Texto IV
Cadeia
Estava tão cansado, tão machucado, que ia quase adormecendo no meio daquela desgraça. Havia ali um bêbedo tresvariando em voz alta [...] Discutiam, queixava-se da lenha molhada. Fabiano cochilava, a cabeça pesada inclinava-se para o peito e levantava-se. [...] Acordou sobressaltado. Pois não estava misturando as pessoas, desatinando? Talvez fosse efeito da cachaça. Não era: tinha bebido um copo. [...]
Ouviu o falatório do bêbedo e caiu numa indecisão dolorosa. Ele também dizia palavras sem sentido, conversava à toa. Mas irou-se com a comparação, deu marradas na parede. Era bruto, sim senhor, nunca havia aprendido, não sabia explicar-se. Estava preso por isso? Como era? Então mete-se um homem na cadeia porque ele não sabe falar direito? Que mal fazia a brutalidade dele? Vivia trabalhando como um escravo.
[...]
RAMOS, Graciliano. Vidas Secas. (Adaptado) 127 ed. Rio de Janeiro: Record, 2015.A leitura do segundo parágrafo permite depreender a imagem que Fabiano tem de si mesmo e a sua reação ao domínio a que se submete, por meio do discurso indireto livre. Esse discurso é efetivado pela
O livro Da arte de falar bem – Crônicas de saudade e bem-querer –, de José Chagas, trata das suas experiências e vivências no cotidiano de São Luís e de outras cidades maranhenses.
Não tinha mais do que seis anos de idade. E toda essa infância era gasta em alegrar a casa com risos, cantos e indagações curiosas. Pelas manhãs, eu gostava de conversar com ela, curvar-me um pouco à inocência que, por sua vez, parecia erguer-se diante de mim, como ansiosa de aprender as coisas que escapavam ao seu limitado mundo e iam fundar as razões do meu atribulado campo de adulto. E ela não percebia que nesses instantes eu me transformava num aprendiz de infância, eu tentava recordar-me tão pequeno quanto ela.
Durante os três meses que passei naquela casa de pensão da rua da Manga, pude medir aos poucos a distância que vai de mim ao menino que fui, sentir quanto estou longe de minha própria infância, e compreender afinal que é quase um crime de minha parte o contato hoje com a infância alheia.
A menina, porém, não tinha nenhum receio. Apenas me achava curioso e incompreensível. A minha adquirida lógica de homem crescido não me deixava assimilar todo o conteúdo de sua linguagem simples.
[...]
Fonte: CHAGAS, José. Da arte de falar bem. São Luís: Instituto Geia, 2004.A leitura do fragmento revela que o sentimento do cronista, em relação a si próprio, face aos fatos ocorridos é o seguinte:
O livro Da arte de falar bem – Crônicas de saudade e bem-querer –, de José Chagas, trata das suas experiências e vivências no cotidiano de São Luís e de outras cidades maranhenses.
Não tinha mais do que seis anos de idade. E toda essa infância era gasta em alegrar a casa com risos, cantos e indagações curiosas. Pelas manhãs, eu gostava de conversar com ela, curvar-me um pouco à inocência que, por sua vez, parecia erguer-se diante de mim, como ansiosa de aprender as coisas que escapavam ao seu limitado mundo e iam fundar as razões do meu atribulado campo de adulto. E ela não percebia que nesses instantes eu me transformava num aprendiz de infância, eu tentava recordar-me tão pequeno quanto ela.
Durante os três meses que passei naquela casa de pensão da rua da Manga, pude medir aos poucos a distância que vai de mim ao menino que fui, sentir quanto estou longe de minha própria infância, e compreender afinal que é quase um crime de minha parte o contato hoje com a infância alheia.
A menina, porém, não tinha nenhum receio. Apenas me achava curioso e incompreensível. A minha adquirida lógica de homem crescido não me deixava assimilar todo o conteúdo de sua linguagem simples.
[...]
Fonte: CHAGAS, José. Da arte de falar bem. São Luís: Instituto Geia, 2004.A explicação adequada para as relações coesivas estabelecidas no trecho está indicada na seguinte opção:
Considerando o contexto da obra Morte e vida Severina, de João Cabral de Melo Neto, leia o textopara responder à questão.
TEXTO
[...]
— E esse povo lá de riba
de Pernambuco, da Paraíba,
que vem buscar no Recife
poder morrer de velhice,
encontra só, aqui chegando,
cemitérios esperando.
— Não é viagem o que fazem,
vindo por essas caatingas, vargens;
ai está o seu erro:
vêm é seguindo seu próprio enterro.
[...]
Fonte: MELO NETO, J. C. Morte e vida Severina e outros poemas. Rio de Janeiro: Objetiva, 2007.A coerência sintática, nessas falas, com relação às formas verbais “fazem” e “vêm” e os respectivos sujeitos, é garantida com a recorrência de termo presente na primeira fala, por meio da figura de linguagem, denominada
Analise a charge para responder à questão.
A charge apresenta visão crítica sobre formas de interação social na atualidade porque as redes sociais disponíveis na internet têm
Observe atentamente a tira abaixo:
Uma das formas de se gerar humor em textos de linguagem verbal e não verbal como as tiras é criar quebras de expectativa. Pode-se inferir que a falsa expectativa é gerada na tira, no primeiro quadro, pelo emprego de:
Já se tornou lugar comum ouvir o termo “brain drain” ou fuga de cérebros. Brain drain, fuga de capital humano ou de cérebros consiste na emigração de indivíduos detentores de alto grau de conhecimento técnico ou científico para países mais desenvolvidos, devido a fatores como conflitos étnicos, guerras, riscos à saúde, instabilidade política, mas, principalmente, como é o caso do Brasil, à instabilidade econômica com a consequente carência de investimentos em pesquisa nas áreas de ciência e tecnologia, que, por via de consequência gera a falta de oportunidades de empregos em nosso país. Tais especialistas são atraídos para trabalhar em países mais desenvolvidos, como os EUA e Europa, já que lá conseguem benefícios pessoais, reconhecimento da carreira, tem oportunidades de desenvolver pesquisas em ciência e tecnologias, e o mais importante, facilidade de empregos com remuneração adequada.
Fonte: http://www.joaquimnabuco.edu.br/noticias/como-evitar-evasao-de-nossos-cientistas-brain-drain-ou-fuga-de-cerebros. Acesso em: 11/08/19.Uma consequência para o Brasil do problema em destaque no texto é a (o)
O texto a seguir serve de base para aquestão
A FIFA e o meio ambiente
A FIFA encara seriamente a sua responsabilidade ambiental. Questões como o aquecimento global, a conservação ambiental e o manejo sustentável recebem destaque durante a Copa do Mundo da FIFA e também são uma preocupação constante da entidade máxima do futebol mundial. É por isso que a FIFA vem trabalhando com os seus parceiros e todas as outras instituições para encontrar formas sensatas de tratar da ecologia e reduzir os impactos ambientais negativos vinculados às suas atividades.
Sede da FIFA sem emissões de poluentes
A nova sede da FIFA, que vem sendo usada desde 2006, definiu novos padrões ambientais. A maior prioridade foi dada a um conceito energético ecológico e econômico vinculado a instalações modernas e integradas harmonicamente à área recreativa das redondezas. Com esse pano de fundo, a FIFA decidiu construir um prédio que não emitisse poluentes. Ela cumpriu com os seus objetivos ao rejeitar os combustíveis fósseis e as emissões de CO2, também implantando tecnologias de eficiência energética e a melhor combinação dos sistemas de aquecimento e arrefecimento. Quando o prédio precisa dos dois ao mesmo tempo, a bomba de calor remove calor da rede de arrefecimento e o transfere à rede de aquecimento.
Fonte: http://pt.fifa.com/aboutfifa/socialresponsibility/environmental.htmlA composição e a derivação são os processos mais comuns de formação de palavras na língua portuguesa.
Sobre esse tema, assinale a declaração CORRETA.
Analise o texto abaixo:
Tarefas domésticas previnem doenças cardiovasculares
E aqui vai um baita incentivo para quem costuma fazer corpo mole na hora de colocar a casa em ordem: uma pesquisa publicada na Revista Espanhola de Cardiologia aponta que os benefícios da faxina vão além da organização do ambiente. Após analisar 2 698 pessoas na faixa etária de 25 a 79 anos, cientis-tas da Universidade de Granada, na Espanha, constataram que lavar a roupa, varrer o chão e até cozinhar contribuem para uma melhor saúde do coração. De acordo com o estudo, os afazeres – mais comuns entre as mulheres – foram decisivos para que os corações da ala feminina fossem considerados mais saudáveis do que os dos homens analisados. Elas dedicavam até dez vezes mais energia à arru-mação do lar em comparação a eles. Um desequilíbrio que, pelo bem do sexo masculino e do convívio familiar, precisa ser remediado. Afinal, outro achado é que, para marmanjos obesos, dividir esse fardo com a mulherada representaria passos largos para longe do diabetes e do infarto. A conclusão reforça o resultado de diversos outros artigos que associam as horas sentadas ao aumento do número de panes no coração ao redor do mundo. Interromper esse período, mesmo que para fazer algo de intensidade leve, ajuda a combater o índice de mortalidade cardiovascular e a incidência de distúrbios que desregu-lam o metabolismo.
Disponível em: . Acesso em: 08/02/2017.Sobre as relações de coesão desempenhadas pelas expressões destacadas no texto, assinale a alterna-tiva CORRETA.
Leia o texto que segue.
Os oceanos pertencem a algum país?
Em parte. As águas que ficam a até 12 milhas náuticas (22 km) de distância do litoral são uma extensão do território e estão submetidas às suas leis. Uma segunda faixa, que fica entre 12 milhas (22 km) e 188 milhas (350 km), é mantida apenas sob domínio econômico, ou seja, o país mais próximo pode explorar os recursos naturais da região, mas não pode impedir que um navio estrangeiro navegue por ali. Esse limite chama-se Zona Econômica Exclusiva (ZEE).
Após essa distância, começa o chamado “alto-mar”, que desde 1958 é considerado res communis – “coisa de todos”. Portanto, não pertence a ninguém. Um tribunal internacional julga os crimes que acontecem nas regiões sem dono.
Disponível em: https://super.abril.com.br/blog/oraculo/os-oceanos-pertencem-a-algum-pais/. Acesso em: 10/01/2020.Sobre a estrutura gramatical das duas orações destacadas no texto, é CORRETO afirmar que