Leia o poema de Hilda Hilst a seguir para responder a questão.
Se a tua vida se estender
Mais do que a minha
Lembra-te, meu ódio-amor,
Das cores que vivíamos
Quando o tempo do amor nos envolvia.
Do ouro. Do vermelho das carícias.
Das tintas de um ciúme antigo
Derramado
Sobre o meu corpo suspeito de conquistas.
Do castanho de luz do teu olhar
Sobre o dorso das aves. Daquelas árvores:
Estrias de um verde-cinza que tocávamos.
E folhas da cor das tempestades
contornando o espaço
De dor e afastamento.
Tempo turquesa e prata
Meu ódio-amor, senhor da minha vida.
Lembra-te de nós. Em azul. Na luz da caridade.
Analise as afirmações seguintes em relação ao poema acima, quanto à estrutura morfossintática e semântica.
1. Não há metalinguagem no poema.
2. No poema não há indicação da causa do “ciúme”, mas há indicação do destino.
3. O verso “Do castanho de luz do teu olhar” exerce a função de complemento do significado de um nome que o antecede no poema.
4. O verso “Do ouro. Do vermelho das carícias.” exerce a função de complemento do significado de um verbo que o sucede no poema.
5. No verso “Lembra-te de nós. Em azul.” a poeta utiliza o ponto como recurso poético para indicar longa pausa e, com isso, constrói duas frases, daquilo que era para ser uma – uma verbal, outra nominal, sendo o sentido desta validado pela existência da primeira.
6. Em: “Lembra-te de nós.”, “te” e “de nós” são termos determinados de “Lembra”.
7. Em: “Lembra-te de nós.”, “Lembra” é uma forma verbal subjuntiva: hipotética.
8. Em: “Lembra-te de nós.”, o conectivo “de” estabelece uma relação de “assunto”.
9. Em: “Meu ódio-amor”, “ódio-amor” é um termo determinado, um nome com valor semântico de antítese.
10. O praticante da ação de lembrar, em “Lembrate” é tu e, “Lembra-te”, em flexão na segunda pessoa: “você” é Lembre-se.
A diferença entre a soma das afirmações incorretas e corretas é:
Leia o poema de Hilda Hilst a seguir para responder a questão.
Se a tua vida se estender
Mais do que a minha
Lembra-te, meu ódio-amor,
Das cores que vivíamos
Quando o tempo do amor nos envolvia.
Do ouro. Do vermelho das carícias.
Das tintas de um ciúme antigo
Derramado
Sobre o meu corpo suspeito de conquistas.
Do castanho de luz do teu olhar
Sobre o dorso das aves. Daquelas árvores:
Estrias de um verde-cinza que tocávamos.
E folhas da cor das tempestades
contornando o espaço
De dor e afastamento.
Tempo turquesa e prata
Meu ódio-amor, senhor da minha vida.
Lembra-te de nós. Em azul. Na luz da caridade.
Analise as afirmações seguintes em relação ao poema acima, quanto à estrutura morfossintática e semântica, considerando os cinco primeiros versos do poema.
1. Equivalem a um período composto por ideias subordinadas na ordem direta.
2. Encontram-se em linguagem popular.
3. A primeira e a quinta palavra do primeiro verso têm a mesma grafia com funções e significados diferentes, sendo que a quinta relaciona-se com a quarta e complementa o sentido da sexta palavra.
4. A mensagem perpassa, cronológica e respectivamente, o passado, o presente e o futuro.
5. A expressão escrita da ação, no primeiro e segundo versos, é uma figura denominada de zeugma.
6. No segundo verso, a ação é completada por duas ideias: uma, de forma direta, relacionada a uma pessoa e, outra, de forma indireta, relacionada a fatos históricos.
7. Equivalem a um período composto por ideias subordinadas, que na ordem direta, se inicia com uma exortação ou evocação.
8. A voz do texto ou o eu lírico supõe-se como vítima da morte com a intencionalidade de resgatar no receptor um sentimento de saudosismo antecipado.
9. Não expressam a possibilidade de o eu lírico estar na condição de homem ou de mulher.
10. O significado da expressão “ódio-amor” assemelha-se ao de “É um contentamento descontente”, de Camões.
A diferença entre a soma das afirmações corretas e incorretas é:
Leia o trecho apresentado a seguir.
ZÉ PAULO
[...] Mas preciso alertá-lo: esta é uma cidade invisível...
ÁLVARES
Sempre foi.
ZÉ PAULO
Mas hoje está pior. Só com faro infravermelho, ou o ouvido tortuoso de um peão, é possível encontrar a cidade onde ela se encontra: ao rés do chão...
ÁLVARES
Isso é um poema?
ZÉ PAULO
Talvez.
ÁLVARES
Lá vem você... todo blasé.
ZÉ PAULO
O que eu quero dizer, Álvares, é que no seu tempo ela podia ser invisível porque era tão pequena, pacata e provinciana; mas hoje ela é mais de setecentas cidades, uma empilhada em cima da outra, e os rios foram todos soterrados, já não é possível navegar. Por isso é preciso se aproximar com cuidado, abrindo os ouvidos para enxergar o caminho.
[…]
ZÉ PAULO
Ninguém sabe o que se passa no subsolo da cidade. Esgoto sanitário, esgoto industrial, água de lavagem, óleos lubrificantes, combustíveis e solventes... Ninguém sabe. Tudo nesta cidade foi feito de forma independente, ao deus-dará, sem levar em conta o que veio antes, o que virá depois. Isso vale também para os buracos de metrô, gás, eletricidade, informações... O fato é que ninguém sabe o que existe no subsolo. Do empreendimento imobiliário mais suntuoso ao buraco mais miserável, ninguém sabe em que cidade realmente está.
MARTINS, Alberto. Uma noite em cinco atos. São Paulo: Editora 34, 2009. p. 84-85; 88.A descrição da cidade de São Paulo, em Uma noite em cinco atos, de Alberto Martins, estabelece uma comparação entre o desenvolvimento urbano e as transformações literárias no século XX. Essa comparação se efetiva no contraponto entre
O termo vanguarda designava originalmente a posição dos guerreiros que iam à frente, nas batalhas. Mais tarde, já no campo da arte, passou a identificar a posição de criadores que, preocupados com uma completa inovação estética, buscavam adiantar-se ao seu tempo e propunham, quando não impunham, novos paradigmas para a linguagem artística. No Brasil do século XX há que se destacar o papel de vanguarda cultural e artística do movimento modernista de 22, por sua vez inspirado por vanguardas europeias, e a radical atuação vanguardista dos poetas concretos, cujos manifestos datam da década de 50 − década em que a economia e a política nacional também buscaram modernizar-se.
(Alcebíades Valongo, inédito)A denominação vanguarda, tal como definida no texto, aplica-se a movimentos artísticos tão distintos quanto separados no tempo histórico. É o que se pode comprovar examinando as obras representativas
A década de 1930 impulsionou o romance gaúcho. Desse período podemos destacar Dionélio Machado, ÉricoVerissimo e Cyro Martins. Sobre esse período, os autores e suas obras, é correto afirmar que
“A partida da grandiosa esquadra estava marcada para 8 de março. Filas intermináveis de carregadores entravam e saíam dos navios. Antônio não tinha tempo de se coçar. Passava os dias na tasca, servindo os fregueses, e tudo parecia normal, a não ser pelo fato de que não conseguia mais beber nem comer.
Sentia-se bem disposto. Com energia demais até. Ia de mesa em mesa com uma velocidade espantosa, era capaz de ouvir vários pedidos ao mesmo tempo e chegava a adivinhálos”.
(JAF, Ivan. O vampiro que descobriu o Brasil. São Paulo: Ática, p.9-10)A data citada no texto refere-se à vinda das esquadras portuguesas ao Brasil, na qual embarca clandestinamente Antônio Brás, português já vampirizado, que quer encontrar seu agressor, cuja meta inicial era a de
Leia a crônica “O pistolão”, de Lima Barreto, para responder à questão.
Quando o dr. Café foi nomeado diretor do Serviço de Construção de Albergues e Hospedarias, anunciou aos quatro ventos que não atenderia a pistolões.
Sabe toda a gente em que consiste o pistolão ou o cartucho. É uma carta ou cartão de pessoa influente, de amigo ou amiga, de chefão político que faz as altas autoridades torcerem a justiça e o direito.
Café tinha anunciado que não atenderia absolutamente aos tais “cartuchos”; que ia decidir por si todos os casos e questões.
Firme em tal propósito, ele se trancara no gabinete e lia os regulamentos que inteiramente desconhecia, sobretudo os da sua repartição.
Naquele dia, o doutor teve notícia de que um moço o procurava.
Deu ordem a um contínuo que o fizesse entrar.
— Que deseja?
— Vossa excelência há de perdoar-me o incômodo. Eu desejava ser nomeado porteiro do albergue da ilha do Governador.
— Há albergue lá?
— Há sim, senhor.
Café pensou um tempo e disse com rapidez:
— Não conheço bem o senhor. Quem me garante a sua idoneidade para o cargo?
— Vossa excelência disse que não admitia empenhos...
— É verdade...
— Mas saberá vossa excelência que eu...
— É, é... O senhor deve fazer-se recomendar.
— Tenho mesmo já a recomendação.
— De quem é?
— Do senador Xisto.
— Deixe-me ver.
Café leu a carta e lembrou-se de que esse senador tinha concorrido muito para a nomeação dele.
Leu e respondeu:
— Pode ir. Amanhã estará nomeado.
A crônica permite caracterizar o dr. Café como
Texto para a questão
Em uma outra casinha do cortiço acabava de estalar uma nova sobremesa, engrossando o barulho geral: era o jantar de um grupo de italianos mascates, onde o Delporto, o Pompeo, o Francesco e o Andrea representavam as principais figuras. Todos eles cantavam em coro, mais afinados que nas outras duas casas; quase, porém, que se lhes não podia ouvir as vozes, tantas e tão estrondosas eram as pragas que soltavam ao mesmo tempo. De quando em quando, de entre o grosso e macho vozear dos homens, esguichava um falsete feminino, tão estridente que provocava réplica aos papagaios e aos perus da vizinhança. E, daqui e dali, iam rebentando novas algazarras em grupos formados cá e lá pela estalagem. Havia nos operários e nos trabalhadores decidida disposição para pandegar, para aproveitar bem, até ao fim, aquele dia de folga. A casa de pasto fermentava revolucionada, como um estômago de bêbado depois de grande bródio, e arrotava sobre o pátio uma baforada quente e ruidosa que entontecia.
Aluísio Azevedo, O cortiço.A crítica literária costuma observar que, em O cortiço, considerado como um todo, ocorre uma espécie de ampla personificação, na medida em que, convertido em um único ente, o próprio cortiço figurado na obra seria sua personagem principal. Esse mesmo processo de personificação ocorre, em escala menor, no seguinte trecho do texto:
Personagem frequente dos carros alegóricos, d. Pedro surgia, nos anos 1880, ora como Pedro Banana ou como Pedro Caju, numa alusão à sua falta de participação nos últimos anos do Império. Mas é só com a queda da monarquia que se passa a eleger um rei do Carnaval. Com efeito, o rei Momo é uma invenção recente, datada de 1933. No século XIX ele não era rei, mas um deus grego: zombeteiro, pândego e amante da galhofa. Nos anos 30 vira Rei Momo e logo depois cidadão. Novos tempos, novos termos.
(SCHWARCZ, Lilian Mortiz.As barbas do Imperador: Dom Pedro II , um monarca nos trópicos. São Paulo: Companhia das Letras, 1998, p. 281)A crítica galhofeira a autoridades e a pessoas de prestígio foi uma arma contundente de que se valeu
TEXTO
XIII
O meu amor é uma flauta alta.
Auto em si,
desce dos montes e das colinas trêmulo,
estranho e abandonado,
entre o balir dos gerânios,
os ventos e o orvalho sangrando
em bolhas de luz seu destino.
O meu amor é poema,
sopro de flauta de um menino!
Nunca é estrangeiro o meu amor.
Entre musgos, sarças e violetas, nasce,
cresce, caminha: abre-se em flor!
No Texto, o poeta deixa explícitas duas metáforas do amor (“o meu amor é uma flauta alta; o meu amor é poema”) e uma implícita (“o meu amor [...] abre-se em flor” = o amor é flor).
A construção dessas metáforas revela (assinale a alternativa correta):