O Barroco caracteriza-se pelo dualismo ideológico e estilístico, representado pelo conflito entre razão e fé. O maior expoente desse movimento no Brasil é Gregório de Matos, autor dos excertos abaixo, pertencentes ao poema “Aos vícios”.
Eu sou aquele que os passados anos
Cantei na minha lira maldizente
Torpezas do Brasil, vícios e enganos.
(...)
Quantos há, que os telhados têm vidrosos,
E deixam de atirar sua pedrada
De sua mesma telha receosos.
Fonte: Seleção de obras poéticas de Gregório de Matos. Belém: UNAMA. p. 8-9. Disponível em: < http://www.dominiopublico.gov.br>. Acesso em: 28 mar. 14.
Considere as seguintes afirmativas sobre o excerto de Gregório de Matos.
I O eu-poético nos versos transcritos elogia o caráter daqueles que evitam apontar as falhas alheias.
II O eu-lírico afasta-se da temática centralmente abordada pela poesia barroca, o conflito entre matéria e espírito, com uma preocupação em satirizar os vícios sociais.
III Os versos acima assumem um viés lírico, uma das facetas assumidas pelo poeta, ao preocupar-se com o futuro do Brasil.
Das afirmativas acima, pode-se dizer que
Considere as seguintes afirmativas sobre a poesia de Paulo Leminski.
I O verso livre é bastante presente no conjunto de sua obra.
II Aspectos da natureza são tratados pelo poeta.
III A musicalidade não é um recurso empregado nos seus poemas.
IV O soneto é uma das formas poéticas mais presentes na sua obra.
Das afirmativas acima, pode-se dizer que
O MENINO QUE CARREGAVA ÁGUA NA PENEIRA
Tenho um livro sobre águas e meninos.
Gostei mais de um menino que carregava água na peneira.
A mãe disse que carregar água na peneira
era o mesmo que roubar um vento e sair correndo com ele
para mostrar aos irmãos.
A mãe disse que era o mesmo que catar espinhos na água
O mesmo que criar peixes no bolso.
O menino era ligado em despropósitos.
Quis montar os alicerces de uma casa sobre orvalhos.
A mãe reparou que o menino gostava mais do vazio do que do cheio.
Falava que os vazios são maiores e até infinitos.
Com o tempo aquele menino que era cismado e esquisito
Porque gostava de carregar água na peneira
Com o tempo descobriu que escrever seria o mesmo que
carregar água na peneira.
No escrever o menino viu
que era capaz de ser noviça,
monge ou mendigo ao mesmo tempo.
O menino aprendeu a usar as palavras.
Viu que podia fazer peraltagens com as palavras.
E começou a fazer peraltagens.
Foi capaz de interromper o voo de um pássaro
botando ponto final na frase.
Foi capaz de modificar a tarde botando uma chuva nela.
O menino fazia prodígios.
Até fez uma pedra dar flor!
A mãe reparava o menino com ternura.
A mãe falou: Meu filho você vai ser poeta.
Você vai carregar água na peneira a vida toda.
Você vai encher os vazios com as suas peraltagens
E algumas pessoas vão te amar por seus despropósitos
(BARROS, Manoel de. Poesia completa. São Paulo: Leya, 2010. p. 469-470.)Sobre o texto, analise as afirmativas.
I. O trecho “O menino era ligado em despropósitos / Quis montar os alicerces de uma casa sobre orvalhos” sugere que, no fazer poético, o artista deve pautar-se, antes de tudo, pela coerência e concretude de propósitos.
II. Em “No escrever o menino viu/que era capaz de ser noviça, /monge ou mendigo ao mesmo tempo”, revela a capacidade do eu-lírico em se metamorfosear em várias personagens.
III. Da leitura atenta do poema, pode-se dizer que o poeta é aquele que tematiza situações incomuns, tornando-as lógicas e que trata da inventividade como forma de dominar fatos da vida.
Das afirmativas acima, assinale a que NÃO corresponde aos significados utilizados pelo autor do texto.
Leia o soneto abaixo de Camões e responda à questão.
“Alma minha gentil, que te partiste
Tão cedo desta vida descontente,
Repousa lá no Céu eternamente,
E viva eu cá na terra sempre triste.
Se lá no assento Etéreo, onde subiste,
Memória desta vida se consente,
Não te esqueças daquele amor ardente,
Que já nos olhos meus tão puro viste.
E se vires que pode merecer-te
Alguma cousa a dor que me ficou
Da mágoa, sem remédio, de perder-te,
Roga a Deus, que teus anos encurtou,
Que tão cedo de cá me leve a ver-te,
Quão cedo de meus olhos te levou.
Das afirmações abaixo, uma não está correta, assinale-a.
Da novela Vidas Secas, de Graciliano Ramos e da constituição do grupo familiar de Fabiano, pode-se afirmar que
Em 19/05/1928, Mário de Andrade (1893-1945) escreveu uma carta a Alceu Amoroso Lima acerca de Macunaíma:
“Macunaíma já é uma tentativa tão audaciosa e tão única (não pretendo voltar ao gênero absolutamente), os problemas dele são tão complexos apesar dele [sic] ser um puro divertimento (foi escrito em férias e como férias) que complicá-lo ainda com a tal de antropofagia me prejudica bem o livro. [...] Pois diante de Macunaíma estou absolutamente incapaz de julgar qualquer coisa. Às vezes tenho a impressão de que é a única obra de arte, deveras artística, isto é, desinteressada que fiz na minha vida. No geral meus atos e trabalhos são muito conscientes por demais pra serem artísticos. Macunaíma não. Resolvi escrever porque fiquei desesperado de comoção lírica quando lendo o Koch Grünberg percebi que Macunaíma era um heróisem nenhum caráter nem moral nem psicológico, achei isso enormemente comovente nem sei porque, de certo pelo ineditismo do fato, ou por ele concordar um bocado bastante com a época nossa, não sei... [...] Mas se principio matutando um pouco mais sobre o livro que escrevi sem nenhuma intenção, me rindo apenas das alusões à psicologia do brasileiro que botava nele, principia surgindo tanto problema tratado, tanta crítica feita dentro dele que, tanto simbolismo até, que nem sei parece uma sátira tremenda. E não é não. Nem a caçoada [zombaria] vasta que faço da sensualidade e pornografia brasileira, tive intenção de fazer sátira.”
(FERNANDES, Lygia (Org.). 71 cartas de Mário de Andrade. Rio de Janeiro: São José, [19--]. p. 31-2).Da leitura dos excertos transcritos, é correto inferir que Mário de Andrade
Leia o texto a seguir para responder à questão
— Não chores, minha flor... segredou-lhe afinal. Tens toda a razão... perdoa-me se fui grosseiro contigo! Mas que queres? todos nós temos orgulho, e a minha posição ao teu lado era tão falsal!... Acredita que ninguém te amará mais do que te amo e te desejo! Se soubesses, porém, quanto custa ouvir cara a cara: Não lhe dou minha filha, porque o senhor é indigno dela, o senhor é filho de uma escrava! Se me dissessem: É porque é pobre! Que diabo! eu trabalharia! se me dissessem: É porque não tem uma posição social! juro-te que a conquistaria, fosse como fosse! É porque é um infame! um ladrão! um miserável! eu me comprometeria a fazer de mim o melhor modelo dos homens de bem! Mas um ex-escravo, um filho de negra, um mulato! E, como hei de transformar todo meu sangue, gota por gota? como hei de apagar a minha história da lembrança de toda esta gente que me detesta?
Fonte: AZEVEDO, A. O Mulato. São Paulo: Martins Claret, 2010. aO diálogo entre os personagens Raimundo e Ana Rosa na obra O Mulato, de Aluísio Azevedo (1881), expressa o preconceito racial existente na sociedade maranhense do século XIX.
Da leitura do romance O Mulato, percebe-se que
Leia o poema de Almeida Garrett.
Seus olhos
Seus olhos – se eu sei pintar
O que os meus olhos cegou –
Não tinham luz de brilhar,
Era chama de queimar;
E o fogo que a ateou
Vivaz, eterno, divino,
Como facho do Destino.
Divino, eterno! – e suave
Ao mesmo tempo: mas grave
E de tão fatal poder,
Que, um só momento que a vi,
Queimar toda alma senti...
Nem ficou mais de meu ser,
Senão a cinza em que ardi.
Da leitura do poema, depreende-se que se trata de obra do
A poesia que floresceu nos anos 70 do século XX é inquieta, anárquica, contestadora. A “poesia marginal”, como ficou conhecida, não se filia a nenhuma estética literária em particular, embora seja possível ver nela traços de algumas vanguardas que a precederam, como no poema a seguir.
S.O.S
Chacal
(...) nós que não somos médicos psiquiatras
nem ao menos bons cristãos
nos dedicamos a salvar pessoas
que como nós
sofrem de um mal misterioso: o sufoco
CAMPEDELLI, Samira Y. Poesia Marginal dos Anos 70. São Paulo: Scipione, 1995 (adaptado).
Da leitura do poema e do texto crítico acima, infere-se que a poesia dos anos 70
Considere o texto de Clarice Lispector.
Diálogo do desconhecido
– Posso dizer tudo?
– Pode.
– Você compreenderia?
– Compreenderia. Eu sei de muito pouco. Mas tenho a meu favor tudo o que não sei e – por ser um campo virgem – está livre de preconceitos. Tudo o que não sei é a minha parte maior e melhor: é a minha largueza. É com ela que eu compreenderia tudo. Tudo o que não sei é que constitui a minha verdade.
(Aprendendo a viver, 2013.)Da leitura da última fala do diálogo, depreende-se que: