Acerca dos personagens de Clara dos Anjos, de Lima Barreto, considere as seguintes afirmativas:
1. Clara dos Anjos é uma moça que tem dezessete anos no início da trama; viveu toda sua vida no subúrbio e foi criada de maneira rígida, sem ter permissão para sair de casa sozinha.
2. Salustiana Baeta de Azevedo é uma mulher que se julga superior a todos os outros habitantes do subúrbio e que protege seu filho Cassi Jones mesmo contra a vontade do marido.
3. Marramaque é um pequeno funcionário público, padrinho de Clara e amigo do pai dela; desde o início da trama, Marramaque demonstra repulsa por Cassi Jones, que arquiteta seu assassinato.
4. Cassi Jones é um cantador de modinhas malandro típico do Rio de Janeiro do início do século XX, capaz de circular com desenvoltura tanto no subúrbio, onde vive, como no centro da cidade.
Assinale a alternativa correta.
Observe as afirmações abaixo, a respeito do conceito de regionalismo a que a obra ficcional de Graciliano Ramos se liga:
I. Há nos retratos da paisagem e da interação dos sujeitos com o ambiente uma tendência à idealização de uma harmonia. Surgido de um interesse de divulgação, em outros lugares do Brasil, de aspectos positivos do Nordeste – o que é sintetizado no Manifesto “Um Sertão Mundial”, escrito por Graciliano Ramos em 1927 – o regionalismo exalta os valores e a cultura locais, abrindo-se a um diálogo com o mundo moderno e a globalização.
II. Junto ao fato de ser regionalista, a vertente modernista a que a ficção de Graciliano Ramos se filia é de preocupação social. Identificada com o segundo momento modernista (que se inicia a partir dos anos 1930), essa corrente tem como referência criativa essencial o acento dado às questões ideológicas e à intervenção do artista – por meio da denúncia – em realidades sociais marcadas pela desigualdade. O Nordeste revelou, por essa época, alguns importantes ficcionistas imbuídos da iniciativa de, seguindo essa linha de ação “engajada”, abordarem em sua criação alguns dos seculares problemas da região sem, contudo, descuidarem da dimensão humana e individual do que é vivido pelos personagens, o que é apreendido – especialmente em Graciliano Ramos - através de descrições de um psicologismo moderno, em que o conflito homem X meio é visto de modo complexo.
III. O regionalismo de Graciliano Ramos se nutre da intenção de retrato de um sertão mítico e atemporal, no qual, por meio da experiência religiosa, o sertanejo, em suas lutas cotidianas, busca a conexão com o transcendente. Para o autor, toda a riqueza cultural do Nordeste se encontra nas manifestações do misticismo do povo, retratadas em narrativas que exaltam, de modo complexo, uma fé que é local, mas que se liga a um conjunto de referências de outras culturas religiosas, como a grega, por exemplo.
Assinale a alternativa CORRETA.
TEXTO
COMO E POR QUE EVITAR O DESPERDÍCIO
Um terço de toda a comida produzida no mundo vai para o lixo. Há perdas no campo, no transporte, no
armazenamento e no processo culinário. Por outro lado, 870 milhões de pessoas vivem na insegurança
alimentar. Todos os dias, uma de cada oito vai dormir com fome. Reduzir o desperdício pode mudar essa
equação, porque o problema da fome não é a falta de alimento. É a falta de gestão pública e privada. Cada um
[5] pode fazer sua parte para uma balança mais justa.
Apresentam-se proposições sobre o texto.
I – O texto apresenta uma visão pessimista em relação à redução do desperdício alimentar.
II – O texto apresenta a perda de alimentos como o principal vilão em relação à fome.
III – O texto defende que cada um deve contribuir para diminuir o problema da fome.
IV – O texto conclama toda a sociedade a resolver os problemas da gestão de alimentos.
Assinale a alternativa CORRETA.
Em “Teoria do medalhão”, por que o pai recomenda ao filho que use a chalaça e despreze a ironia?
Assinale a alternativa correta.
Sobre o conto “Um homem célebre”, presente no livro Várias Histórias (1896), de Machado de Assis, considere as seguintes afirmativas:
1. Embora o seu grande sonho fosse compor uma obra próxima aos modelos clássicos, Pestana não desgostava totalmente de suas polcas, o único tipo de composição musical que ele conseguia produzir, pois, no frescor da criação e da publicação, o personagem sentia certo prazer em ver sua obra tendo visibilidade.
2. Admirador de grandes compositores como Beethoven e Schumann, Pestana dedicava um cuidado especial às polcas, quando estava inspirado, e um bom exemplo dessa dedicação pode ser encontrado na criteriosa seleção de títulos para essas composições no momento da publicação.
3. Pestana detestava suas polcas e sentia vergonha de ser reconhecido como autor dessas composições, como demonstra o jeito esquivo ao receber elogios de outras personagens ou o ódio que votava às suas obras já no momento mesmo de concebê-las ao piano.
4. Ao fim da vida, principalmente após a morte da esposa tísica, sua esperança de encontrar inspiração, Pestana resigna-se a ser um compositor de polcas e aceita o contrato de seu editor para compor vinte polcas em um prazo de doze meses, o que garantiria certa remuneração em um momento delicado de sua vida financeira.
Assinale a alternativa correta.
Leia o seguinte poema de Carlos Drummond de Andrade, que faz parte da obra Claro Enigma.
A ingaia ciência
A madureza, essa terrível prenda
que alguém nos dá, raptando-nos, com ela,
todo sabor gratuito de oferenda
sob a glacialidade de uma estela,
a madureza vê, posto que a venda
interrompa a surpresa da janela,
o círculo vazio, onde se estenda,
e que o mundo converte numa cela.
A madureza sabe o preço exato
dos amores, dos ócios, dos quebrantos,
e nada pode contra sua ciência
e nem contra si mesma. O agudo olfato,
o agudo olhar, a mão, livre de encantos,
se destroem no sonho da existência.
Sobre o poema, considere as seguintes afirmativas:
1. Nesse poema, a madureza é o ápice da vida humana.
2. O poeta vê o envelhecimento como uma dissolução, indiscutível e irrevogável.
3. Para o poeta, todos devemos nos opor à decadência da vida.
4. A ironia contida do título do livro ecoa no poema com a oposição entre “ingaia” e “ciência”.
Assinale a alternativa correta.
Leia o poema “Encontro”, retirado do livro Claro enigma (1951), de Carlos Drummond de Andrade.
Encontro
Meu pai perdi no tempo e ganho no sonho.
Se a noite me atribui poder de fuga,
sinto logo meu pai e nele ponho
o olhar, lendo-lhe a face, ruga a ruga.
Está morto, que importa? Inda madruga
e seu rosto, nem triste nem risonho,
é o rosto antigo, o mesmo. E não enxuga
suor algum, na calma de meu sonho.
Oh meu pai arquiteto e fazendeiro!
Faz casas de silêncios, e suas roças
de cinza estão maduras, orvalhadas
por um rio que corre o tempo inteiro
e corre além do tempo, enquanto as nossas
murcham num sopro fontes represadas.
Com base no poema, considere as seguintes afirmativas:
1. É um poema que representa o esforço do poeta em Claro enigma de retomar as formas fixas clássicas, como o soneto e a terça-rima.
2. Seguindo a lógica de organização do soneto, nos dois primeiros quartetos, o eu-lírico apresenta o encontro com seu pai no plano onírico e, nos dois tercetos, avalia o que esse mesmo pai construiu após a morte, no plano espiritual (“casas de silêncios” e “roças de cinza” que são irrigadas por um rio atemporal).
3. Em “Encontro”, o eu-lírico, filho de um arquiteto e fazendeiro falecido, percebe que o que ele conseguiu construir até então é muito menor, segundo a sua perspectiva, quando comparado ao que supostamente seu pai construiu.
4. A figura do pai é um elemento muito importante para a poética de Drummond e ele reaparece no poema “A mesa”, também presente em Claro enigma.
Assinale a alternativa correta.
Leia o poema a seguir.
Pronominais
Dê-me um cigarro
Diz a gramática
Do professor e do aluno
E do mulato sabido
Mas o bom negro e o bom branco
Da Nação Brasileira
Dizem todos os dias
Deixa disso camarada
Me dá um cigarro
Assinale a alternativa correta.
Era João Romão quem lhes fornecia tudo, tudo, até dinheiro adiantado, quando algum precisava. Por ali não se encontrava jornaleiro, cujo ordenado não fosse inteirinho parar às mãos do velhaco. E sobre este cobre, quase sempre emprestado aos tostões, cobrava juros de oito por cento ao mês, um pouco mais do que levava aos que garantiam a divida com penhores de ouro ou prata.
[...]
E durante dois anos o Cortiço prosperou de dia para dia, ganhando forças, socando-se de gente. E ao lado, o Miranda assustava-se, inquieto com aquela exuberância brutal de vida, aterrado defronte daquela floresta implacável que lhe crescia junto da casa, por debaixo das janelas, e cujas raízes, piores e mais grossas do que serpentes, minavam por toda a parte, ameaçando rebentar o chão em torno dela, rachando o solo e abalando tudo.
ASSINALE a alternativa correta.
Considere esta informação e a crônica para responder à questão.
Em “De escrita e vida”, Clarice Lispector faz várias observações sobre sua experiência como escritora e sobre o fato de a escrita ter se tornado o centro de sua vida, já que, para ela, o ato de escrever se confunde e permeia o ato de viver.
“Exercício
É curiosa essa experiência de escrever mais leve e para muitos, eu que escrevia “minhas coisas” para poucos. Está sendo agradável a sensação. Aliás, tenho me convivido muito ultimamente e descobri com surpresa que sou suportável, às vezes até agradável de ser.
Bem. Nem sempre.”
ASSINALE a alternativa correta.