PEQUEI, SENHOR....
Pequei, Senhor, mas não porque hei pecado,
de vossa alta clemência me despido;
porque quanto mais tenho delinquido,
vos tenho a perdoar mais empenhado.
Se basta a vos irar tanto um pecado,
a abrandar-vos sobeja um só gemido:
que a mesma culpa, que vos há ofendido,
vos tem para o perdão lisonjeado.
Se uma orelha perdida e já cobrada,
glória tal e prazer tão repentino
vos deu, como afirmais na sacra história,
Eu sou, Senhor, a ovelha desgarrada,
cobrai-a; e não queirais, pastor divino,
perder na vossa ovelha a vossa glória.
Gregório de Mattos
Do livro: "Livro dos Sonetos", LP&M Editores, 1996, RS Enviado por: Márcia Maia
Sobre a análise do poema, seguem duas assertivas ligadas pela palavra PORQUE:
O poema apresenta características de um estilo de época em que o homem vivia um conflito entre o divino e o pecado.
PORQUE
Retrata um diálogo entre o eu-lírico e Deus, enfatizando sua condição de pecador em busca de perdão.
A propósito das assertivas, afirma-se que:
A propósito da poesia parnasiana é CORRETO afirmar que:
Instrução: A questão refere-se à obra Feliz ano velho, de Marcelo Rubens Paiva.
A propósito da obra, é correto afirmar que
Leia o texto abaixo, retirado da obra O Cortiço e, responda à questão:
Eram cinco horas da manhã e o cortiço acordava, abrindo, não os olhos, mas a sua infinidade de portas e janelas alinhadas. Um acordar alegre e farto de quem dormiu... de uma assentada, sete horas de chumbo.
[…].
O rumor crescia, condensando-se; o zunzum de todos os dias acentuava-se; já se não destacavam vozes dispersas, mas um só ruído compacto que enchia todo o cortiço. Começavam a fazer compras na venda; ensarilhavam-se discussões e rezingas; ouviam-se gargalhadas e pragas; já se não falava, gritava-se. Sentia-se naquela fermentação sanguínea, naquela gula viçosa de plantas rasteiras que mergulham os pés vigorosos na lama preta e nutriente da vida, o prazer animal de existir, a triunfante satisfação de respirar sobre a terra.
AZEVEDO, Aluísio. O Cortiço. São Paulo: Ática, 2010. p. 28-29.A propósito da obra O Cortiço, de Aluísio Azevedo, é INCORRETO afirmar:
Importuna Razão, não me persigas
Importuna Razão, não me persigas;
Cesse a ríspida voz que em vão murmura,
Se a lei de Amor, se a força da ternura,
Nem domas, nem contrastas, nem mitigas.
Se acusas os mortais, e os não obrigas,
Se, conhecendo o mal, não dás a cura,
Deixa-me apreciar minha loucura;
Importuna Razão, não me persigas.
É teu fim, teu projeto encher de pejo
Esta alma, frágil vítima daquela
Que, injusta e vária, noutros laços vejo.
Queres que fuja de Marília bela,
Que a maldiga, a desdenhe; e o meu desejo
É carpir, delirar, morrer por ela.
(Poesia Arcádica, 1985.)A produção poética de Bocage antecipa inúmeras características do Romantismo. Entre elas, pode-se reconhecer no poema
Reclame
Se o mundo não vai bem
a seus olhos, use lentes
... ou transforme o mundo
ótica olho vivo
agradece a preferência
CHACAL et al. Poesia marginal. São Paulo: Ática, 2006.Chacal é um dos representantes da geração poética de1970.
A produção literária dessa geração, considerada marginal e engajada, de que é representativo o poema apresentado, valoriza
Em 2008, foi realizada uma homenagem a Graciliano Ramos pelos setenta anos de criação de Vidas Secas. O fotógrafo Evandro Teixeira realizou um ensaio com locação nos lugares de origem dos personagens criados pelo escritor alagoano.
A produção incluiu atores com características físicas semelhantes às dos personagens do romance. O olhar poético do fotógrafo ainda registrou imagens que nos comunicam as condições dos migrantes, como
Soneto
Oh! Páginas da vida que eu amava,
Rompei-vos! nunca mais! tão desgraçado!...
Ardei, lembranças doces do passado!
Quero rir-me de tudo que eu amava!
E que doido que eu fui! como eu pensava
Em mãe, amor de irmã! em sossegado
Adormecer na vida acalentado
Pelos lábios que eu tímido beijava!
Embora — é meu destino. Em treva densa
Dentro do peito a existência finda
Pressinto a morte na fatal doença!
A mim solidão da noite infinda!
Possa dormir o trovador sem crença.
Perdoa minha mãe — eu te amo ainda!
AZEVEDO, A. Lira dos vinte anos. São Paulo: Martins Fontes, 1996.
A produção de Álvares de Azevedo situa-se na década de 1850, período conhecido na literatura brasileira como Ultrarromantismo. Nesse poema, a força expressiva da exacerbação romântica identifica-se com o (a)
Em Memórias do Cárcere, lê-se a seguinte passagem, em que Graciliano Ramos, preso em 1936, recorda a prisão que sofrera seis anos antes:
Chegamos ao quartel do 20o Batalhão. Estivera ali em 1930, envolvera-me estupidamente numa conspiração besta com um coronel, um major e um comandante da polícia e, vinte e quatro horas depois, achava-me preso e só. Pensando nessas coisas, desci do automóvel, atravessei o pátio que, em 1930, via cheio de entusiastas enfeitados com braçadeiras vermelhas. (...) Se todos os sujeitos perseguidos fizessem como eu, não teria havido uma só revolução no mundo. Revolucionário chinfrim. As minhas armas, fracas e de papel, só podiam ser manejadas no isolamento.
(Graciliano Ramos. Memórias do Cárcere. São Paulo: Martins, 6. ed, 1969. p. 19 e 20)A prisão, em 1936, do autor de Memórias do Cárcere relaciona- se ao contexto histórico em que se insere o movimento conhecido como
Cidade
Foguetes pipocam o céu quando em quando
Há uma moça magra que entrou no cinema
Vestida pela última fita
Conversas no jardim onde crescem bancos
Sapos
Olha
A iluminação é de hulha branca
Mamães estão chamando
A orquestra rabecoa na mata
ANDRADE, Oswald de. Cidade. Caderno de poesia do aluno Oswald (Poesia reunida). São Paulo: Círculo do Livro, s.d. p. 103.A primeira geração modernista defendeu a atualização da linguagem literária, reflexo da sociedade em transformação.Em relação ao texto, a alternativa que está em desacordo com essa proposta é a