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LiteraturaUFRN2011

[...]

Soluços, lágrimas, casa armada, veludo preto nos portais, um homem que veio vestir o

cadáver, outro que tomou a medida do caixão, caixão, essa, tocheiros, convites,

[3] convidados que entravam. Lentamente, a passo surdo, e apertavam a mão à família, alguns

tristes, todos sérios e calados, padre e sacristão, rezas, aspersões d'água benta, o fechar

[6] a custo pela escada, não obstante os gritos, soluços e novas lágrimas da família, e vão até

o coche fúnebre, e o colocam em cima e traspassam e apertam as correias, o rodar do

coche, o rodar dos carros, um a um...

[...]

ASSIS, Machado de. Memórias Póstumas de Brás Cubas. In: COUTINHO, Afrânio (Org.). Obra completa. v. 1. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1992. p. 562.

As escolhas lexicais presentes no texto permitem afirmar que

LiteraturaUSP2014

CAPÍTULO LXXI

O senão do livro

Começo a arrepender-me deste livro. Não que ele me canse; eu não tenho que fazer; e, realmente, expedir alguns magros capítulos para esse mundo sempre é tarefa que distrai um pouco da eternidade. Mas o livro é enfadonho, cheira a sepulcro, traz certa contração cadavérica; vício grave, e aliás ínfimo, porque o maior defeito deste livro és tu, leitor. Tu tens pressa de envelhecer, e o livro anda devagar; tu amas a narração direita e nutrida, o estilo regular e fluente, e este livro e o meu estilo são como os ébrios, guinam à direita e à esquerda, andam e param, resmungam, urram, gargalham, ameaçam o céu, escorregam e caem...

E caem! — Folhas misérrimas do meu cipreste, heis de cair, como quaisquer outras belas e vistosas; e, se eu tivesse olhos, dar-vos-ia uma lágrima de saudade. Esta é a grande vantagem da morte, que, se não deixa boca para rir, também não deixa olhos para chorar... Heis de cair.

Machado de Assis, Memórias póstumas de Brás Cubas.

Nas primeiras versões das Memórias póstumas de Brás Cubas, constava, no final do capítulo LXXI, aqui reproduzido, o seguinte trecho, posteriormente suprimido pelo autor:

[... Heis de cair.] Turvo é o ar que respirais, amadas folhas. O sol que vos alumia, com ser de toda a gente, é um sol opaco e reles, de ........................ e ........................ .

As duas palavras que aparecem no final desse trecho, no lugar dos espaços pontilhados, podem servir para qualificar, de modo figurado, a mescla de tonalidades estilísticas que caracteriza o capítulo e o próprio livro. Preenchem de modo mais adequado as lacunas as palavras

LiteraturaPUC-Campinas2013

Na ficção de Guimarães Rosa, cuja primeira virtude é chamar o leitor para uma espécie de gramática de uma nova língua, o cenário privilegiado é o de um amplo sertão brasileiro, entendido ainda como espaço simbólico. E o autor teve olhos também para o nascimento de Brasília, num conto de Primeiras estórias. Entre o tempo arcaico e o tempo do futuro, entre “a roça e o elevador”, para lembrar uma imagem de Carlos Drummond de Andrade, Rosa escolheu a ambos: linguagem de novíssima arquitetura, temas que remontam ao regionalismo primitivo, povoado de coronéis e jagunços.

(Aristides Valerim, inédito)

As disputas violentas entre bandos de jagunços fornecem ao romance Grande sertão: veredas uma linha narrativa básica, pontuada pela presença intensa de um amor culposo, de sofridas indagações acerca do que é o Bem e o que é o Mal. Por conta disso, nesse romance de Guimarães Rosa as tonalidades da épica, da lírica e da reflexão metafísica ou moral

LiteraturaPUC-Campinas2012

Atenção: Para responder à questão, considere o texto apresentado abaixo.

E, afinal, pergunta ele [Rousseau], como é esse negócio de “ricos” e “pobres”, como é que é? Esta desigualdade, para Rousseau, não é “natural”, não decorre da Natureza − pois naquela época se falava assim − do próprio Homem. Ela decorre da história dos homens e das relações múltiplas que entre eles se estabelecem e que provocam, como produtos derivados, uma porção de males como: a miséria e a opulência, o poder de um lado e, de outro, os pobres desditados; os governantes, de um lado, e, de outro, os pobres governados. Tudo isso, dizia Rousseau, tudo isso que vemos hoje em nossa frente, essas diferenças todas entre nobres, burgueses, camponeses, etc. não são nada naturais e precisam acabar. Sim, precisam acabar, pois é esta “desigualdade” a fonte absoluta e única de todos os males sociais.

(Luiz Salinas Fortes. O Iluminismo e os reis filósofos. São Paulo: Brasiliense, 1982. p. 67)

As diferenças e as injustiças sociais sensibilizaram certos poetas românticos, que assumiram um papel missionário na luta pela igualdade e pelos direitos humanos. Entre nós, Castro Alves, com

LiteraturaUNIVAG2016

Nem parecia um meio-dia de inverno. O sol deixava cair sobre as ruas uma claridade macia, que não queimava, mas cujo calor acariciava como a mão de uma mulher. No jardim próximo as flores desabrochavam em cores. Margaridas e onze-horas, rosas e cravos, dálias e violetas. Parecia haver na rua um perfume bom, muito sutil, mas que Pirulito sentia entrar nas suas narinas e como que embriagá-lo. Tinha comido na porta de uma casa de portugueses ricos as sobras de um almoço que fora quase um banquete. A criada, que lhe trouxera o prato cheio, dissera, mirando as ruas, o sol do inverno, os homens que passavam sem capa:

− Tá fazendo um dia lindo.

Essas palavras foram com Pirulito pela rua. Um dia lindo, e o menino ia despreocupado, assoviando um samba.

(Capitães da Areia, 2008.)

As descrições do clima e da paisagem urbana de Salvador

LiteraturaFACERES2015

As décadas de 1930 e 1940 foram marcadas, dentre outros aspectos, pela presença de importantes romances regionalistas que se destacaram na Literatura Brasileira. Dentre os romances listados abaixo, apenas um não faz parte deste período. É ele:

LiteraturaCESMAC2016

As criações literárias deixam transparecer marcas dos contextos históricos em que foram produzidas. São, assim, de certa forma, representativas de aspectos sociais e culturais de cada época, como se pode constatar na alternativa seguinte.

LiteraturaUESB2015

Cansei-me de tentar o teu segredo:

No teu olhar sem cor, — frio escalpelo, —

O meu olhar quebrei, a debatê-lo,

Como a onda na crista dum rochedo.

Segredo dessa alma, e meu degredo

E minha obsessão! Para bebê-lo,

Fui teu lábio oscular, num pesadelo,

Por noites de pavor, cheio de medo.

E o meu ósculo ardente, alucinado,

Esfriou sobre o mármore correto

Desse entreaberto lábio gelado...

Desse lábio de mármore, discreto,

Severo como um túmulo fechado,

Sereno como um pélago quieto.

PESSANHA, Camilo.Clepsidra: poemas de Camilo Pessanha. São Paulo: Ateliê Editorial, 2009. p. 63.

As comparações utilizadas pelo poeta sugerem

LiteraturaACAFE2021

Leia os textos a seguir e identifique as citações extraídas da obra Cemitério dos Vivos, de Lima Barreto.

I -“Se quereis emendar a administração da Casa Verde, estou pronto a ouvir-vos; mas, se exigis que me negue a mim mesmo, não ganhareis nada. Poderia convidar alguns de vós em comissão dos outros a vir ver comigo os loucos reclusos; mas não o faço, porque seria dar-vos razão do meu sistema, o que não farei a leigos nem a rebeldes.”
ll - “Os guardas em geral, principalmente os do pavilhão e da seção dos pobres, têm os loucos na conta de sujeitos sem nenhum direito a um tratamento respeitoso, seres inferiores, com os quais eles podem tratar e fazer o que quiserem. Já lhes contei como baldeei no pavilhão, como lavei o banheiro e como um médico ou interno me tirou a vassoura da mão quando estava varrendo o jardim.”
III - “[…] eu pulei em cima da mesa, […], taquei o vidro de suco de tomate com toda a força e ele botou a galinha de lado, ficou de pé na pata traseira e me enfrentou feito homem. Pela alma da minha mãe, doutor, me representou um homem vestido de rato!”
IV - “Estive mais de uma vez no hospício, passei por diversas seções e eu posso dizer que me admirei que homens rústicos, os portugueses, mal saídos da gleba do Minho, os brasileiros, da mais humilde extração urbana, pudessem ter tanta resignação, tanta delicadeza relativa, para suportar os loucos e as suas manias. Nem todos são insuportáveis; na maioria, são obedientes e dóceis; mas os poucos rebeldes e aqueles que se enfurecem, de quando em quando, são por vezes de fazer um homem perder a cabeça.”
V - “Tu vens exata e diretamente do Darwin, da forma ancestral comum dos seres organizados: eu te vejo bem as saliências cranianas do Orango, o gesto lascivo, o ar animal e rapace do símio.”

As citações extraídas da obra Cemitério dos Vivos, de Lima Barreto, de cima para baixo, são:

LiteraturaUFG2011

As características a seguir se referem à obra Minigrafias, deLuís Araujo Pereira. Dentre elas, a que está presente em toda a obra é