TEXTO 3
Retrato do artista quando coisa
[110] A maior riqueza
do homem
é sua incompletude.
Nesse ponto
sou abastado.
[115] Palavras que me aceitam
como sou
— eu não aceito.
Não aguento ser apenas
um sujeito que abre
[120] portas, que puxa
válvulas, que olha o
relógio, que compra pão
às 6 da tarde, que vai
lá fora, que aponta lápis,
[125] que vê a uva etc. etc.
Perdoai. Mas eu
preciso ser Outros.
Eu penso
renovar o homem
[130] usando borboletas.
BARROS, Manoel. O retrato do Artista Quando Coisa. Rio de Janeiro: Record, 1998.A utilização de figuras de linguagem ocorre, de maneira muito particular, na escrita literária. Sobre o uso desse recurso no poema de Manoel de Barros, identifica-se
A única alternativa que apresenta outras duas obras de Mário de Andrade é
A única alternativa que apresenta outras duas obras de Graciliano Ramos é
Conheci que Madalena era boa em demasia, mas não conheci tudo de uma vez. Ela se revelou pouco a pouco, e nunca se revelou inteiramente. A culpa foi minha, ou antes, a culpa foi desta vida agreste, que me deu uma alma agreste.
E, falando assim, compreendo que perco o tempo. Com efeito, se me escapa o retrato moral de minha mulher, para que serve esta narrativa? Para nada, mas sou forçado a escrever.
Quando os grilos cantam, sento-me aqui à mesa da sala de jantar, bebo café, acendo o cachimbo. Às vezes as ideias não vêm, ou vêm muito numerosas – e a folha permanece meio escrita, como estava na véspera. Releio algumas linhas, que me desagradam. Não vale a pena tentar corrigi-las. Afasto o papel.
Emoções indefiníveis me agitam – inquietação terrível, desejo doido de voltar, tagarelar novamente com Madalena, como fazíamos todos os dias, a esta hora. Saudade? Não, não é isto: é desespero, raiva, um peso enorme no coração.
Procuro recordar o que dizíamos. Impossível. As minhas palavras eram apenas palavras, e as dela tinham alguma coisa que não consigo exprimir. Para senti-las melhor, eu apagava as luzes, deixava que a sombra nos envolvesse até ficarmos dois vultos indistintos na escuridão.
Lá fora os sapos arengavam, o vento gemia, as árvores do pomar tornavam-se massas negras.
GRACILIANO RAMOS – São Bernardo
A única afirmação que não corresponde ao texto acima é que Paulo Honório, personagem-narrador:
Música brasileira (Olavo Bilac)
Tens, às vezes, o fogo soberano
Do amor: encerras na cadência, acesa
Em requebros e encantos de impureza,
Todo o feitiço do pecado humano.
Mas, sobre essa volúpia, erra a tristeza
Dos desertos, das matas e do oceano:
Bárbara poracé, banzo africano,
E soluços de trova portuguesa.
És samba e jongo, xiba e fado, cujos
Acordes são desejos e orfandades
De selvagens, cativos e marujos:
E em nostalgias e paixões consistes,
Lasciva dor, beijo de três saudades,
Flor amorosa de três raças tristes.
O poema de Olavo Bilac interpreta a música brasileira a partir do encontro entre portugueses, africanos escravizados e indígenas.
A tristeza atribuída pelo eu lírico a essa música deve-se ao (à)
Leia a tira.
A tira dialoga com um poema de Carlos Drummond de Andrade,no qual a imagem do anjo torto está relacionada
Retrato do Brasil: ensaio sobre a tristeza brasileira, de Paulo Prado (escritor a quem Mário de Andrade dedicou Macunaíma), é hoje um livro quase esquecido. Quando saiu, porém, alcançou êxito excepcional: quatro edições entre 1928 e 1931. O momento era propício para tentar explicações do Brasil, país que se via a si mesmo como um ponto de interrogação. Terra tropical e mestiça condenada ao atraso ou promessa de um eldorado sul-americano?
BOSI, Alfredo.Céu, Inferno. São Paulo: Ática, 1988, p. 137)A tendência de se aprofundar o conhecimento do Brasil, numa linha nacionalista e tropical, no período referido no texto, está indiciada já em expressões que identificam obras e grupos literários, tais como
A temática do tempo é recorrente nas narrativas de Mia Couto. No conto “Nas águas do tempo”, do livro Estórias abensonhadas (1996), o autor retoma essa questão. Nesta narrativa, qual é a maior preocupação do avô ao levar seu neto constantemente ao rio?
A temática do Arcadismo presente nos versos abaixo é o “Se o bem desta choupana pode tanto, Que chega a ter mais preço, e mais valia, Que da Cidade o lisonjeiro encanto”
Leia o soneto Fanatismo, da poeta portuguesa Florbela Espanca.
Minh'alma, de sonhar-te, anda perdida.
Meus olhos andam cegos de te ver.
Não és sequer razão do meu viver
Pois que tu és já toda a minha vida!
Não vejo nada assim enlouquecida...
Passo no mundo, meu Amor, a ler
No mist'rioso livro do teu ser
A mesma história tantas vezes lida!...
"Tudo no mundo é frágil, tudo passa...
Quando me dizem isto, toda a graça
Duma boca divina fala em mim!
E, olhos postos em ti, digo de rastros:
"Ah! podem voar mundos, morrer astros,
Que tu és como Deus: princípio e fim!..."
(Sonetos, 1997.)
A temática desse poema pode ser relacionada ao