graçolas pesadas do pregoeiro. Estiveram aí algum tempo entretidos os nossos conhecidos, e foram depois procurar no meio do Campo um lugar onde pudessem fazer alto para cear e ver o fogo. Acharam-no, não sem alguma dificuldade, pois que muitas outras famílias se haviam adiantado e tomado as melhores posições. Grande parte do Campo estava lá coberta daqueles ranchos sentados em esteiras ceando, conversando, cantando modinhas ao som de guitarra e viola. Fazia gosto passear por entre eles, e ouvir aqui a anedota que contava um conviva de bom gosto, ali a modinha cantada naquele tom apaixonadamente poético que faz uma das nossas raras originalidades, apreciar aquele movimento e animação que geralmente reinavam.
Era essa a parte (permitam-nos a expressão) verdadeiramente divertida do divertimento”.
Epopeia é uma longa narrativa em versos que ressalta os feitos de um herói, protagonista de fatos históricos ou maravilhosos. A maior das epopeias da Língua Portuguesa é “Os Lusíadas”, de Camões, em que o grande herói celebrado é
Enuncia acertadamente a qualidade maior da produção ficcional de Graciliano Ramos o seguinte comentário crítico:
CAPÍTULO PRIMEIRO
Rubião fitava a enseada, — eram oito horas da manhã. Quem o visse, com os polegares
metidos no cordão do chambre, à janela de uma grande casa de Botafogo, cuidaria que ele
admirava aquele pedaço de água quieta; mas, em verdade, vos digo que pensava em outra coisa.
Cotejava o passado com o presente. Que era, há um ano? Professor. Que é agora? Capitalista. Olha
[5] para si, para as chinelas (umas chinelas de Túnis, que lhe deu recente amigo, Cristiano Palha), para
a casa, para o jardim, para a enseada, para os morros e para o céu; e tudo, desde as chinelas até o
céu, tudo entra na mesma sensação de propriedade.
— Vejam como Deus escreve direito por linhas tortas, pensa ele. Se mana Piedade tem
casado com Quincas Borba, apenas me daria uma esperança colateral. Não casou; ambos
[10] morreram, e aqui está tudo comigo; de modo que o que parecia uma desgraça...
Machado de Assis, Quincas Borba, in: Obra Completa, Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1994Entre os temas propostos ou suscitados pelo texto, é objeto das cogitações da filosofia de “Humanitas” (ou do célebre “Humanitismo”, que já aparecia nas Memórias póstumas de Brás Cubas), formulada por Quincas Borba, a ideia de que