AprendiAprendi
LiteraturaPUC-Campinas2015

Teoricamente, o nacionalismo independe do Romantismo, embora tenha encontrado nele o aliado decisivo. Há na literatura do período uma aspiração nacional, definida claramente a partir da Independência e precedendo o movimento romântico. (...) Nem é de espantar que assim fosse, pois além da busca das tradições nacionais e o culto da história, o que se chamou em toda a Europa “despertar das nacionalidades”, em seguida ao empuxe napoleônico, encontrou expressão no Romantismo. Sobretudo nos países novos como o nosso o nacionalismo foi manifestação de vida, exaltação afetiva, tomada de consciência, afirmação dopróprio contra o imposto.

(Adaptado de: CANDIDO, Antonio. Formação da Literatura Brasileira. São Paulo: Martins, 1971. 2 v. pp. 14-15)

Consolidada a Independência, e abraçando novas causas libertárias, escritores brasileiros trilharam o caminho

LiteraturaUNICAMP2016

Considere que uma das funções da comédia é corrigir os costumes ou criticar os valores de uma sociedade em um período histórico. O cômico em Lisbela e o prisioneiro é

LiteraturaINSPER2012

Acho que nunca falei do meu amigo parnasiano. Era poeta e jovem, hoje é mais poeta do que jovem. Fazia umas brincadeiras com a linguagem dos poetas parnasianos, transplantando-a para banalidades de hoje. (...) Não sei dizer quando esse amigo começou com a brincadeira. Talvez na faculdade de direito, e além do talvez não avanço. Uma noite, farreado, acabado e sem pouso, ele chegou a um daqueles hotéis de má fama que havia na Avenida Ipiranga, de escadaria longa, íngreme, estreita e desanimadora, e chamou lá de baixo:

— Estalajadeiro! Estalajadeiro!

Era já o parnasiano divertindo-se dentro dele. Um homem surgiu lá em cima, com má vontade. E o poeta, já possuído pela molecagem parnasiana, exclamou, teatral:

— Bom estalajadeiro! Tendes um catre para o meu repouso?

Recebeu de troco palavrões bocagianos.

(Ivan Angelo, Veja SP, 02/05/2012)

Considere estas afirmações: I – O adjetivo “parnasiano”, atribuído ao amigo do narrador do texto, se deve à utilização de palavras pomposas, rebuscadas. II – No último período, o termo “bocagianos” faz referência aos versos satíricos de Manuel Du Bocage, o mais importante autor do Parnasianismo lusitano. III – Depreende-se, da leitura do texto, que os poetas parnasianos valorizavam o plano da expressão, em detrimento do plano do conteúdo. Está correto o que se afirma em

LiteraturaUNICAMP2019

“Picado pelo ciúme, abriu o ourives seu peito à órfã, ofereceu-lhe a mão, e uma pulseira de brilhantes nela, com a condição de me esquecer.

Leontina disse que sim, cuidando que mentia; mas passados oito dias admirou-se de ter dito a verdade. Nunca mais soube de mim, nem eu dela; até que, um ano depois, a criada, que a servia, me contou que a menina casara com o padrinho e que as enteadas, coagidas pelo pai, se tinham ido para o recolhimento do Grilo com uma pequena mesada e a esperança de ficarem pobres. Não sei mais nada a respeito da primeira das sete mulheres que amei, em Lisboa.”

(Camilo Castelo Branco, Coração, cabeça e estômago, p. 4. Disponível em www .dominiopublico.gov.br. Acessado em 20/05/2018.)

O excerto anterior apresenta uma síntese acerca do primeiro dos setes amores da personagem Silvestre da Silva.

Considere essa experiência amorosa no contexto da primeira parte da narrativa e assinale a alternativa correta.

LiteraturaUNESP2011

Instrução: A questão toma por baseuma passagem do romance O sertanejo, do romântico brasileiro José de Alencar (1829-1877).

O sertanejo

O moço sertanejo bateu o isqueiro e acendeu fogo num toro carcomido, que lhe serviu de braseiro para aquentar o ferro; e enquanto esperava, dirigiu-se ao boi nestes termos e com um modo afável:

– Fique descansado, camarada, que não o envergonharei levando-o à ponta de laço para mostrá-lo a toda aquela gente! Não; ninguém há de rir-se de sua desgraça. Você é um boi valente e destemido; vou dar-lhe a liberdade. Quero que viva muitos anos, senhor de si, zombando de todos os vaqueiros do mundo, para um dia, quando morrer de velhice, contar que só temeu a um homem, e esse foi Arnaldo Louredo.

O sertanejo parou para observar o boi, como se esperasse mostra de o ter ele entendido, e continuou:

– Mas o ferro da sua senhora, que também é a minha, tenha paciência, meu Dourado, esse há de levar; que é o sinal de o ter rendido o meu braço. Ser dela, não é ser escravo; mas servir a Deus, que a fez um anjo. Eu também trago o seu ferro aqui, no meu peito. Olhe, meu Dourado.

O mancebo abriu a camisa, e mostrou ao boi o emblema que ele havia picado na pele, sobre o seio esquerdo, por meio do processo bem conhecido da inoculação de uma matéria colorante na epiderme. O debuxo de Arnaldo fora estresido com o suco do coipuna, que dá uma bela tinta escarlate, com que os índios outrora e atualmente os sertanejos tingem suas redes e algodão.

Depois de ter assim falado ao animal, como a um homem que o entendesse, o sertanejo tomou o cabo de ferro, que já estava em brasa, e marcou o Dourado sobre a pá esquerda.

– Agora, camarada, pertence a D. Flor, e portanto quem o ofender tem de haver-se comigo, Arnaldo Louredo. Tem entendido?... Pode voltar aos seus pastos; quando eu quiser, sei onde achá-lo. Já lhe conheço o rasto.

O Dourado dirigiu-se com o passo moroso para o mato; chegado à beira, voltou a cabeça para olhar o sertanejo, soltou um mugido saudoso e desapareceu.

Arnaldo acreditou que o boi tinha-lhe dito um afetuoso adeus.

E o narrador deste conto sertanejo não se anima a afirmar que ele se iludisse em sua ingênua superstição.

(José de Alencar. O sertanejo. Rio de Janeiro: Livraria Garnier, [s.d.]. tomo II, p. 79-80. Adaptado.)

Considere as seguintes palavras do texto: I. Moço. II. Mancebo. III. Sertanejo. IV. Valente. As palavras utilizadas pelo narrador para referir-se a Arnaldo Louredo estão contidas apenas em:

LiteraturaFGV-RJ2016

Brasil

O Zé Pereira chegou de caravela

E preguntou pro guarani da mata virgem

— Sois cristão?

— Não. Sou bravo, sou forte, sou filho da Morte

Teterê tetê Quizá Quizá Quecê!

Lá longe a onça resmungava Uu! ua! uu!

O negro zonzo saído da fornalha

Tomou a palavra e respondeu

— Sim pela graça de Deus

Canhem Babá Canhem Babá Cum Cum!

E fizeram o Carnaval

Oswald de Andrade, Poesias Reunidas.

Considere as seguintes anotações referentes ao poema de Oswald de Andrade: I Mistura de registros linguísticos, níveis de linguagem e pessoas verbais incompatíveis entre si. II Paródia das narrativas que pretendem relatar a fundação do Brasil. III Glosa humorística do tema habitual das “três raças formadoras" do povo brasileiro. Contribui para o caráter carnavalizante do poema o que se encontra em

LiteraturaMACKENZIE2010

Chicó – Por que essa raiva dela?

João Grilo – Ó homem sem vergonha! Você inda pergunta? Está

esquecido de que ela o deixou? Está esquecido da

exploração que eles fazem conosco naquela padaria do

[5] inferno? Pensam que são o cão só porque enriqueceram,

mas um dia hão de pagar. E a raiva que eu tenho é porque

quando estava doente, me acabando em cima de uma

cama, via passar o prato de comida que ela mandava

para o cachorro. Até carne passada na manteiga tinha.

[10] Para mim nada, João Grilo que se danasse. Um dia eu

me vingo.

Chicó – João, deixe de ser vingativo que você se desgraça. Qualquer

dia você inda se mete numa embrulhada séria.

Ariano Suassuna, Auto da Compadecida

Considere as seguintes afirmações. I. O texto de Ariano Suassuna recupera aspectos da tradição dramática medieval, afastando-se, portanto, da estética clássica de origem greco--romana. II. A palavra Auto, no título do texto, por si só sugere que se trata de peça teatral de tradição popular, aspecto confirmado pela caracterização das personagens. III. O teor crítico da fala da personagem, entre outros aspectos, remete ao teatro humanista de Gil Vicente, autor de vários autos, como, por exemplo, o Auto da barca do inferno. Assinale:

LiteraturaUNIFESP2011

As provocações no recreio eram frequentes, oriundas do enfado;irritadiços todos como feridas; os inspetores a cada passo precisavam intervir em conflitos; as importunações andavam em busca das suscetibilidades; as suscetibilidades a procurar a sarna das importunações. Viam de joelhos o Franco, puxavam-lhe os cabelos. Viam Rômulo passar, lançavam-lhe o apelido: mestre-cuca!

Esta provocação era, além de tudo, inverdade. Cozinheiro, Rômulo! Só porque lembrava culinária, com a carnosidade bamba, fofada dos pastelões, ou porque era gordo das enxúndias enganadoras dos fregistas, dissolução mórbida de sardinha e azeite, sob os aspectos de mais volumosa saúde?

(...)

Rômulo era antipatizado. Para que o não manifestassem excessivamente, fazia-se temer pela brutalidade. Ao mais insignificante gracejo de um pequeno, atirava contra o infeliz toda a corpulência das infiltrações de gordura solta, desmoronava-se em socos. Dos mais fortes vingava-se, resmungando intrepidamente.

Para desesperá-lo, aproveitavam-se os menores do escuro. Rômulo, no meio, ficava tonto, esbravejando juras de morte, mostrando o punho. Em geral procurava reconhecer algum dos impertinentes e o marcava para a vindita. Vindita inexorável.

No decorrer enfadonho das últimas semanas, foi Rômulo escolhido, principalmente, para expiatório do desfastio. Mestre cuca! Via-se apregoado por vozes fantásticas, saídas da terra; mestre-cuca! Por vozes do espaço rouquenhas ou esganiçadas. Sentava-se acabrunhado, vendo se se lembrava de haver tratado panelas algum dia na vida; a unanimidade impressionava. Mais frequentemente, entregava-se a acessos de raiva. Arremetia bufando, espumando, olhos fechados, punhos para trás, contra os grupos. Os rapazes corriam a rir, abrindo caminho, deixando rolar adiante aquela ambulância danada de elefantíase.

(Raul Pompeia. O Ateneu.)

Considere as seguintes afirmações. I. A alcunha de mestre-cuca, recebida por Rômulo, advinha do fato de ter praticado, anteriormente, a arte culinária. II. As agressões e humilhações sofridas por Rômulo eram essencialmente motivadas por sua antipatia. III. As reações de Rômulo às provocações dos colegas variavam conforme as circunstâncias. De acordo com o texto, está correto o que se afirma apenas em

LiteraturaMACKENZIE2012

Descobri aos 13 anos que o que me dava prazer nas

leituras não era a beleza das frases, mas a doença

delas.

Comuniquei ao Padre Ezequiel, um meu Preceptor,

[5] esse gosto esquisito.

Eu pensava que fosse um sujeito escaleno.

- Gostar de fazer defeitos na frase é muito saudável,

o Padre me disse.

[...]

[10] Há que apenas saber errar bem o seu idioma.

Esse Padre Ezequiel foi o meu primeiro professor de

agramática.

Manoel de Barros, “Poema VII”

Considere as seguintes afirmações: I. Trata-se de um texto que exemplifica uma tendência da poesia contemporânea marcada pela oposição a padrões acadêmicos rígidos, obedecidos, por exemplo, pela poesia parnasiana. II. A proposta estética implícita nesse poema confirma posições defendidas pelo movimento modernista brasileiro de 22. III. O poema valoriza clichês linguísticos – por exemplo, sujeito escaleno e agramática – , como forma de criticar o experimentalismo estético. Assinale

LiteraturaMACKENZIE2011

Retórica dos namorados, dá-me uma comparação exata e poética

para dizer o que foram aqueles olhos de Capitu. [...] Quantos minutos

gastamos naquele jogo? Só os relógios do céu terão marcado esse

tempo infinito e breve. A eternidade tem as suas pêndulas; nem por

[5] não acabar nunca deixa de querer saber a duração das felicidades

e dos suplícios. Há de dobrar o gozo aos bem-aventurados do céu

conhecer a soma dos tormentos que já terão padecido no inferno os

seus inimigos; assim também a quantidade das delícias que terão

gozado no céu os seus desafetos aumentará as dores aos condenados

[10] do inferno.

Machado de Assis, D. Casmurro

Considere as seguintes afirmações: I. No fragmento citado tem-se exemplo de tendência machadiana caracterizada por comentários digressivos do narrador. II. Uma visão amarga da humanidade está expressa na reflexão acerca da eternidade (linha 04), lugar em que se reproduzem os aspectos negativos da alma humana. III. A referência ao tempo infinito e breve (linha 04) sugere dupla percepção do tempo: psicológica e cronológica. Assinale: