Leia o texto para responder à questão.
O sertanejo, assoberbado de reveses, dobra-se, afinal.
Passa, certo dia, à sua porta, a primeira turma de “retirantes”. Vê-a, assombrado, atravessar o terreiro, miseranda, desaparecendo adiante numa nuvem de poeira, na curva do caminho... No outro dia, outra. E outras. É o sertão que se esvazia.
Não resiste mais. Amatula-se num daqueles bandos, que lá se vão caminho em fora, debruando de ossadas as veredas, e lá se vai ele no êxodo penosíssimo para a costa, para as serras distantes, para quaisquer lugares onde o não mate o elemento primordial da vida.
Atinge-os. Salva-se.
Passam-se meses. Acaba-se o flagelo. Ei-lo de volta. Vence-o saudade do sertão. Remigra. E torna feliz, revigorado, cantando; esquecido de infortúnios, buscando as mesmas horas passageiras da ventura perdidiça e instável, os mesmos dias longos de transes e provações demoradas.
(Euclides da Cunha. Os Sertões)As informações da narrativa permitem concluir que
Essa poesia não logrou estabelecer-se em Portugal. De origem francesa, suas primeiras manifestações datam de 1866, quando um editor parisiense publica uma coletânea de poemas; em 1871 e 1876, saem outras duas coletâneas. Os poetas desse movimento literário pregam o princípio da Arte pela Arte, isto é, defendem uma arte que não sirva a nada e a ninguém, uma arte inútil, uma arte voltada para si própria. A Arte procuraria a Beleza e a Verdade que existiriam nos seres concretos, e não no sentimento do artista. Por isso, o belo se confundiria com a forma que o reveste, e não com algo que existiria dentro dele. Daí vem que esses poetas sejam formalistas e preguem o cuidado da forma artística como exigência preliminar. Para consegui-lo, defendem uma atitude de impassibilidade diante das coisas: não se emocionar jamais; antes, impessoalizar-se tanto quanto possível pela descrição dos objetos, via de regra inertes ou obedientes aos movimentos próprios da Natureza (o fluxo e refluxo das ondas do mar, o voo dos pássaros, etc.). Esteticistas, anseiam uma arte universalista.
Em Portugal, tentou-se introduzir esse movimento; certamente, impregnou alguns poetas, exerceu influência, mas não passou de prurido, que pouco alterou o ritmo literário do tempo. Na verdade, o modo fortuito como alguns se deixaram contaminar da nova moda poética revelava apenas veleidade francófila, em decorrência de razões de gosto pessoal ou de grupos restritos: faltou-lhes intuito comum.
(Massaud Moisés. A literatura portuguesa, 1999. Adaptado.)
As informações apresentadas no texto referem-se à literatura
As ideias desenvolvidas nos textos O Cortiço, deAluísio Azevedo [1890], e A Cidade e as Serras, de Eça de Queirós [1901], estão ligadas às consequências da civilização e do progresso que aprofundaram a divisão das classes sociais na segunda metade do século XIX e início do XX, no Brasil e em Portugal. Com base nessa perspectiva sócio-histórica, assinale a afirmativa incorreta.
As histórias narradas na obra Ipobajá, de Odir Rocha, a exemplo dos contos “Manezinho, o fogoió”, “Quem não procura também acha” e “O caçador de onça”, representam
Texto para aquestão
Assim se explicam a minha estada debaixo da janela
de Capitu e a passagem de um cavaleiro, um dandy,
como então dizíamos. Montava um belo cavalo alazão,
firme na sela, rédea na mão esquerda, a direita à cinta,
botas de verniz, figura e postura esbeltas: a cara não me
era desconhecida. Tinham passado outros, e ainda outros
viriam atrás; todos iam às suas namoradas. Era uso do
tempo namorar a cavalo. Relê Alencar: “Porque um
estudante (dizia um dos seus personagens de teatro de
1858) não pode estar sem estas duas coisas, um cavalo e
uma namorada”. Relê Álvares de Azevedo. Uma das suas
poesias é destinada a contar (1851) que residia em
Catumbi, e, para ver a namorada no Catete, alugara um
cavalo por três mil-réis...
As formas verbais “Tinham passado” (linha 6) e “viriam” (linha 7) traduzem idéia, respectivamente, de anterioridade e de posterioridade em relação ao fato expresso pela palavra
Considere as seguintes falas de personagens presentes no romance A hora da estrela, de Clarice Lispector:
I. “Eu lhe empresto. Inclusive madama Carlota também quebra feitiço que tenham feito contra a gente. Ela quebrou o meu à meia-noite em ponto de uma sexta-feira treze de agosto, lá para lá de S. Miguel, num terreiro de macumba”.
II. “Mas, Macabeazinha, que vida horrível a sua! Que meu amigo Jesus tenha dó de você, filhinha! Mas que horror!
III. “Você, Macabéa, é um cabelo na sopa. Não dá vontade de comer”.
IV. “Vejo a nordestina se olhando ao espelho e (…) no espelho aparece o meu rosto cansado e barbudo. Tanto nós nos intertrocamos”.
V. “Eu gosto tanto de ouvir os pingos de minutos do tempo assim: tic-tac-tic-tac-tic-tac. A Rádio Relógio diz que dá a hora certa, cultura e anúncios. O que quer dizer cultura?”
As falas acima indicadas correspondem respectivamente às seguintes personagens do romance:
Leia as estrofes a seguir.
E se somos Severinos
iguais em tudo na vida,
morremos de morte igual,
mesma morte severina:
que é a morte de que se morre
de velhice antes dos trinta,
de emboscada antes dos vinte,
de fome um pouco por dia
(de fraqueza e de doença
é que a morte severina
ataca em qualquer idade,
e até gente não nascida).
[...]
[...] não há melhor resposta
que o espetáculo da vida:
vê-la desfiar seu fio,
que também se chama vida,
ver a fábrica que ela mesma,
teimosamente, se fabrica,
vê-la brotar como há pouco
em nova vida explodida;
mesmo quando é assim pequena
a explosão, como a ocorrida;
como a de há pouco, franzina;
mesmo quando é a explosão
de uma vida severina.
As estrofes transcritas do auto Morte e vida severina expressam visões diferenciadas a respeito da vida, as quais estão sintetizadas na seguinte contraposição:
TEXTO:
Já vem o peso do mundo
com suas fortes sentenças.
Sobre a mentira e a verdade
desabam as mesmas penas.
Apodrecem nas masmorras,
juntas, a culpa e a inocência.
O mar grosso irá levando,
para que ao longe se esqueçam,
as razões dos infelizes,
a franja das suas queixas,
o vestígio dos seus rastros,
a sua inútil presença.
[...]
Já vem o peso da vida,
já vem o peso do tempo:
pergunta pelos culpados
que não passarão tormentos,
e pelos nomes ocultos
dos que nunca foram presos.
Diante do sangue de forca
e dos barcos do desterro,
julga os donos da justiça,
suas balanças e preços.
E contra os seus crimes lavra
a sentença do desprezo.
MEIRELES, Cecília. Romance LI ou DAS SENTENÇAS. Romanceiro daInconfidência. 4. ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1979. p.134-135.Os fragmentos foram extraídos da obra Romanceiro da Inconfidência, de Cecília Meireles. Esse longo poema trata dos heróis do Brasil que, motivados pelo sentimento de liberdade, lutaram e sofreram em defesa de seu ideal.
As estrofes revelam
As estéticas literárias que compõem a Literatura brasileira são multifacetadas, uma vez que estão intimamente ligadas, em sua grande maioria, ao momento histórico que as gerou. Da chegada dos portugueses aos dias atuais, desenha-se um rico perfil em nossas letras. Assim sendo, as afirmações a seguir versarão a respeito de algumas escolas literárias nacionais e suas relações. Analise-as e assinale a correta.
O texto a seguir se refere à questão.
Olhos de ressaca
Enfim, chegou a hora da encomendação e da partida. Sancha quis despedir-se do marido, e o desespero daquele lance consternou a todos. Muitos homens choravam também, as mulheres todas. Só Capitu, amparando a viúva, parecia vencer-se a si mesma. Consolava a outra, queria arrancá-la dali. A confusão era geral. No meio dela, Capitu olhou alguns instantes para o cadáver tão fixa, tão apaixonadamente fixa, que não admira lhe saltassem algumas lágrimas poucas e caladas... As minhas cessaram logo. Fiquei a ver as dela; Capitu enxugou-as depressa, olhando a furto para a gente que estava na sala. Redobrou de carícias para a amiga, e quis levá-la; mas o cadáver parece que a retinha também. Momento houve em que os olhos de Capitu fitaram o defunto, quais os da viúva, sem o pranto, nem palavras desta, mas grandes e abertos, como a vaga do mar lá fora, como se quisesse tragar também o nadador da manhã.
Fonte: ASSIS, J. Maria Machado de. Obra Completa. V.1. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1997. p. 927.As estéticas Barroco e Arcadismo têm como característica comum a expressão de: