Da leitura comparada do romance Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis, e do conto "O fisco", de Monteiro Lobato, pode-se afirmar que,
Uma das propriedades do narrador é, por meio das falas dos personagens, revelar determinada visão de mundo. Leia os fragmentos, sob essa perspectiva, para responder à questão 09.
I)
Ultimamente, sem saber como, (Pedro) havia perdido, um a um, os seus lápis de cor, só lhe restando agora, com uma velha caixa vazia [...], a saudade das horas que passava à mesa da varanda desenhando e pintando, com a Mãe Lourença [...], e que por vezes exclamava, envaidecida:
− Este Pedro tem cada estrepolia!
E ela própria, na mesma voz mansa, o advertiu:
− Mas não é para isso que teu avô te quer. Pela vontade dele, tens de ser barqueiro, como ele, como teu pai, como teu avô. Toda a tua família se fez no mar.
II)
– O senhor devia por o seu rapaz na Marinha Mercante – sugeriu Clementino, descansando mais o corpo na borda do balaústre – Tem mais futuro. Conheço muita gente que tem feito carreira por lá. [...] Hoje a rapaziada quer viver num meio maior. E vamos e venhamos, não deixa de ter as suas razões. Nada como um meio grande. Vive-se a gosto, com mais conforto. [...]
Mestre Severino, semblante encrespado, cortou a conversa:
− Guarde os seus conselhos. Já vivi mais que o senhor, tenho também minhas ideias. Se quer ir num barco a motor, ainda está em tempo de saltar. Não me faz falta.
MONTELLO, J. Cais da Sagração. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1981.Da fala de Lourença e de Mestre Severino, pode-se deduzir que há defesa de ideias que comportam
Da estória da Menina dos Rouxinóis, encaixada nos relatos de viagem que compõem a obra Viagens na minha terra, de Almeida Garrett, NÃO se pode afirmar que
rede
augusto pesca piabinha –
piabinha augusto não quer;
augusto pesca pacu –
pacu augusto quer;
augusto pesca peixe
enquanto eu tento pescar poesia
no anzol da pescaria
que augusto não tentaria,
não consigo a facilidade
de augusto
e nem a fartura da pescaria,
mas continuo tentando
pescar, como os peixes de augusto,
versos de alguma poesia...
PINHEIRO, José Sebastião. de sonhos e de construção – poemas. Palmas: Provisão Estação Gráfica e Editora Ltda., 2008, p. 119.Da comparação construída pelo poema entre o poeta e augusto, pode-se dizer que:
TEXTO
(...) Nesta hora de sol puro eu ouço o Brasil.
Todas as tuas conversas, pátria morena, correm pelo ar...
A conversa dos fazendeiros nos cafezais,
a conversa dos mineiros nas galerias de ouro,
a conversa dos operários nos fornos de aço,
a conversa dos garimpeiros peneirando as bateias,
a conversa dos coronéis nas varandas das roças...
Mas o que eu ouço, antes de tudo,
nesta hora de sol puro
palmas paradas
pedras polidas
claridades
brilhos
faíscas
cintilações
é o canto dos teus berços, Brasil, de todos esses teus
berços onde dorme, com
a boca escorrendo leite, moreno, confiante,
o homem de amanhã!
(Ronald de Carvalho. Toda a América.)
Da chamada geração regionalista de 30, o nome de Graciliano Ramos é, certamente, um dos mais importantes. Sua obra passeia tanto pela realidade rural do homem nordestino quanto pelos espaços urbanos das cidades brasileiras, sem esquecermos as suas obras memorialísticas e o seu diário de viagem. Dentre as obras abaixo, quais podemos identificar como de autoria do escritor alagoano?
Texto para aquestão
Nova canção do exílio
Um sabiá
na palmeira, longe.
Estas aves cantam
um outro canto.
O céu cintila
sobre flores úmidas.
Vozes na mata,
e o maior amor.
Só, na noite,
seria feliz:
um sabiá,
na palmeira, longe.
Onde é tudo belo
e fantástico,
só, na noite,
seria feliz.
(Um sabiá,
na palmeira, longe.)
Ainda um grito de vida e
voltar
para onde é tudo belo
e fantástico:
a palmeira, o sabiá,
o longe.
Da “Canção do exílio”, de Gonçalves Dias, o poema de Drummond conserva, sobretudo,
Leia:
O Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia, Mas o Tejo não é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia Porque o Tejo não é o rio que corre pela minha aldeia
(Fernando Pessoa, Poemas de Alberto Caeiro)Curiosamente (ou propositadamente), Alberto Caeiro dispensao substantivo “rio” para Tejo (como que suficientemente famoso) e por outro lado não nomeia o rio de sua aldeia (como que insignificante). Em função disso, pode-se afirmar que nesse trecho há a temática do(a):
O amor é feio
Tem cara de vício
Anda pela estrada
Não tem compromisso
[...]
O amor é lindo
Faz o impossível
O amor é graça
Ele dá e passa
A.Antunes, C.Brown, M.Monte, “O amor é feio”Cotejando a letra da canção com os famosos versos camonianos Amor é fogo quearde sem se ver / É ferida que dói e não se sente, afirma-se corretamente que:
Conversa de bois é um dos contos que integrama obra Sagarana. Do seu enredo como um todo, é correto afirmar que:
“O maniqueísmo é uma filosofia religiosa sincrética e dualística fundada e propagada por Manes ou Maniqueu, filósofo cristão do século III, que divide o mundo simplesmente entre Bom, ou Deus, e Mau, ou o Diabo. A matéria é intrinsecamente má e o espírito, intrinsecamente bom. Com a popularização do termo, maniqueísta passou a ser um adjetivo para toda doutrina fundada nos dois princípios opostos do Bem e do Mal.”
Wikipédia. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Manique%C3%ADsmo.Contra o maniqueísmo, Agostinho de Hipona (Santo Agostinho) afirmava que