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LiteraturaENCCEJA2019

Chegança

Eu atraquei
num porto muito seguro,
céu azul, paz e ar puro,
botei as pernas pro ar. [...]
Mas de repente
me acordei com a surpresa:
uma esquadra portuguesa
veio na praia atracar.
Da grande nau,
um branco de barba escura
vestindo uma armadura
me apontou pra me pegar.
Assustado
dei um pulo da rede,
pressenti a fome, a sede,
eu pensei: “vão me acabar”!
Me levantei
de borduna já na mão.
ai, senti no coração:
O Brasil vai começar.

NÓBREGA, A. Disponível em: www.antonio-nobrega. Acesso em: 15 jul. 2014 (fragmento).

A letra da canção ganha um sentido de humor e originalidade pela

LiteraturaUEA2018

E então esperei por Ulisses Tupi, famoso por encontrar saída nos labirintos dos nossos rios. Chegou de surpresa, barba tão crescida que escondia os olhos. Parecia outro. Jurou que Dinaura estava viva, mas não no nosso mundo. Morava na cidade encantada, com regalias de rainha, mas era uma mulher infeliz. Ele ouviu isso nas palafitas de beira de rio, nas freguesias mais distantes; ouviu de caboclos solitários, que vivem com suas sombras e visões. Dinaura foi atraída por um ser encantado, diziam. Era cativa de um desses bichos terríveis que atraem mulheres para o fundo das águas. E descreviam o lugar onde ela morava: uma cidade que brilhava de tanto ouro e luz, com ruas e praças bonitas. A Cidade Encantada era uma lenda antiga, a mesma que eu tinha escutado na infância. Surgia na mente de quase todo mundo, como se a felicidade e a justiça estivessem escondidas num lugar encantado.
(Milton Hatoum. Órfãos do Eldorado, 2008.)

A lenda da Cidade Encantada, conforme apresentada no texto de Milton Hatoum,

LiteraturaUNICENTRO2020

TEXTO:

A vida e a natureza sempre à mercê da poluição
se invertem as estações do ano
faz calor no inverno e frio, no verão
os peixes morrendo nos rios
[5] estão se extinguindo espécies animais
e tudo que se planta colhe
o tempo retribui o mal que a gente faz.
Onde a chuva caía quase todo dia
já não chove nada
[10] o sol abrasador rachando o leito dos rios secos
sem um pingo de água
quanto ao futuro inseguro
será assim de norte a sul
a Terra nua semelhante à Lua.
[15] O que será deste planeta azul?
O que será deste planeta azul?
O rio que desce as encostas já quase sem vida
parece que chora um triste lamento das águas
ao ver devastadas a flora e a fauna
[20] é tempo de pensar no verde
regar a semente que ainda não nasceu
deixar em paz a Amazônia
perpetuar a vida
estar bem com Deus!

XORORÓ; ADEMIR. Intérpretes: Chitãozinho e Xororó. Planeta azul. Disponível em: <http://letras.terra.com.br/chitaozinho-exororo/45235/htm>. Acesso em: 15 ago. 2019.

A leitura que se faz do poema-canção através do fragmento citado está correta na alternativa

LiteraturaUNIFESP2014

O melro veio com efeito às três horas. Luísa estava nasala, ao piano.

– Está ali o sujeito do costume – foi dizer Juliana.

Luísa voltou-se corada, escandalizada da expressão:

– Ah! meu primo Basílio? Mande entrar.

E chamando-a:

– Ouça, se vier o Sr. Sebastião, ou alguém, que entre.

Era o primo! O sujeito, as suas visitas perderam de repente para ela todo o interesse picante. A sua malícia cheia, enfunada até aí, caiu, engelhou-se como uma vela a que falta o vento. Ora, adeus! Era o primo!

Subiu à cozinha, devagar, — lograda.

– Temos grande novidade, Sr.a Joana! O tal peralta é primo. Diz que é o primo Basílio.

E com um risinho:

– É o Basílio! Ora o Basílio! Sai-nos primo à última hora! O diabo tem graça!

– Então que havia de o homem ser se não parente?

– observou Joana.

Juliana não respondeu. Quis saber se estava o ferro pronto, que tinha uma carga de roupa para passar! E sentouse à janela, esperando. O céu baixo e pardo pesava, carregado de eletricidade; às vezes uma aragem súbita e fina punha nas folhagens dos quintais um arrepio trêmulo.

– É o primo! – refletia ela. – E só vem então quando o marido se vai. Boa! E fica-se toda no ar quando ele sai; e é roupa-branca e mais roupa-branca, e roupão novo, e tipoia para o passeio, e suspiros e olheiras! Boa bêbeda! Tudo fica na família!

Os olhos luziam-lhe. Já se não sentia tão lograda. Havia ali muito “para ver e para escutar”. E o ferro estava pronto?

Mas a campainha, embaixo, tocou.

(Eça de Queirós. O primo Basílio, 1993.)

A leitura do trecho de O primo Basílio, em seu conjunto, permite concluir corretamente que essa obra

LiteraturaIFRN2016

Texto

brasil

O Zé Pereira chegou de caravela

E preguntou pro

Guarani da mata virgem

— Sois Cristão

— Não. Sou bravo, sou forte, sou filho da Morte

Teterê Tetê Quizá Quizá Quecê!

O negro zonzo saído da fornalha

Tomou a palavra e respondeu

Canhem Babá Canhem Babá Cum Cum!

E fizeram o Carnaval!

(ANDRADE, Oswald. Poesias Reunidas. 5. ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1978. p. 169)

A leitura do Texto permite afirmar que somente o

LiteraturaUnichristus2015

Texto para a questão.

Ser miserável dentre os miseráveis
Carrego em minhas células sombrias
Antagonismos irreconciliáveis
E as mais opostas idiossincrasias!


Muito mais cedo do que o imaginável
Eis-vos, minha alma, enfim dada às bravias
Cóleras dos dualismos implacáveis
E à gula negra das antinomias!


Psique biforme, o Céu e o Inferno absorvo...
Criação a um tempo escura e cor-de-rosa,
Feita dos mais variáveis elementos,


Ceva-se em minha carne, como um corvo,
A simultaneidade ultramonstruosa
De todos os contrastes famulentos!

Augusto dos Anjos

Augusto dos Anjos (1884-1914) é um continuador de Cruz e Sousa, mas independente: renova-lhe a linha de força central sem insistir nos chavões que lhe marcam indelevelmente a poesia. O conflito íntimo de Augusto dos Anjos ultrapassa as barreiras da subjetividade, identificando-se, segundo as palavras do poeta, com as forças geradoras do ser e do mundo.

A leitura do soneto, posto acima, revela que o conflito do poeta não se resolve; antes, pelo contrário, transforma-se em

LiteraturaUnichristus2022

CÍRCULO VICIOSO

Bailando no ar, gemia inquieto vaga-lume:
— “Quem me dera que fosse aquela loura estrela,
Que arde no eterno azul, como uma eterna vela!”
Mas a estrela, fitando a Lua, com ciúme:

— “Pudesse eu copiar o transparente lume,
Que, da grega coluna à gótica janela,
Contemplou, suspirosa, a fronte amada e bela!”
Mas a Lua, fitando o Sol, com azedume:

— “Mísera! tivesse eu aquela enorme, aquela
Claridade imortal, que toda a luz resume!”
Mas o Sol, inclinando a rútila capela:

— “Pesa-me esta brilhante auréola de nume…
Enfara-me esta azul e desmedida umbela…
Por que não nasci eu um simples vaga-lume?”

ASSIS, Machado de. Ocidentais. Disponível em: www.dominiopublico.gov.br. Acesso em: 2 jul. 2021.

A leitura do poema permite inferir que o(a)

LiteraturaUnichristus2020

CANÇÃO


Dá-me pétalas de rosa
Dessa boca pequenina:
Vem com teu riso, formosa!
Vem com teu beijo, divina!


Transforma num paraíso
O inferno do meu desejo...
Formosa, vem com teu riso!
Divina, vem com teu beijo!


Oh! tu, que tornas radiosa
Minh’alma, que a dor domina,
Só com teu riso, formosa,
Só com teu beijo, divina!


Tenho frio, e não diviso
Luz na treva em que me vejo:
Dá-me o clarão do teu riso!
Dá-me o fogo do teu beijo!

BILAC, Olavo. Melhores poemas. Seleção de Marisal Lajolo. São Paulo: Global, 2003. p. 70.

A leitura do poema permite inferir que há uma

LiteraturaUFU2013

Desde o começo do mundo água e chão se amam

e se entram amorosamente

e se fecundam.

Nascem peixes para habitar os rios.

E nascem pássaros para habitar as árvores.

As águas ainda ajudam na formação dos caracóis e das

suas lesmas.

As águas são a epifania do Pantanal.

[...]

Penso com humildade que fui convidado para o

banquete dessas águas.

Porque sou de bugre.

Porque sou de brejo.

[...]

Louvo portanto esta fonte de todos os seres e de todas

as plantas.

Vez que todos somos devedores destas águas.

Louvo ainda as vozes dos habitantes deste lugar que

trazem para nós, na umidez de suas palavras, a boa

inocência de nossas origens.

BARROS, Manoel de. In: Poesia completa. São Paulo: Leya, 2010. p. 455-456.

A leitura do poema acima permite inferir que:

LiteraturaFGV-RJ2015

Algum tempo hesitei se devia abrir estas memórias pelo princípio ou pelo fim, isto é, se poria em primeiro lugar o meu nascimento ou a minha morte. Suposto o uso vulgar seja começar pelo nascimento, duas considerações me levaram a adotar diferente método: a primeira é que eu não sou propriamente um autor defunto, mas um defunto autor, para quem a campa foi outro berço; a segunda é que o escrito ficaria assim mais galante e mais novo. Moisés, que também contou a sua morte, não a pôs no introito, mas no cabo: diferença radical entre este livro e o Pentateuco.

Dito isto, expirei às duas horas da tarde de uma sexta-feira do mês de agosto de 1869, na minha bela chácara de Catumbi. Tinha uns sessenta e quatro anos, rijos e prósperos, era solteiro, possuía cerca de trezentos contos e fui acompanhado ao cemitério por onze amigos.

Machado de Assis, Memórias póstumas de Brás Cubas.

A leitura do excerto permite inferir vários traços de caráter do narrador-personagem. Entre ostraços relacionados abaixo, o único que NÃO é abonado ou confirmado pelo texto é o que estáem