Texto 2
O evento
O pai lia o jornal – notícias do mundo. O telefone tocou – tirrim-. A mocinha, filha dele, dezoito vinte vinte e dois anos, sei lá, veio lá de dentro, atendeu: “Alô. Dois quatro sete um dois sete quatro. Mauro!!! Puxa, onde é que você andou? Há quanto tempo! Que coisa! Pensei que tinha morrido! Sumiu! Diz! Não!?! É mesmo? Que maravilha! Meus parabéns!!! Homem ou mulher? Ah! Que bom... Vem logo. Não vou sair não”. Desligou o telefone. O pai perguntou: “Mauro teve um filho?” A mocinha respondeu: “Não. Casou”.
MORAL: JÁ NÃO SE ENTENDEM OS DIÁLOGOS COMO ANTIGAMENTE.
(Millôr Fernandes. In: Novas fábulas fabulosas. p.68.)Assinale o que permitiu, no texto de Millôr Fernandes, a criação da estrutura da piada.
Texto 2
O texto que você lerá a seguir – o poema “Outro verde”, foi retirado da obra Delírio da Solidão, do escritor cearense de Quixeramobim Jáder de Carvalho, que nasceu em 29 de dezembro de 1901 e faleceu no dia sete de agosto de 1985. Jáder de Carvalho foi jornalista, advogado, professor e escritor: poeta e prosador. Sua obra mais conhecida é o romance Aldeota.
Outro verde
Teus olhos mostram o verde
que não é do mar.
[60] Não lembram viagens sem fim
nem o céu a abraçar-se com as águas,
num horizonte parado,
que os marujos não alcançam.
Qual o verde dos teus olhos,
[65] se não é o do oceano?
Não é também o das florestas
onde cabem mistérios e distâncias.
Teu olhar não tem a cor
da enseada que eu amo.
[70] Nele não gritam tempestades,
nem afundam ou se perdem veleiros.
Não escondem braços em naufrágios
nem vozes que não se ouvem
na despedida.
[75] O verde dos teus olhos é subjetivo.
Não sugere portos nem a foz de um rio.
Pintores, dizei-me:
qual de vós se atreveria
a copiar a cor desses olhos?
[80] Ainda não sofreste.
Ainda não conheces a saudade.
Um dia, entre lembranças doridas,
o verde dos teus olhos mudará.
Já li nas linhas da tua mão esquerda:
[85] tu, sem a estrela dos navegantes,
esperas
pelo navio perdido do meu amor.
(Jáder de Carvalho. Delírio da Solidão. p. 46-47.)Assinale o que está INCORRETO sobre a primeira estrofe do poema.
TEXTO
[...]
Uma noite de inverno, gelada e nevoenta,
cercava a criaturinha. Silêncio completo,
nenhum sinal de vida nos arredores. O galo
velho não cantava no poleiro, nem Fabiano
[120] roncava na cama de varas. Estes sons não
interessavam Baleia, mas quando o galo
batia as asas e Fabiano se virava,
emanações familiares revelavam-lhe a
presença deles. Agora parecia que a
[125] fazenda se tinha despovoado.
Baleia respirava depressa, a boca aberta, os
queixos desgovernados, a língua pendente
e insensível. Não sabia o que tinha
sucedido. O estrondo, a pancada que
[130] recebera no quarto e a viagem difícil no
barreiro ao fim do pátio desvaneciam-se no
seu espírito.
Provavelmente estava na cozinha, entre as
pedras que serviam de trempe. Antes de se
[135] deitar, sinhá Vitória retirava dali os carvões
e a cinza, varria com um molho de
vassourinha o chão queimado, e aquilo
ficava um bom lugar para cachorro
descansar. O calor afugentava as pulgas, a
[140] terra se amaciava. E, findos os cochilos,
numerosos preás corriam e saltavam, um
formigueiro de preás invadia a cozinha.
A tremura subia, deixava a barriga e
chegava ao peito de Baleia. Do outro peito
[145] para trás era tudo insensibilidade e
esquecimento. Mas o resto do corpo se
arrepiava, espinhos de mandacaru
penetravam na carne meio comida pela
doença.
[150] Baleia encostava a cabecinha fatigada na
pedra. A pedra estava fria, certamente
sinhá Vitória tinha deixado o fogo apagar-se
muito cedo.
Baleia queria dormir. Acordaria feliz, num
[155] mundo cheio de preás. E lamberia as mãos
de Fabiano, um Fabiano enorme. As
crianças se espojariam com ela, rolariam
com ela num pátio enorme, num chiqueiro
enorme. O mundo ficaria todo cheio de
[160] preás, gordos, enormes.
Ao utilizar o termo dormir no enunciado “Baleia queria dormir.
Acordaria feliz, num mundo cheio de preás” (linhas 154-155), o escritor cria
A partir dos anos 20, com os estudos desenvolvidos por Bakhtin e seu grupo, a língua passou a ser vista como um fenômeno social e os enunciados passaram a ser considerados como uma grande rede responsiva: cada enunciado responde a enunciado anterior e, ao mesmo tempo, espera resposta de um outro enunciado posterior.
Super-Homem
(A Canção)
I
Um dia Vivi a ilusão de que ser homem bastaria Que o mundo masculino tudo me daria Do que eu quisesse ter
II
Que nada Minha porção mulher, que até então se resguardara É a porção melhor que trago em mim agora É que me faz viver
III
Quem dera Pudesse todo homem compreender, oh, mãe, [quem dera Ser no verão o apogeu da primavera E só por ela ser
IV
Quem sabe O Super-homem venha nos restituir a glória Mudando como um deus o curso da história Por causa da mulher
(Gilberto Gil) (https://www.vagalume.com.br/search.php?q=super%20 homem)A divisão do Texto 2 em partes ou apartados nos mostra uma estrutura bem delimitada com uma sequência lógica que facilita sua compreensão. A atenção aos verbos empregados no poema é indispensável para que se possa explorar o sentido do texto.
Relacione as quatro estrofes do poema aos comentários apresentados a seguir, numerando-os de I a IV, de acordo com cada uma delas.
( ) Revela esperança débil e frouxa, e expectativa. Esses dois sentimentos são linguisticamente manifestados por uma interjeição e um verbo no subjuntivo. Aparece, ainda, um gerúndio, demarcando a maneira como ocorre a ação.
( ) Expressa o tempo presente, dentro do qual se divisa um passado anterior a outro passado.
( ) Foi estruturada de modo a expressar desejo e vontade, função que se realiza com o uso da interjeição e de uma forma do subjuntivo.
( ) Inicia-se com uma expressão indicativa de tempo, mas de um tempo indeterminado. O emprego do pretérito perfeito sugere que a ação indicada pelo verbo já está concluída. Os recursos linguísticos empregados na estrofe imprimem, na mente do leitor, a inviabilização do que seria o desejo do sujeito lírico.
A sequência correta, de cima para baixo, é:
“A moradora de rua Rosângela Sibele, que furtou R$ 21,69 em comida para alimentar os filhos, concedeu uma entrevista ao Brasil Urgente após deixar a cadeia e contou que tem ‘o sonho de ser gente’. Ela ficou 18 dias detida após o episódio e teve a prisão revogada pelo ministro Joel Ilan Paciornik, do STJ (Superior Tribunal Federal), na última quarta-feira, 13. ‘Meu grande sonho é ser gente. Eu ainda não sei o que é isso, não sei o que é ser mãe, filha, irmã’, contou ela. A mulher de 41 anos é mãe de cinco filhos e mora há dez anos nas ruas de São Paulo.”
IG DELAS. “Meu sonho é ser gente”, diz mãe que furtou comida para alimentar os filhos. Disponível em: https://delas.ig.com.br/2021-10-14/sonho-ser-gente-maefurto-filhos.html. Acessado em 14/10/2021.A palavra “gente” na fala dessa mulher, quando compreendida à luz da Ética de Immanuel Kant, expressa seu desejo de
TEXTO 4
A imigrante italiana que se formou em nutrição aos 87 anos escreveu o TCC inteiro à mão
Os cabelos brancos de Luísa Valencic
[155] Ficara contrastaram com a juventude dos
colegas durante sua formatura. Nascida na
Itália, Luísa imigrou para a América do Sul
durante a Segunda Guerra Mundial, viveu
em três países sul-americanos e se
[160] estabeleceu em Jundiaí, no interior de São
Paulo. Aos 87 anos, ela acaba de se formar
em nutrição.
Dona Luísa, como é conhecida, vive
na cidade há 40 anos. Após o
[165] falecimento do marido e de sua irmã, ela
decidiu voltar a estudar para se manter
ocupada. Foi assim que surgiu a ideia de se
matricular no curso de nutrição do Centro
Universitário Padre Anchieta. A graduação
[170] foi concluída após seis anos de estudos,
com um TCC sobre a cana-de-açúcar no
Brasil. Segundo informações do Grupo
Anchieta, todo o trabalho foi escrito à mão.
Colegas, professores e funcionários da
[175] instituição ajudaram com a parte da
digitação, configuração e impressão do
trabalho, para apoiar Dona Luísa.
Mas a graduação não é o limite para
a idosa. Ela, que também frequenta aulas
[180] de alemão, inglês e francês, já está
pensando em ingressar em um curso de
pós-graduação para continuar estudando,
segundo contou ao G1.
Disponível em: http://www.hypeness.com.br/2017/09/aimigrante-italiana-que-se-formou-em-nutricaoaos-87-anos-escreveu-o-tcc-inteiro-a-mao/. Acesso: 23/9/17.A notícia acima apresenta elementos coesivos que ajudam na “costura” temática do texto. A partir dessa ideia, é correto asseverar que
Atente à seguinte letra de música:
“Por ser de lá do sertão, lá do cerrado
Lá do interior do mato
Da caatinga, do roçado
Eu quase não saio
Eu quase não tenho amigos
Eu quase não consigo
Ficar na cidade, sem viver contrariado”
(Lamento Sertanejo, Dominguinhos)A letra da canção acima apresenta elementos que estão associados
Texto
Mulher (Sexo Frágil)
Erasmo CarlosDizem que a mulher é o sexo frágil
Mas que mentira absurda!
Eu que faço parte da rotina de uma delas
Sei que a força está com elas
[130] Vejam como é forte a que eu conheço
Sua sapiência não tem preço
Satisfaz meu ego, se fingindo submissa
Mas no fundo me enfeitiça
Quando eu chego em casa à noitinha
[135] Quero uma mulher só minha
Mas pra quem deu luz não tem mais jeito
Porque um filho quer seu peito
O outro já reclama a sua mão
E o outro quer o amor que ela tiver
[140] Quatro homens dependentes e carentes
Da força da mulher
Mulher! Mulher!
Do barro de que você foi gerada
Me veio inspiração
[145] Pra decantar você nessa canção
Mulher! Mulher!
Na escola em que você foi ensinada
Jamais tirei um 10
Sou forte, mas não chego aos seus pés
A forma no diminutivo noitinha, usada no contexto do enunciado “Quando eu chego em casa à noitinha, Quero uma mulher só minha” (linhas 134- 135), sugere o sentido de
A expressão “segunda natureza” serve para designar
Atente para a imagem a seguir.
A charge revela uma crítica aos meios de comunicação, em especial às redes sociais, porque